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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Estabilidade surpreendente
Li no site do Observatório da Imprensa o artigo "No meio do caminho tinha uma queda", o qual expressa com clareza e propriedade aspectos cruciais da eleição informatizada. Acompanhei a parte inicial do desenrolar das apurações e pude perceber que os percentuais dos votos para Lula e Serra permaneceram estáveis durante todo o tempo, o que muito me surpreendeu. É de se notar que, diversamente, os percentuais de candidatos a governador variaram no decorrer das totalizações. De qualquer forma, como a probabilidade desta estabilidade ocorrer é pequena, deveria a imprensa se debruçar sobre a hipótese, o que, infelizmente, não aconteceu.
Marcelo Rodrigues
Fui um trouxa
Triste país em que vivemos, pois pessoas fazem-se bilionárias à custa de lágrimas, sangue e suor do povo brasileiro. Erro em eleição é brincadeira que resolveram nos impor, como já aconteceu nos Estados Unidos da América do Norte.
Deixei que me colocassem como mais um trouxa a acreditar que a vontade do povo foi soberana e a maior eleição do planeta havia sido verdadeira. E, mesmo meu candidato tendo ficado muito longe de concorrer ao cargo de presidente da República, considerei uma coisa normal. Parabéns aos que mostram ao mundo que se a política brasileira é um "lixo" as pessoas sérias não o são.
Mauricio P. Lomas
Assino embaixo
Assino embaixo de todo seu artigo, colega. E acrescento que, caso haja intenção de fraude, esta, se alguém usar a cabeça, não precisa ser generalizada, e pode ser feita em algumas regiões, e em algumas urnas, dificultando (ou impossibilitando) auditorias, que são por amostragem. Mas, já que estamos nesse assunto, o colega poderia me esclarecer se, no caso daquela votação no Congresso, que culminou com a saída(?) do ACM e do Arruda, será que leva tanto tempo para fazer um printjob de uma listagem de votação (no programa do painel eletrônico)?
Antonio Fernando Beraldo
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No meio do caminho tinha uma queda – Pedro Antonio Dourado de Rezende
Não-petistas venceram
As redes de TV, os jornais e as revistas semanais, até agora, não fizerem análise do fato eleitoral, que consiste na vitória em primeiro turno, ou a liderança na intenção de voto para o segundo turno, de não-petistas para o governo dos principais colégios eleitorais: MG, PE, SP, RJ, RS, PR, ES, SC, sem considerar BA, que é um caso à parte do coronelismo. Ficam apenas mostrando números frios dos institutos de pesquisa, sem atentar para seu real significado. Para retransmitir números não precisamos nem do jornalista: basta o registro de uma tela ou o texto impresso do jornal ou revista.
Adicionando pimenta ao molho, pergunto: a "cola" preconizada pelo TSE para o ato de votar não é o retorno do "voto de cabresto"?
José Barazal Alvarez
Foi de propósito
Prezado Claudio Julio Tognolli, permita-me discordar do teor de seu artigo. Talvez, antes de dizer que o candidato Enéas foi eleito com tamanha votação por falta de informação de seu eleitorado, você pudesse procurar seus eleitores (estou supondo que não o fez), e perguntar-lhes os motivos pelos quais o escolheram. Se Enéas tivesse se candidatado à Presidência talvez eu tivesse votado nele. Li alguns livros do Bautista Vidal, os argumentos dele são muito bons. Realmente, não concordo com a dissolução do Congresso, pelo simples motivo de que isso não é um desejo explícito do povo. Concordo que o Congresso é altamente corrupto, mas é a maioria da população que deve decidir o que fazer, e não um reduzido grupo. E não se vêem milhares de pessoas nas ruas pedindo o fechamento do Congresso, como se viu nas Diretas Já. Eu escolheria a mobilização e a conscientização popular, para que o povo exigisse exatamente o que propôs o repórter Olavo Cabral Ramos Filho, ou seja, expansão dos mecanismos de controle do Estado pelo conjunto da sociedade. Colheria os benefícios desta escolha, e assumiria o ônus de que essa solução é de longo prazo, longuíssimo aliás.
Mas, embora seja contra a dissolução do Congresso, a minha vontade de votar no Enéas para presidente era bastante grande. Por que se sou contra a dissolução, votaria no Enéas? Porque acredito que as idéias dele e do Bautista Vidal ajudariam a tirar o Brasil do fundo do poço, onde se encontra, e impulsionariam o desenvolvimento do Brasil. Com essa escolha, eu colheria os benefícios do desenvolvimento, e arcaria com o ônus de corrermos o risco de o Congresso ser dissolvido.
Você pode perfeitamente não concordar com a minha escolha, como vários não concordam (a maioria de eleitores que não votaram no Prona, por exemplo). Mas, assim como eu não posso negar o direito de escolha desses eleitores, ninguém pode me negar o direito a essa escolha. Nem tampouco atribuí-la a uma fictícia falta de informação sobre Enéas e Bautista Vidal.
Você diz que a mídia ajudou a elegê-lo ao não mostrar quem efetivamente era Enéas. Mas eu, que votaria nele, acho o contrário, que a mídia fez de propósito exatamente porque, ao conhecer suas idéias, mais pessoas poderiam fazer a mesma escolha que eu, arcando é claro com o risco de ver o Congresso dissolvido. Tanto é que a capa de uma das revistas mais conhecidas mostrava "dinossauros" com cabeças de políticos conhecidos que não foram eleitos; e na mesma capa, chamava o Enéas de "politicossauro".
Qual a lógica da associação, se Enéas, ao contrário dos outros, foi muito bem votado? Especulação minha: associá-lo aos políticos não-desejados. E compará-lo a Hitler é de um exagero sem tamanho. Hitler era expansionista, coisa que o Enéas não é. E Hitler era racista, coisa de que você jamais poderia acusar Bautista Vidal, a quem você chama de "alter ego" do Enéas. Basta ler seus livros. É claro que essa é apenas a minha opinião, e a dos que conheço que votariam ou votaram no Enéas.
Mas, de qualquer forma, acho muito precipitado afirmar que ele obteve alta votação porque os eleitores não tinham informação suficiente. Assim como é altamente especulativo compará-lo a Hitler. Cada um faz as suas escolhas, esperando os benefícios que acredita que virão, e ao mesmo tempo arcando com os custos decorrentes dessas escolhas. O papel da mídia é mostrar todas as idéias, permitindo aos defensores demonstrarem o que acreditam serem os prós, e aos opositores demonstrarem o que acreditam serem os contras. Sem demonização. Isso é democracia.
Eneida Melo
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O candidato que a mídia não quis ver – Claudio Julio Tognolli
Venezuela e "imprensa livre"
No golpe de 11 de abril, a "imprensa livre" da Venezuela festejou a queda de Chávez como "popular", e ignorou a reação em favor de um governo que tem apoio de 70% da população (os 70% mais pobres). Se bobear, a "imprensa livre" mandou bater nos "parcos chavistas"... Pois bem, a "imprensa livre" apoiou o golpe, que teve como primeira medida do "governo" de Carmona paralisar a exportação de petróleo a Cuba. Bem estranho, para um "movimento interno". Agora, tivemos uma "megamanifestação", com mais de 1 milhão (segundo a Reuters de 200 mil a 400 mil). Em quem se acredita: na "imprensa livre" venezuelana ou na "marxista imprensa européia"?
Na verdade, há um desespero da "imprensa livre" com a eleição de Lula. O fato é: Chile, Peru, Venezuela já têm governos de esquerda. O Brasil está a um fio. E a Argentina deve romper com os tradicionais partidos e ir à esquerda. Na Venezuela um coronel é presidente, no Peru, um índio, no Brasil será um torneiro mecânico. A burguesia e seus tentáculos na mídia vão ter que aturar...
Leandro Cardoso
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