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NOVILÍNGUA DO JORNALISMO
Cultura de videoclipe
O artigo sobre o derrotado português dos coleguinhas está sen-sa-cio-nal. Uma coleção de "pérolas" para as quais ainda não tinha despertado. Lembro-me de ter notado as estranhas "formas de vida" no tal Globo Repórter, mas, como muitos em TV, descontei por tratar-se de um direto, uma narração feita no momento da captação, que a edição decidiu preservar. Enfim, sempre há uma desculpa. Mas o fato é que não só o texto, mas a qualidade do raciocínio lógico dos jornalistas hodiernos está cada vez pior, a ponto de às vezes não se entender o que se lê ou se ouve – sem falar na muleta do "acontece" e noutras.
As considerações sobre as causas estão muito, muito pertinentes, eu diria exatas mesmo (Folha, manuais, educação, desgoverno, leitura, família etc...). Pensadas e reveladas as causas, resta agora pensar nas conseqüências... já que jornais são, cada vez mais, tratados como material pedagógico, e lê-los (e o próprio ato de ler) torna-se sinal de erudição na nossa cultura de videoclipe. Pois não tem gente que vai assistir a A sociedade do anel e protesta ao saber que a história, uma trilogia, continua? Nem as resenhas dos filmes foram capazes de ler...
É que os coleguinhas, hoje (e eu não sou tão antigo, caminho para apenas 20 anos de profissão, o que em histórias não é nada), só estão preocupados em se desempenhar bem no show, em fazer na telinha as caras e bocas que se espera deles, em vencer a avaliação de desempenho diária nas redações, no mínimo em sobreviver.
Angelo de Souza , Belém
Pequena correção
Só uma pequena correção na matéria "A novilíngua do jornalismo pós-moderno". O nome O Estado de S. Paulo é grafado com o "P" separando do "S.", e não junto, como constou no texto. Isso só acontece com a Folha de S.Paulo.
Mas tirando esse detalhe, simplesmente adorei tudo o que foi dito. Meus parabéns!
Andre de Abreu
Equívoco grosseiro
Concordo com os leitores que escreveram para o Observatório da Imprensa dizendo que o texto de Marinilda Carvalho ("Novilíngua do Jornalismo pós-moderno") deveria ser usado em sala de aula. Mas por motivo diferente: para mostrar como mesmo veículos que se dizem guardiões do bom jornalismo se equivocam grosseiramente ao tratar de linguagem. Ao contrário do que deixa transparecer o texto de Marinilda, língua não é sinônimo de gramática normativa, e mudanças no desenvolvimento da língua não são sinônimo de império da ignorância.
"Carnificina do português": demonstra ignorância (no sentido de não levar em conta, espero) sobre a distinção entre "português" e norma gramatical – uma diferença estabelecida já há coisa de um século. Esse equívoco, acredito, contamina e compromete quase o texto todo.
Questões de estilo – e algumas de fato me incomodam, mas não mais do que isso – são tomadas como índice de ignorância. A rigor, não há nada de essencialmente condenável, do ponto de vista lingüístico, em usar "o mesmo" como substituto de um pronome – e algo semelhante poderia ser dito acerca de "enviar para", "irá escrever", "comentar sobre" etc. Sobre esse último, algo espantoso: "Falar sobre, portanto, tudo bem. Mas comentar sobre não existe". Não existe? Ao afirmar isso, você (permita-me) age como um biólogo que, olhando um inseto e não o encontrando em seu manual, afirmasse: "Esse inseto não existe". "Comentar sobre" pode não ser abonado pela norma gramatical, mas é dito nas ruas e na TV e às vezes escrito nos jornais – portanto existe. Abraços,
Gabriela Vieira , Campinas, SP
Tão maltratada
Parabéns pelas excelentes considerações sobre nossa língua portuguesa, tão maltratada por muitos coleguinhas. Obrigado também pela contribuição valiosa que dá aos estudantes de Jornalismo.
César Espíndola , estudante de Jornalismo, Fortaleza
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A novilíngua do jornalismo pós-moderno – M.C.
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