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Edição de Marinilda Carvalho

Vários temas importantes são debatidos pelos leitores nesta edição. Mas não se pode destacar outra coisa a não ser o estarrecedor assassinato do prefeito de Santo André. Esse monstro da intolerância, que vem sendo lentamente gestado no crime organizado e na extrema direita do país, precisa ser levado a sério pela mídia e receber combate sem tréguas. Espera-se que algum veículo, pelo menos um, tenha fôlego e coragem para levar a cabo a investigação que o caso exige.

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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CÁSSIA ELLER
Sarney e o latifundiário da solidão

O título do último artigo de José Sarney na Folha, "O sucesso de ser infeliz", além de infeliz tenta o improvável: matar quem já morreu. "Volto ao tema para refletir sobre o destino." Errou quem pensou que ele falaria sobre Roseana, sua filha; ele preferiu falar sobre Cássia Eller.

Conheçam alguns trechos: "As revelações que se fizeram sobre sua alma atormentada e triste nos remetem aos personagens mais pungentes de Dostoievski e Dickens". Atormentada? De onde ele tirou isso? Será que conhecia tanto assim a alma dela? Pois acredito que, se viva ainda estivesse, talvez o mandasse para onde estou pensando. Deixa pra lá.

Vamos ao martírio. "As pessoas são obrigadas a sucumbir ao sucesso". Seguinte: "E privacidade não diz respeito somente à vida privada, mas ao direito de cada um ficar só, consigo mesmo, dentro do latifúndio da sua solidão, que é invadido pelos problemas que rondam o êxito: compromissos, vaidades, intrigas, disputas e toda sorte de sentimentos corrosivos do afeto". Ui! Que coisa! Ter o afeto corroído em meio ao latifúndio ta parecendo letra de bolero, e de bordel de fronteira paraguaia.

Bom, daí, tentando comparar a tristeza da cantora, cita a confissão que lhe fez um senador, Agenor Maria: "(...) mas o tempo mais feliz da minha vida foi quando eu vendia água em Caicó, no Rio Grande do Norte", considerando este o discurso mais comovente que ele, Sarney, já ouvira. Daí solta essa: "Vejo agora a tragédia da cantora Cássia Eller, essa mocinha que saiu de Brasília, dos bares do circuito underground da cidade (...)". Minha nossa! Consegue se superar. "Chegou ao mais alto ponto da fama com a alma arruinada, revoltada, escrava do sucesso de ser infeliz, que aumentou o seu infortúnio e a deprimiu". Sarney dispensa Freud, analisa a questão e dá seu diagnóstico.

Bom, em seguida, chicoteia com Camões: "Oh! Vã cobiça dessa vaidade", arrematando com uma indagação própria: "Para que serve tudo isso?" E consegue atingir o ápice de seu devaneio concluindo: "A gente, sobretudo a juventude, mergulha no alcoolismo, nas drogas, no delírio das formas mais destruidoras da alegria". A gente, quem? Quer falar por si, esteja à vontade.

É lamentável que a Folha abra o nobre espaço da página 2 das sextas-feiras para gente assim, anos-luz de distância da poesia que tanto viveu e cantou Cássia Eller. É uma pena que o imortal dessa história seja ele, e não ela.

Ana Bruno , estudante de Jornalismo

 

O circo em movimento

O assunto Cássia Eller devia estar encerrado, definitivamente, nas primeiras páginas sensacionalistas de jornais e revistas. A mídia, de uma forma cruel, vem tentando de todas as formas mostrar como "uma roqueira homossexual e viciada" acabou morrendo. Some-se a isto a cômica e até trágica figura do pai de Cássia, na minha opinião com algum problema sério no cérebro ou nos intestinos, dá na mesma! Dá uma entrevista para uma revista de circulação nacional, depois aparece na televisão dizendo que não disse, que na verdade pouco vira seu neto, umas três ou quatro vezes apenas, assim não iria querer sua guarda. As irmãs de Cássia, mais centradas, desde o primeiro momento deram apoio a Maria Eugênia, como sendo a pessoa mais indicada para esta guarda. Agora, este devotado avô retorna à mídia, com denúncias "estarrecedoras" sobre a vida de Maria Eugênia, que culminam com a busca frenética por drogas no apartamento de Cássia. Nada encontraram.

Seguramente, se Chicão estivesse com seu avô já estaria aparecendo em jornais, revistas e programas de televisão, não tenho dúvidas sobre isso. Em contrapartida, Maria Eugênia têm se mantido afastada de toda esta palhaçada, preservando sua vida assim como de Chicão. Mantendo longe a mídia e os abutres de plantão, como sempre foi até hoje. Até agora, não lhes foi dada a paz para chorarem sua dor. Se ainda existem pessoas que contestam a decisão sobre a guarda de Chicão, as trapalhadas do avô demonstram inequivocamente que esta decisão está acertada. O que quer a mídia afinal? Perguntar a Chicão se ele sabe por que sua mãe morreu? Mamãe era drogada? Ela fazia festinhas? Você vai ser cantor também? Até agora muito se fez para macular a vida de Cássia Eller, mais digna que a da maioria de nossos políticos. E quando a festa acabar e o circo encontrar uma nova atração? Quem vai limpar a lona e o chão?

Sergio Luis dos Santos


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