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CETICISMO & CRENDICE
Faltou a contrapartida
Continuo um admirador do trabalho do Sr. Capozoli, ainda que em outra ocasião eu tenha objetado algo escrito pelo ilustre jornalista para este Observatório. Em relação a seu último texto para o OI, intitulado "Ceticismo em excesso é uma forma de crendice", sobre uma entrevista de Michael Shermer ao semanário Veja, tenho novamente algo para discordar.
Na verdade não se trata bem de uma discordância, mas se não for por demais pretensão de minha parte, de apontamentos para complementar a visão exposta por Capozoli.
Não é a primeira vez e, certamente, não será a última, que alguém aparece com uma receita bem comportada para dizer o que está certo e o que está errado no mundo da ciência.
De fato, muitas pessoas ao longo do tempo têm procurado ditar normas a outras pessoas. E com o relativo sucesso da empreitada científica muitos tentam basear-se nas ciências para justificar seus pontos de vista (um exemplo mais gritante tem sido os defensores de uma ética baseada na evolução biológica). Mas me pergunto se esse é o caso de Michael Shermer. Não me parece que ele tenha essa visão neomaniqueísta do certo (científico) e do errado (acientífico ou anticientífico).
Alhures ele escreve:
When exploring the borderlands of science, we often face a "boundary problem" of where to draw the line between science and pseudoscience. The boundary is the line of demarcation between geographies of knowledge, the border defining countries of claims. Knowledge sets are fuzzier entities than countries, however, and their edges are blurry. It is not always clear where to draw the line.
Ver em <www.sciam.com/2001/1201issue/1201skeptic.html>
(Em meu inglês macarrônico traduziria mais ou menos assim: "Ao se explorar as fronteiras das ciências, com freqüência nos deparamos com uma 'questão de fronteira' sobre onde traçar a linha entre as ciências e as pseudociências. O limite é uma linha demarcatória entre as geografias do conhecimento, a borda definindo os países das alegações. Os conjuntos dos conhecimentos são entidades mais difusas que países, porém, e seus limites são imprecisos. Nem sempre é nítido o local em que devemos traçar a linha".)
Infelizmente não tive ainda a oportunidade de ler a entrevista, de modo que não sei se a impressão de um determinismo científico foi realmente a que se depreende.
Em 1994, o jornalista francês Jean-Pierre Lentin escreveu um livro ("Je pense donc je me trompe") que não mereceu, na imprensa, o mesmo destaque dado à cruzada de Shermer.
Não estou certo de se isso é correto.
Lembro de uma boa receptividade da versão brasileira (de 1997). Mas certamente que a atividade científica é uma empreitada humana e passível de falhas. Os casos recolhidos no texto de Capozoli são bem ilustrativos.
Porém quando comparamos o grau de exposição a idéias de Shermer, Sagan e companhia com o de Deepak Chopra, Rupert Sheldrake, Fritjof Capra, Erik von Daniken, J. J. Benitéz entre outros, não me parece que os jornalistas estejam suprindo sua carência de formação com ceticismo.
Embora a explicação continue a me parecer simples: é possível que o misticismo e as pseudociências estejam causando uma saturação, então uma certa respirada de ceticismo –seja o de Pirro, seja o de Kurtz – renove a mesmice jornalística e as vendagens. (Simples, mas não necessariamente verdadeira.)
E voltando aos exemplos citados das vítimas de um certo ceticismo. Devemos ter em mente que o que redimiu suas idéias não foi um abandono de um certo ceticismo, mas a coleção de novos indícios -- foram os próprios mecanismos científicos que entraram em ação. Haja vista que muitas outras idéias desacreditadas continuaram desacreditadas por não terem surgido esses indícios reveladores, como a transcomunicação, a existência do Ieti e de Nessie entre outras. E idéias antes aceitas como o flogisto, o éter, o calórico e demais entraram em desuso por causa de novos indícios.
Não pretendo ter a certeza, mas me parece que a idéia de Shermer sobre ceticismo seja mais parecida com isso. Não a pregação do excesso, que aí sim se confundiria com o dogmatismo, mas o combate à ausência ou à falta desse ceticismo, um certo "mas será que é assim mesmo?"
Na verdade esse é o "reparo" principal que faço ao excelente texto de Capozoli – ao enfatizar o combate do excesso, sem a contrapartida, pode ficar soando como a defesa da carência. Como uma analogia ilustrativa (espero que seja adequada): não se prega a abolição do sal (que é importante na medida certa) quando se combate o seu excesso. Mas essa interpretação radical pode ficar à solta e devemos atentar para isso. (Julgo que seja mais ou menos o que ocorre nas dietas naturebas: total abolição de carne, aditivos químicos e que tais.) Poderia economizar todas essas linhas apenas dizendo: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Mas acho que já me basta a energia elétrica racionada. Espero que me perdoem por este luxo verborrágico a que me permito.
Roberto Takata
Gostei e detestei
Gostei muito do artigo do Ulisses Capozoli sobre o charlatanismo e os céticos. Mas, como cético, engenheiro e grafólogo que sou, detestei o artigo do Colluci sobre as "grafobesteiras", como ele classificou.
Cassiano Bessa , mestre em Engenharia
CNN
Incentivo à guerra
O site da rede CNN trouxe uma pérola nestes dias: uma enquete (quick vote) com a seguinte pergunta: "Onde deve ser o próximo campo de batalha na luta contra o terrorismo?" E lista quatro países!! (Iraque, Somália, Filipinas e Iêmen). Até essa sexta- feira, havia mais de 100 mil votos!! Incrível...
André Palhano
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