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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Preferência esclarecida

Meus parabéns ao professor Gilson, que muito claramente esclareceu a preferência da Globo pelo candidato oficial, a qual já podia ser vista desde os primeiros debates realizados na emissora. O Sr. Bonner, literalmente, mostrou (por motivo de força maior ou vontade própria) que atacar Lula e demais candidatos à oposição do candidato tucano era seu principal objetivo. Porém, creio que, desta vez, até a já "desclassificada" Globo perdeu também seu poder de manipulação. Ainda que Serra, um candidato totalmente despreparado e, popularmente falando, "sem sal e sem açúcar", seja apoiado pelas elites do nosso país ou, pelo menos, por grande parte delas, Lula será o vitorioso. Sei que talvez eu esteja escrevendo como se fosse de esquerda, talvez até seja, tamanha a minha admiração pelo candidato Lula e também pela adoração que tenho pelo meu país, por saber exatamente de todo seu potencial e pela indignação de vê-lo em situação täo deplorável. Em todos os aspectos.

Digo isso porque passei por muitos problemas no Brasil e estive perto de pessoas que passam por problemas diariamente e, analisando a situação, quase digo que a solução para tais problemas é algo bem distante e quase impossível. Porém, cruzar os braços ou continuar com os mesmos governantes é que é incabível para o momento.

Gostaria de salientar que realmente adorei a matéria e que infelizmente não posso escrever algo à altura. Portanto esta carta, e-mail, lembrete ou desabafo são só sinceras palavras de quem "ainda" está lutando para aprender, estudar e um dia... também poder escrever um artigo senão igual pelo menos à altura deste. Quero dizer também que estou muito longe do meu país agora, morando na Dinamarca, um país tão diferente do meu, muito melhor no sentido de distribuição de renda, renda per capita etc. Mas que não tem metade dos recursos que o nosso país possui. No entanto, um país tão pequeno consegue ter um governo, mesmo que matriarcal em alguns aspectos, digno, que faz desta nação um povo feliz que tem boa vida, boa educação etc.

Estou tentando aqui o que mesmo lutando não consegui aí: estudar. Comecei o curso de Relações Públicas na PUC-Campinas, mas meu salário não cobria as despesas da faculdade. Infelizmente meus pais também não podiam ajudar. Então, tive que tentar lutar eu mesma, sozinha e do meu jeito. Embora longe posso dizer que estou feliz.

Iêda Andersen

 

Poucos perceberam

Na esperança de que o Observatório da Imprensa continue se valendo de articulistas do calibre do professor Gilson Caroni Filho, gostaria que fizessem chegar a ele meus cumprimentos pelo artigo "A Globo mudou", em que foi de felicidade ímpar por tão bem criticar o que poucos perceberam. Infelizmente, ainda há muito o que mudar em nosso país, a começar pela mídia que, mesmo "travestida" de imparcial e isenta, não consegue livrar-se de velhos vícios e medos.

Ana Maria Brasiliense Holanda Cavalcante, Brasília

 

Globo com Lula

Causa espanto e perplexidade a obtusidade da análise do autor de "A Globo mudou", pois a conclusão que extraímos das atuais eleições é que todo o esforço de mídia da Globo foi em benefício da candidatura Lula, e nunca da candidatura Serra. Chegamos a enviar em bloco reclamação à emissora, ao Jornal da Globo, ao site do Serra e do PSDB pelas inserções de propaganda do Lula nos horários nobres, e nunca as do Serra, pelo tratamento dado ao Serra nas entrevistas do Jornal Nacional e Jornal da Globo feitos pela Ana Paula Padrão e pelos comentários e observações, todas engrossando e alimentando escandalosamente a "onda pró-Lula".

Acrescentem-se as pesquisas eleitorais feitas pelo Ibope e encomendadas pela Rede Globo, todas criando e induzindo, desde abril/02, o fato de que Lula já estava no segundo turno e que o que restava ao povo era decidir quem iria acompanhá-lo. Os comentaristas das pesquisas sempre enfatizaram e deram força enorme à onda pró-Lula desde as primeiras pesquisas do Ibope.

A visão mordaz só pode estar sendo criada a partir de análises facciosas e partidárias do seu autor, que deve ser um lulista fanático, capaz de enxergar em imagens superficiais (aquela do Lula adentrando no banheiro foi demais!) conclusões histéricas irreais e desprovidas de qualquer fundamento lógico e verdadeiro.

Para comprovar que a análise é facciosa temos o comentário de que também o Geraldo Alckmin foi beneficiado pela cobertura da Globo, o que é um verdadeiro absurdo, porque as TVs todas, inclusive a Globo, deram destaque exclusivamente à campanha presidencial, relegando para segundo plano a campanha nos estados, inclusive o carro- chefe, a locomotiva, que é São Paulo.

A campanha para os governos dos estados foi feita nos municípios, nos pólos regionais do estado, e Alckmin recebeu apoio de mais de dois terços dos prefeitos de São Paulo, e confirmou e ampliou esse apoio agora no segundo turno. Esse fato nunca mereceu destaque da Globo, que nas imagens do Lula sempre colocava o Genoíno na "garupa" do preferido nas pesquisas, inclusive dando também a outros segmentos petistas (Mercadante, Marta e outros) uma exposição mais que privilegiada.

A prolixa e às vezes quase ininteligível análise não merece destaque, porque pode confundir e não esclarecer o internauta, o que pedimos seja colocada opinião divergente em nome da credibilidade do Observatório. Saudações democráticas a todos,

Edward Wilson Martins, Jacareí, SP

 

Gilson Caroni Filho responde

O leitor deve ter alguma razão. Com ele comungam Olavo de Carvalho e os editoriais do Washington Times, do reverendo Moon. Assim, eu e o "companheiro" Bonner acabaremos desmascarados por pessoas tão perspicazes. Quem registra o destaque que a Globo, esta conhecida emissora de esquerda, dá a um Lula aflito em busca de um banheiro é Bernardo Kucinski. Isso está no artigo. Apenas endossamos a análise do brilhante articulista. Agora, aqui entre nós, a carta do Sr. Edward mostra bem que corrente política fica à procura de um banheiro ante a vitória da esquerda democrática. Melhor assim. Antes buscavam os quartéis. (G.C.F.)

Leia também

A máscara da face – Gilson Caroni Filho

 

A Globo e o "marketing social"

Muito oportunos os dois artigos da professora Sylvia Moretzsohn ("A cidadania segundo a Globo" e "A Globo e o discurso da concórdia"), que tocam em temas de grande relevância mas que não têm recebido a devida atenção. Ao questionar o modo pelo qual a principal emissora televisiva do país forja a criação de conceitos falsamente homogêneos de cidadania, a articulista aborda questões prementes para a vida sociopolítica no Brasil, pois diretamente relacionadas à formação da percepção e do quadro valorativo de amplos segmentos de público.

Repondo um tipo de questionamento que a ditadura do pensamento único – ora em derrocada – supunha enterrado, Sylvia Moretzsohn chama a atenção para a necessidade do debate sobre o papel a que Estado e sociedade estão condicionados a desempenhar segundo o modelo de cidadania e de iniciativas de "marketing social" da principal emissora do país.

O Observatório da Imprensa poderia vir a desempenhar um papel substantivo em tal debate, no qual, para o bem de uma democracia em bases efetivas, a necessidade de políticas culturais públicas para a área comunicacional deve ocupar um lugar central nas discussões.

Maurício de Medeiros Caleiro

 

O voto e o Vila Sésamo

Fiquei impressionado, assustado e preocupado com os dois últimos artigos escritos pela professora Sylvia Moretzsohn neste Observatório. Ocorre que fiquei sabendo pelos jornais que a Rede Globo pretende relançar proximamente o seriado infantil Vila Sésamo, e já começam a me assaltar dúvidas e receios do tipo: o que estará por detrás deste relançamento da emissora? Quais as reais intenções da poderosa emissora com esta produção? Que riscos estarão correndo meus netos ao assistirem a este programa? Na condição de incauto e inocente telespectador, ficarei aguardando ansioso a orientação da eminente professora para me prevenir e aos meus de mais este mal televisivo.

Paulo César da Rosa Romão, Florianópolis

 

Sylvia Moretzsohn responde

A eminente professora não pretende dar orientações a quem quer que seja. Apenas expõe suas análises, buscando uma fundamentação que sustente seus argumentos. Como tantos outros, escreve num espaço que está aberto ao confronto de idéias, capaz de estimular aqueles que desejam pensar, o que é definitivamente impossível para quem está (e, mais ainda, deseja ficar) ancorado no porto seguro das certezas inabaláveis. Mesmo assim, insiste em ir além das aparências e, por isso, ousa supor que nada é inocente. Nem mesmo seriados infantis, como o "educativo" Vila Sésamo – mas disso Armand Mattelart já deu conta num livrinho de quase 30 anos atrás, As multinacionais da cultura (Ed. Civilização Brasileira), ao tempo em que o programa fazia sucesso em seu percurso de estréia pela América Latina.

Leia também

A cidadania segundo a Globo – Sylvia Moretzsohn

A Globo e o discurso da concórdia – Sylvia Moretzsohn

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