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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Tucanos competentes
Quando os tucanos abrem o bico para falar sobre a incompetência dos argentinos, eu penso logo no tão festejado acordo com o FMI, no tão injustificável aumento do risco Brasil e na tão bem-sucedida opção pelo modelo alfabetizador mexicano.
O MEC patrocina, há oito anos, um modelo alfabetizador concebido, no México, por uma psicóloga Argentina, que consiste em entregar livros aos analfabetos e deixar que eles formulem hipóteses, descubram os sons das letras e construam o próprio saber lingüístico.
Enquanto isso, o ensino do som das letras está consagrado no mundo, em 2002, como a forma mais eficaz para alfabetizar. É recomendação de governo em seis países: França, Portugal, Inglaterra, Estados Unidos, Finlândia, Chile e Itália. É um padrão de fato em outros cinco países: Cuba, Israel, Canadá, Austrália, Bélgica e Alemanha. É utilizado na maioria das escolas da Espanha.
Ascenso Furtado
Debates e credibilidades
Por um lado, o representante, agora no segundo turno, do "contra tudo o que está aí" (com alianças de primeira hora com políticos como Quércia, Sarney e os do PL e mais apoios de última hora de políticos como os coronéis do PFL e o representante do peronismo moreno tardio do Rio de Janeiro), pode ou não ter justificativas para não participar de debates na campanha do segundo turno. Mas alegar que não vai a debates agora alegando que FH, quando candidato, também não foi, certamente não é uma justificativa apropriada, nem uma desculpa razoável. Se o pretenso representante do "contra tudo o que está aí" desde já começa a repetir e imitar o suposto representante do "tudo o que está aí", o discurso mudancionista apresenta cedo um déficit de credibilidade. Abrindo um precedente para, no futuro, repetir e imitar em outros aspectos, sem admitir ser questionado, o presidente do "tudo que está aí" contra o qual ele concorre.
Por outro lado, também agora no segundo turno, no horário político da campanha presidencial tucana, o governador eleito de Minas Gerais disse, em cadeia nacional, que se o adversário se recusa a ir a debates por ser o favorito das pesquisas de intenções de voto, então este é covarde. Não cabe aqui analisar o conteúdo do discurso. No entanto, como durante a campanha do primeiro turno das eleições estaduais no estado de Minas o sujeito do discurso não foi visto participando dos debates pela simples razão de que era o líder das intenções de voto segundo as pesquisas, o uso daquele discurso na campanha indica, também aqui, um déficit de credibilidade. A não ser que o governador eleito de Minas Gerais emende o discurso dizendo que, ao chamar outrem de covarde por determinados motivos, não está se isentando de também o ser pelos mesmos motivos se procede ou procedeu de forma similar.
Já foi sugerido por diferentes comentadores que o publicitário da campanha presidencial tucana parece adepto do petismo ou pelo menos do lulismo. A campanha poderia ter usado o exemplo do governador de São Paulo – que, sendo situação, no primeiro turno enfrentou em debates 11 candidatos adversários que tinham em comum o tom fortemente hostil contra o atual governo do estado, e que, também, no segundo turno, não se furtou ao debate. Aos exemplos do governador de São Paulo, e igualmente do falecido seu antecessor – que reiteradamente se portaram briosamente ao enfrentarem democraticamente sucessivas situações que lhes eram desfavoráveis em diferentes debates, a ponto de reverterem essas situações sempre mantendo a fidalguia –, a campanha presidencial tucana preferiu o depoimento de um outro governador que proferiu contra o adversário atual palavras fortes que poderiam ser usadas inequivocamente contra ele próprio.
Por sua vez, como as coberturas jornalísticas adotam o "declaracionismo" – isto é, de se restringir a reproduzir as declarações de candidatos, políticos e personalidades afins – pretendendo assim uma suposta postura neutra, sem adotar, portanto, uma postura democraticamente esclarecedora, também a imprensa, nessas questões, participa, de maneira forte, do festival de parca credibilidade que assola o país.
Pedro Eduardo Portilho de Nader
Lula na TV francesa
Poucos viram, mas é bom que mais brasileiros fiquem sabendo: no dia 17, no canal TV5, a vitória iminente de Lula nas eleições presidenciais foi tema de um debate que reuniu, entre outros, um diretor do Instituto de Altos Estudos Latino-Americanos e o músico brasileiro Ricardo Vilas, que passou anos exilado em Paris. Todo um bloco do programa, que aborda os principais acontecimentos do mês no mundo, foi dedicado a analisar a provável eleição de Lula, a trajetória de crescimento do PT, sua performance nas eleições para o Congresso Nacional e as reais possibilidades de que o Brasil esteja vivendo o início de uma transformação.
É bom que mais brasileiros fiquem sabendo: muita gente desaconselha investimentos no país, mas há mais do que isso. Há também os que apostam que agora tem jeito. É como dizem os franceses: (L) u-la-lá!!
Elvira Maria Santos, jornalista, Belo Horizonte
O povo tomou "fartão"
O artigo é ótimo, sutil, a análise, contundente, e somente poderia ser lida num veículo isento como o Observatório. Na verdade, a Platinada deve tal postura de favoritismo ao governo FHC que nela injetou fartos recursos, quando recentemente esteve mal das pernas. Aquele "é dando que se recebe", velha prática, não só nos corredores do Congresso, mas também entre o governo central e seus acólitos. O JN é aquela coisa pasteurizada, gente bonita, educada, falando bem, ternos impecáveis, e fazendo a cabeça da turma, só que desta vez parece que o povo tomou mesmo fartão do candidato PhD em economia, bom moço, para abrir caminho para alguém que tem a cara do Brasil. Obrigada pelo esclarecimento.
Marta Metello Jacob, Rio de Janeiro
Exceções à regra
Aleluia. O professor Gilson Caroni Filho e o pesquisador Alexandre Martins salvaram o Observatório. Ao denunciar os verdadeiros rumos da mídia, acabaram com o discurso oficialista de vários críticos, o Sr. Alberto Dines à frente. Sei que essa carta não será publicada, mas vale a pena exaltar o que é bom. E aqueles dois são exceções à regra geral da mediocridade
Beatriz Avner Pimenta, estudante de Jornalismo
Estou salva
Sempre achei o Sr. Willian Bonner um cínico em pele de "bom moço". Mas, como não tenho visto muito televisão (quando começo a ver as armações me irrito e desligo), quando o elogiavam eu não podia contra-argumentar. Agora, estou salva de ouvir esses elogios calada, pelo artigo, bem contundente. Imensamente grata,
Eneida Melo
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A máscara da face – Gilson Caroni Filho
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