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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
A rainha e a pomba
Creio que o maior problema da aparição da Regina Duarte na TV é que ela misturou a cidadã com a interpretação artística. A pessoa Regina Duarte pode e deve – se quiser e quando quiser – assumir qualquer posição política, mas ao assumi-la deve fazê-lo como pessoa natural, física, sem usar recursos dramáticos, exagerados e piegas de personagem de novela global ou mexicana. O que ficou e soou muito mal foi que ela finge ser pessoa, quando é visível que ela não está ali como tal, mas sim como mera declamadora de um texto apelativo. Isso é o que creio estar errado!
O OI vem, há tempos – em relação às opiniões veiculadas na mídia – buscando mostrar que há meios legítimos de fazer jornalismo político, qualquer que seja a posição de quem o faz. Denuncia e revela também aos menos atentos os meios ilegítimos. Onde está a fronteira? Onde estão os limites? Bem, para mim o limite principal está no respeito ao público: cidadão, leitor, ouvinte, consumidor, usuário, eleitor, espectador etc. Explico melhor: se ao argumentar exponho uma meia verdade, quando a conheço mais completa, estarei desrespeitando o outro, pois o que pretendo obter nele é apenas o convencimento, anulando, propositadamente, sua capacidade de julgar com base nas mesmas informações que possuo. Faço isso talvez por perceber que com a informação completa seu julgamento, provavelmente, seria outro. Isso é farsa! Transformo o outro em coisa. Considero-o como coisa manipulável, e não alguém capaz que pode julgar livremente, mesmo contrariamente à minha opinião.
Esse é um importante limite ético no jornalismo político. Se quero convencer os demais, devo fazê-lo respeitando-os. Quem quer dos outros apenas adesão – servindo até uma adesão putativa baseada no engano proposital – não está tratando o próximo como um igual e, sejam quais forem os objetivos de tal política, eles já estão contaminados com vícios na nascente. Quem pratica política assim, seja de direita ou de esquerda, sejam stalinistas, leninistas, liberais, socialistas, trotskistas, centralistas-democráticos etc., serão vistos por mim como oportunistas, como desleais. Estarei posicionado sempre contra eles, contra a forma enganadora de exposição, ainda que eventualmente partilhe das mesmas opiniões. Não é tanto o que, é mais o como.
Paloma Duarte falou por todos que buscam uma vivência dentro da ética, dentro do respeito ao outro, principalmente, ao outro menos favorecido educacionalmente, que ainda confunde a pessoa do ator com o personagem que ele interpreta.
O medo e o desespero nunca foram bons conselheiros.
José Renato M. de Almeida, Salvador
Direito de falar, dever de ouvir
A mídia em sua maioria tem criticado a atitude dos que atacam o pronunciamento da cidadã, por acaso atriz, Regina Duarte. Concordo, qualquer pessoa tem o direito de emitir sua opinião sobre as eleições; também defendo este direito, mas não podemos parar o raciocínio neste ponto. A partir do momento em que alguém levanta de sua cadeira, entra na casa das pessoas, abre mão de sua intimidade eleitoral e a expõe a todo país tentando influenciar o voto de cada um ela deliberadamente também permite que seu posicionamento seja questionado por todos aqueles que assim o quiserem, pois ela, com sua atitude, tenta convencer outros de que sua opinião é correta.
Se os argumentos usados para este questionamento são, para alguns, errados, despropositados ou descabidos, os motivos que a levaram a se posicionar também podem ser considerados do mesmo modo por quem contesta. Se os ataques podem ser chamados de patrulhamento por alguns, a censura aos ataques beira o fascismo, pois procura impedir a livre expressão, neste caso só permitida a Regina. Que os partidário assumidos de Serra tenham esta atitude é natural, faz parte do jogo, mas a mídia deveria se resguardar.
De mais a mais, se opinião de artista ganhasse jogo Lula estaria disputando seu quarto mandato.
Marcos Spencer de Oliveira Maia, Salvador
Segundo turno e antidemocracia
Democracia pressupõe heterogeneidade, diversidade de idéias e liberdade de posicionamento. O imperativo dicotômico do segundo turno eleitoral, contudo, ignora o pressuposto democrático.
São três os pontos que gostaria de salientar. Primeiro, há que se ir votar, pela segunda vez em menos de um mês, o que, em si só, pela natureza compulsória do ato, já fere o que seria um exercício democrático pleno. Segundo, votar em candidatos com os quais não se estabelece necessariamente qualquer vínculo identitário, pior, contrariando as próprias inclinações, por vezes. O que seria um leal eleitor de Garotinho, crente fervoroso do populismo que ele sempre desfraldou como bandeira em sua meteórica carreira, ter que escolher entre os antípodas – pero no mucho – Lula e Serra?!
Terceiro, o impacto da anunciada e referendada vitória lulista na definição de voto dos eleitores de orientação contrária. Certamente que, pelo medo do isolamento, relembrando a teoria da espiral do silêncio, muitos percorrerão o caminho oposto ao que ordinariamente trilhariam, optando pelo voto no PT. Afinal, o quão democrático é nosso processo eleitoral democrático?
Flávia Gouveia, 21 anos, estudante de Jornalismo na UFBA e eleitora de Lula e do PT
Informação e propaganda
Por que os jornalistas não informam aos seus leitores que o candidato Luiz Inácio, que está na frente das pesquisas de intenção de votos, foi constituinte e não assinou a Constituição? Por que os leitores não são informados de que o candidato do PT ao governo de São Paulo, foi guerrilheiro no Araguaia? Os jornalistas não estão confundindo informação com propaganda?
Maria Gilka
Doentes e alienados
O Brasil é um grande inferno de editores e jornalistas mentirosos, ou algo pior? Conheço os dois extremos. Leio Alberto Dines e Olavo de Carvalho. A esquerda doentia e a direita alienada. Diante desses desencontros da Mídia, o que os senhores sugerem para leitura, aos leitores honrados do Brasil? Esta mensagem está sendo enviada aos dois potentados. Aguardo uma resposta.
Francisco Assis de Freitas, escritor não-convencional
O peso do voto
O que me deixa triste é que os adeptos da religião do PT sentem a democracia unilateralmente. Quem expressar seu apoio ao adversário não é sério? Todos os votos têm o mesmo peso!
José Priante
Propaganda eleitoral ou vale-tudo?
De extremo mau gosto a propaganda eleitoral do desesperado candidato governista Serra, na qual veicula jingle (numa mistura de bossa-nova e o famoso "Don’t cry for me Argentina") associado a imagens de protestos e panelaços de nossos vizinhos argentinos. Primeiro, acenando com o perigo da mudança (com a escolha de um candidato incompetente), ignora, como se todos os brasileiros também ignorassem, a história política recente da Argentina, e as conseqüentes mazelas causadas por corrupção política e má administração. Além de não mostrar quais eram as opções de escolha que tinha o povo platino. Subestima, assim, a inteligência do povo brasileiro – preconceito comum a nossa elite. Segundo, demonstra desrespeito e preconceito com nossos vizinhos. Desconsidera que a Argentina é um dos países parceiros no Mercosul, e atropela a boa educação das relações diplomáticas. Atitude típica de quem é capaz de qualquer coisa para atingir seus objetivos (mesmo ferindo princípios éticos ou quem sabe até os democráticos mais tarde).
Afonso Caramano
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