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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Troca de salamaleques
É uma coisa sórdida a atitude de grande parte dos jornalistas, principalmente da TV, no seu afã de trabalhar, alguns sub-repticiamente, outros ostensivamente, pela candidatura Serra. Que coisa despudorada! Poucos escapam. Como o Lula está muitos pontos à frente do candidato oficial, nota-se por parte desses jornalistas um grande constrangimento. Afinal de contas, a vontade do povo é soberana e deve ser respeitada, mas, inconformados, alguns chegaram a dizer: "É, o Serra é o melhor candidato, mas...". Um outro disse: "Se fosse uma prova de títulos o Serra ganhava longe...". Para começar, não está provado que o Serra é melhor do que o Lula em coisa alguma. E título por título, todos esses governos desgraçados que nos infelicitaram tinham à frente pessoas que podiam ostentar vários títulos. Logo, para governar título não é credencial em que se deva depositar confiança.
Outra coisa absurda é ver a quantidade de "cientistas políticos" que aparecem nessas horas. E são sempre os mesmos. Cada um falando uma bobagem maior do que a outra. Alguns chegam a aparecer em vários canais na mesma semana. Há muito pouca controvérsia, muito pouco debate. O programa Roda Viva da segunda-feira retrasada foi simplesmente ridículo, com alguns colunistas amestrados (royalties para o Helio Fernandes) levantando a bola para Serra. A maioria dos programas é uma coisa que não cheira nem fede. Porque não colocam a Maria da Conceição Tavares para debater com o Malan ou o Armínio Fraga (se é que eles são machos de aceitar debater com ela). Onde anda o Paulo Nogueira Batista Jr.? Onde andam os jornalistas José Augusto Ribeiro, o Janio de Freitas, o Mino Carta, o Hélio Fernandes, o Mário Augusto Jakobskind? Pô!
A gente quer ver debate, troca de idéias, não essa bobagem que apresentam. Enquanto os entrevistadores ficam bancando o gentleman, trocando salamaleques com os entrevistados, o povo está passando fome, levando porrada de tudo quanto é lado, sem dinheiro, sem trabalho. Tudo bem que a imprensa é um negócio como um outro qualquer e há que se defender o interesse dos patrões, mas há que se lembrar também que quem muito se abaixa o traseiro aparece.
Qualquer Fernandinho Beira-Mar vale muito mais do que estes colunistas amestrados, covardes e safados. E o pior é eles ficam posando de vestais, dizendo-se indignados com a violência das grandes cidades. São uns farsantes! Com licença, senhores.
Alfredo Pereira dos Santos
Casoy em campanha
E-mail enviado ao Jornal da Record.
Sônia Pessoa, jornalista, Belo Horizonte
"Sinto muitíssimo que o Jornal da Record, ‘comandado por um dos jornalistas de maior credibilidade no país’ (como diz o site da Rede Record), tenha se transformado em palanque para campanha anti-Lula e anti-PT. Acabo de assistir, na edição de 16/10/2002, a um dos maiores espetáculos de parcialidade que a TV brasileira já produziu. Se tantos criticam a famosa edição que a Rede Globo fez, em 1989, do debate entre Collor e Lula, imaginem o quanto tantos outros vão criticar os comentários e opiniões de Boris Casoy, após uma série de matérias claramente contrárias ao candidato do PT. Interessante também seria mostrar as mazelas das prefeituras do PSDB e reportagens críticas à outra candidatura.
Coincidência ou não, o Jornal da Record privilegia a candidatura tucana e tenta depreciar a imagem de Lula. E o que dizer da edição em que José Aníbal tem direito a réplica na matéria após o depoimento de José Dirceu? E o José Serra, que segundo Boris Casoy não perdeu o ímpeto e o entusiasmo? O Jornal da Record foi um festival de matérias que poderiam ser veiculadas no horário eleitoral gratuito do PSDB."
Praga sobre a mídia
Vejo que a Veja finalmente decidiu optar por cumprir sua função e informar seus leitores sobre a verdade do que é o Partido dos Trabalhadores. Um pouco tarde, enfim, mas pelo menos se lembrou da razão de sua existência, informar, fazer reportagens verídicas e usar linguagem apoiada na verdade, e não nas pesquisas de qualidade (?), abusando das estatísticas e perdendo a qualidade em prol da quantidade.
Receio que seja tarde demais para mudar o quadro eleitoral, e espero que a lei do carma funcione inexorável com toda a imprensa, que se absteve de informar a realidade do quadro do Partido dos Trabalhadores, iludindo todos os eleitores, que terão de quebrar a cara para entender o que fizeram.
Que a censura maquiada de "participação da sociedade nos meios de comunicação" se abata sobre vocês quando Lula for presidente e toda a cambada de verdadeiros dinossauros tenha o poder nas mãos.
Oscar Quiroga, psicólogo
Pudores socioenólogos
Aviso aos navegantes: caso o Lula seja eleito, para não melindrar os pudores socioenólogos do Elio Gaspari, seus eleitores e colegas só poderão presenteá-lo com pinga do Cariri, junto com tremoços e iscas de fígado; os mais abonados poderão enviar a famosa Crying at the slope (Chora na Rampa), sugar cane liquor for export, legítima, safra 1989, ou Ypióca, ou mesmo Taming the mother-in-law (Amansa-sogra), acompanhada de cajuzinho e pão-com-molho inglês.
Caso seja o Serra, também de origem humilde, vale a gracinha de um Concha y Toro, genérico em promoção no Bar do Elias por R$ 14, em torno de US$ ___, (por favor, colocar a cotação de hoje). Un regalo, para lembrar os tempos do Chile.
Em ambos os casos, serão rifados os guardanapos e os fragmentos de palito usados na bebedeira, em benefício do Lar das Crianças Pobres de Urubuquaquá. Êta ferro!
Antonio Fernando Beraldo
Vinho abafado
O e-mail do Sr. Sergio Fonseca, referente à matéria do Gaspari e o vinho do Lula, diz o seguinte: "A quem interessou a publicação deste artigo? Certamente não foi ao Lula, aos seus eleitores nem mesmo à ala radical do PT. A hora é de união e mudança, e não de procurar fatos que possam causar distúrbios ao processo eleitoral; mudança não é o que ocorrerá com a eleição do candidato do governo".
Ou seja, segundo este senhor, qualquer notícia que prejudique o Lula deve ser abafada, independentemente de ser ou não verdadeira. Se ele mesmo admite que é um fato é porque não questiona a veracidade da notícia, e sim sua divulgação, e pelo uso do plural ("fatos") admite que deva haver outros. Mas, aos olhos do Sr. Sergio Fonseca, o projeto do PT certamente é mais importante do que qualquer verdade.
Como estes que escreveram contra o Gaspari se sentiriam se a mesma notícia dissesse respeito ao Serra?
Mauricio Dias
Bebida e bebedeira
A propósito dos excelentes artigos "Gaspari e o vinho do candidato", gostaria muito que o inigualável Observatório publicasse artigo do fabuloso jornalista Fausto Wolff, intitulado "Nós é que bebemos e eles que ficam tontos!", publicado no último Pasquim (15/10/02).
José Rosa Filho, Brasília
Nota do OI: Infelizmente, os textos do Pasquim21 ainda não estão na internet.
Leia também
Gaspari e o vinho do candidato – Caderno do Leitor
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