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Edição de Marinilda Carvalho

Serristas, lulistas, nenhuma das opções anteriores, muito pelo contrário, esta edição do Caderno do Leitor é a cara do segundo turno da eleição – e a cara do Observatório também: há cartas para todos os gostos, humores e pendores.

Quem lembra da ditadura vibra com o clima de democracia. Quem não lembra aproveita assim mesmo.

Divirtam-se!

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Imprensa em círculos

Considerações apropriadas, isso é o que posso dizer do texto "O pêndulo de Macunaíma". A decepção maior é na cobertura da TV, muitos anos de questionamento sobre um jornalismo tendencioso assustam o jornalismo televisivo quando o assunto é eleições. O que vemos em todos os canais de TV é um jornalismo amedrontado e sem personalidade, deixando de lado fatos, acontecimentos e verdades. A nossa imprensa está sem memória nessas eleições, não conseguiu se lembrar de nenhum candidato e seus mandatos anteriores. Quase, quase o Fernando Collor ganha nas Alagoas. Cheguei a imaginar a escalada do noticiário noturno, "Fernando Collor é o novo governador de Alagoas", eu já vi essa história . E a nossa imprensa? Anda em círculos, modernizando-se com estrangeirismos e esquecendo-se. De que mesmo?

Patrice Lima

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O pêndulo de Macunaíma – Alberto Dines

 

Falta análise qualitativa

Alexandre Martins escreveu no OI um artigo em que denuncia a imprensa por ter "escolhido seu voto". Como em outros artigos anteriores dele – e de outros articulistas –, mostra que a imprensa "dá mais cobertura" a Serra do que a Lula. No primeiro turno, artigo com argumento similar dizia que Lula e Serra passariam para o segundo turno porque eram os dois diletos da imprensa no que se referia ao espaço que lhes era dado. Ainda: esses artigos baseiam seus argumentos no uso de gráficos da quantidade de cobertura dada pela imprensa aos candidatos.

Argumento quantitativista. O princípio desse argumento é o de nossos Oliver Stones tupiniquins: tudo consiste em uma grande e terrível conspiração. O contra-argumento é simples, sensato, democrático, já foi sobejamente apresentado e os adeptos da denúncia da teoria da conspiração (como agora, Alexandre Martins) repetem suas teorias sem nunca responderem: a imprensa democrática tem por que (nem deve; esse realmente não pode ser o comportamento ideal da imprensa numa democracia) dar espaços iguais a todos os candidatos. Os espaços ocupados na imprensa devem variar conforme a capacidade de cada um de produzir notícia. Ninguém razoável poderia cobrar espaços, iguais aos de Garotinho, Gomes, Lula e Serra, para os candidatos José Maria e Rui Pimenta, do PSTU e do PCO.

Se uma candidatura não fornece notícias, o que a imprensa deve cobrir? Sua família? O boletim escolar dos filhos do candidato? O corte de cabelo dele? Em que lojas ele compra roupas? A marca do xampu que ele usa? Assim, tudo se passava como se, por conspiração (ou similar) contra Garotinho e Gomes, a imprensa desse mais espaço a Lula e Serra. Por conspiração (ou similar), agora a imprensa dá mais espaço a Serra do que a Lula. Ora, no primeiro turno, quando Gomes cresceu e chegou a ser o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, os ciristas não o atribuíam ao maior espaço dado a ele. E não foi mesmo. Ele cresceu, e só depois a imprensa passou a dar mais espaço a ele, porque, crescendo sua candidatura, ele passou a ser assunto de mais notícias.

Mais (e esse é o aspecto mais importante): quando passou a ocupar mais espaço na imprensa Gomes caiu nas pesquisas. A teoria da conspiração poderia agregar que isso era parte da conspiração. Mas Gomes caiu porque a imprensa cobria o que ele falava e defendia. Não foi por suposta conspiração em favor de outro candidato – conspiração da qual a imprensa faria parte – que Gomes chamou de burro quem afirmou que a Suíça tem presidente (quando, na verdade, tem presidente, sim). A imprensa até deu pouca cobertura a isso, não apontando adequadamente o erro de Gomes. Similarmente, não foi por suposta conspiração em favor de outro candidato que Gomes ofendeu as mulheres, restringindo "o papel" de sua "companheira" a dormir com ele. E não foi por suposta conspiração contra Gomes que ele depois disse que sua "companheira" dormia com ele, mas não no sentido sexual. (O que levou à grande questão: em que sentido ela dorme com ele?)?

Não, o mero uso de gráficos e estatísticas quantificando o espaço dado pela imprensa aos candidatos nada evidencia. A análise tem que ser qualitativa, não estritamente quantitativa. Assim como as análises estritas feitas pela imprensa das pesquisas de intenção de voto são uma restrição grave das coberturas jornalísticas. Há vários exemplos de análises qualitativas: as duas capas antagônicas produzidas pelo Globo na cobertura do último debate do primeiro turno (como mostrou o OI do dia 9/10). É qualitativa a consideração do empréstimo de US$ 800 milhões que o governo FH, via BNDES, fez à empresa de televisão por assinatura das Organizações Roberto Marinho. Entretanto, a quantidade de espaço não é prova de nada, como mostra o caso Gomes.

Pedro Eduardo Portilho de Nader

 

Alexandre Martins responde

Caro Pedro Eduardo, agradeço a atenção e as críticas a respeito da pesquisa do IBEC divulgada pelo Observatório da Imprensa. E gostaria de esclarecer o seguinte:

1. O IBEC, Instituto Brasileiro de Estudos de Comunicação, faz auditoria de imagem, ou seja, nossa especialidade é verificar com está a imagem pública de instituições, empresas etc, a partir de uma avaliação qualitativa sobre tudo o que foi publicado pela imprensa a respeito do cliente. Nós extraímos os conteúdos, lemos, medimos e dizemos ao cliente se a imagem pública dele na mídia está predominantemente positiva ou negativa;

2. Levamos em consideração em que jornal a informação foi publicada, em que página, se foi uma notícia ilustrada com foto – se essa foto é cor ou PB – e sobre que assuntos essas informações diziam respeito. Para cada consideração atribuímos pontos diferenciados, portanto, o que mais fazemos são análises qualitativas;

3. Concordo com o senhor que tiveram mais espaço nos jornais e revistas as assessorias dos candidatos que trabalharam melhor, seja criando fatos ou colocando o candidato em contato permanente com os principais veículos da mídia impressa. Tanto é verdade que a nossa auditoria constatou quem trabalhou melhor: logicamente foi quem conquistou mais espaço;

4. O objetivo do IBEC em realizar pesquisa "Eleições 2002", porém, tinha um outro interesse. Fizemos um exercício a partir de uma teoria de comunicação, não só para constatar que os conteúdos da mídia impressa são os principais formadores de opinião pública – o que é mais do que comprovado –, mas para responder uma limitação dessa teoria, chamada Agenda Setting, e saber em quanto tempo os conteúdos dos noticiários passam, de fato, a influenciar a opinião pública.

5. O site do IBEC (www.ibec.com.br), onde se encontra a pesquisa completa, diz o seguinte: "Segundo Alexandre Martins, diretor de pesquisas do IBEC, ‘os altos índices de equanimidade exibidos pelos veículos demonstram que a cobertura da imprensa sobre a campanha eleitoral se colocou em um patamar expressivo sob a ótica da isenção e do equilíbrio’".

6. Não há, nunca houve e jamais haverá qualquer tipo de análise por parte do IBEC que diga respeito sobre as intenções dos veículos de comunicação, muito menos dizer, insinuar ou supor que houvesse uma grande conspiração em benefício de qualquer candidatura à presidência da República. Para nós vale o que está impresso, publicado e circulando.

Obrigado pela atenção. (A.M.)

 

Nome aos bois

Se a imprensa já escolheu seu candidato, como diz Alexandre Martins, é óbvio que perdeu a necessária isenção. Por que então este Observatório não dá nome aos bois, dizendo com todas as letras quais jornais, jornalistas e articulistas que já fizeram sua opção? Isto seria bem mais construtivo do que esconder tudo sob a genérica denominação de "imprensa"!

Gustavo Hermida

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A imprensa escolheu seu voto – Alexandre Martins

 

A "isenção" do Estadão

O trabalho do Observatório é de muita importância e já colhe frutos. Assistindo ao programa Roda Viva, de que o candidato José Serra participou recentemente, comentei com minha esposa: "Esse jornalista do Estadão só está levantando a bola para o Serra cortar!"

Num certo momento o tal jornalista serrista, cujo nome não sei, parou as discussões então entre Serra e o cientista político Novaes para fazer uma "emocionante" exortação daquilo que é o carro-chefe da campanha do Serra: a questão dos debates nas televisões. Naquele momento eu me virei novamente para minha esposa e disse: "Olhe só! O cara tá produzindo script para o programa do José Serra!" O engraçado é que a TV focou imediatamente o candidato que, diante dos fatos, até sorriu. Infelizmente, minhas conclusões não estavam erradas.

Logo no dia útil posterior lá estava a imagem filtrada dos indignados debatedores. Particularmente, sempre achei que Lula deveria ir a mais de um debate no segundo turno. Pelo menos na Band, até para não fortalecer a Globo. Mas o que é inacreditável é que o veículo Estadão, do qual o jornalista serrista faz parte, quando Fernando Henrique não ia aos debates, nas eleições em que concorreu, somente colocava o tema como "estratégia de campanha". Sei disso pois, como sempre fui defensor de debates, ficava indignado com a postura do Estadão, postura "chapa-branca" que, aliás, sempre me compeliu a acreditar bem menos nesse veículo de comunicação.

Dentre os jornais, elegi a Folha de S.Paulo como "mais ou menos isenta". Eu também acho que o PSDB e partidos aliados foram os governantes que tiveram o maior apoio político, institucional e até da mídia em toda a história da República. Fizeram a maioria política no Congresso.Alargaram sua influência nas instituições, seja por medidas provisórias, seja criando novos cargos, como o de "engavetador-geral da República", de "Líder do governo no STF" etc. E também a mídia, "encantada" com a fluência, sabedoria e cultura desses senhores, se intimidou, ou se aliou. A história e iniciativas como a do Observatório farão a devida análise desta fase de imenso poder do presidente que, afinal, não levou a muita coisa, pois pelo povo mesmo pouco fizeram.

Como já devem ter percebido, voto no Lula. Mas também acho que todos devem ter o direito de declarar seu voto e sofrer as conseqüências políticas dessa declaração. Inclusive a atriz Regina Duarte. O que eu abomino é que pessoas como aquele jornalista se invistam de "isenção" e sub-repticiamente favoreçam este ou aquele candidato. Acho até que aquele jornalista deveria comparecer a seus compromissos com o botton do Serra. Seria mais honesto. Tentei mandar esse e-mail a ele. Não consegui pois não sei seu nome.

José Arlindo de Oliveira Silva

 

Só não deu no Estadão

Alguém pode me explicar por que a notícia da resposta da Paloma Duarte ao programa do Serra, que utilizou o depoimento da Regina Duarte, não apareceu no site do Estadão <www.estadao.com.br>? Alguém também quer explicar o que o colunista do UOL Caio Túlio Costa quer dizer quando fala para não votar nem em Lula nem em Serra? O que devo fazer, já que não há mais solução para o país? Sair daqui? E quem não pode fazer isso porque não tem dinheiro nem para ir à praia? Sinceramente, este é o tipo de conselho que se espera de qualquer analfabeto político, não de um colunista de política...

Lair Martes Junior, São Paulo


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