|
OI EM QUESTÃO
Regionalização da mídia
Se a TVE gaúcha "censurou" ou "baniu" o OI talvez estivesse priorizando a regionalização da mídia, uma das duas principais bandeiras do recém-criado Conselho de Comunicação Social (CCS). A rádio FM Cultura, como escreveu Gilmar Antonio Crestani, leva ao ar o programa Mídia em Debate; a TVE, nosso canal 7, apresenta o programa Antena da Aldeia. Bons programas, produzidos por gente daqui.
A crítica de Alberto Dines a Gilmar Antonio Crestani foi injusta. Crestani, nos textos que li publicados no OI, aborda os verdadeiros problemas da mídia gaúcha. Os textos que escreve tão bem pautam-se pela verdade e revelam-no como um observador muito sagaz. Lamentável a forma deselegante como foi tratado – logo ele, um homem de coragem que ousa denunciar os abusos do coronelismo eletrônico gaúcho.
Cuidado, OI, para não perder de vista seus objetivos! Cordialmente,
Martinho Carlos Rost, Novo Hamburgo, RS
Desmandos da RBS
Não sei o que houve para tamanha discussão entre o colaborador Gilmar Antonio Crestani e a direção do OI, mas gostaria de expor o seguinte:
1) O colaborador era um dos únicos que colocavam os desmandos da RBS no Rio Grande do Sul. Eu sou gaúcho, estudante de Jornalismo e, portanto, sei que as coisas colocadas por ele eram de verdade.
2) O OI, em si, não premia a imprensa regionalizada do Sul do país, excetuando-se alguns casos. Sei disso porque leio semanalmente o site e pouco vejo, que não do Sr. Crestani, sobre a RBS. A maioria das matérias contempla Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo. Apesar de serem jornais "nacionais", as editorias destes não são exatamente direcionadas para o público gaúcho, mas sim para paulistas e cariocas.
3) Quem conheço Porto Alegre, ou o RS, sabe do crescente aumento de revolta contra os veículos parciais da RBS e afiliadas. Sabem que, fora destes meios, pouca coisa resiste. E nós, leitores do Sul, seremos obrigados a ler somente material monitorado de Folhas da vida?
Por fim, gostaria de saber aonde vai parar esta briga que, na minha opinião, é inválida, pois, no fundo, todos queremos apenas uma imprensa mais justa.
Rafael Limberger
Leia também
Críticas e preconceitos – Agnaldo Charoy Dias
A.D. responde
Sobre liberdade e credibilidade – Gilmar Antonio Crestani
A.D. responde
Sugestão de pauta: Observatório censurado na TVE gaúcha – A.D.
Dossiê Perfídia – Cartas
Censura na TVE gaúcha – Cartas
MP vs. TVE-RS: pela programação regional (ver item VIII)
OI na TV banido no Sul – Caderno do Leitor (rolar a página)
OI na TV não foi banido – Caderno do Leitor (rolar a página)
A.D. responde – Caderno do Leitor (rolar a página)
RIO ACUADO
O crime compensa
Quando o assunto predominante no Rio de Janeiro no dia 30 de setembro foi a paralisação da cidade, como o resultado volitivo da bandidagem, o grande questionamento proposto pela mídia foi se a ação dos bandidos tinha cunho político ou se era fruto de meros boatos, enquanto a realidade, que não assiste aos telenoticiários ou lê jornais, falou por si mesma: a sociedade carioca, em pânico, fechou o comércio, tirou os filhos de suas escolas e se recolheu a suas casas. Boato ou não, ação política ou não, o fato foi que o crime sitiou a cidade e não houve nada que o impedisse. A sociedade, não mais sensível às manchetes minimizadoras da mídia, partiu para a reação de um animal acuado diante de um perigo real, concretizado pela distribuição de folhetos, visitas e telefonemas ameaçadores. Boatos?
Enquanto os criminosos paralisavam e aterrorizavam a vida nas imediações das favelas por eles controladas estava tudo bem. O poder constituído, no entra-e-sai de governadores, optou pela ideologização do crime e a tratar o caso como conseqüência da "exclusão social" e da miséria, como se Fernando Beira-Mar e congêneres fossem "excluídos sociais" e favelado fosse miserável e vice-versa, idéias que constituem uma falácia. Assim sendo, as autoridades não fizeram absolutamente nada, em uma clara atitude de, rigorosa e voluntariamente, excluir essa parcela da população da abrangência de sua autoridade, seja motivada por corrupção, seja por pura incompetência ou medo (sic) e a da manter a segurança nas outras áreas da cidade em níveis precários e aparentes.
Enquanto isso, a mídia, irresponsável e inconseqüentemente, continuava com seu cacoete incontrolável de glamourizar o crime, referindo-se a Beira-Mar como "Fernandinho", a Celso da Vila Vintém como Celsinho etc. Isso mesmo, no diminutivo, como se eles fossem dóceis e inofensivos. As autoridades ditas competentes estabeleceram critérios para a ação da polícia conforme a orientação política de cada governante que passou pelo Palácio Guanabara, por mais que nossa governadora ex-favelada, ex-pobre e seu secretário intelectual de Segurança neguem ou tergiversem. Em vez de agir com os poderes conferidos por lei, o governo do estado ficou imobilizado e resolveu se travestir de vítima política do crime, relegando a segundo plano a ação pela segurança e a ordem social. Ação de cunho político?
Diante da ausência de ocorrências mais sérias, exceto por sete ônibus incendiados, fica a impressão de que os criminosos, mais organizados do que nunca, realizaram um ensaio para verificar o desempenho da coordenação de sua própria organização e de seu poder terrorista sobre a população, numa clara demonstração de que, quando for chegada a hora, eles estarão prontos para exercer sua "justiça social" e a reivindicar os seus próprios direitos humanos. E aí, salve-se quem puder...
Robson Caetano
Esquema terrorista
O "esquema" terrorista se repetiu após os acontecimentos da noite do dia 16, quarta-feira, para o dia 17 passado. Minha mulher assistiu ao jornal da manhã na TV Globo e, assim que acordei, me informou apavorada: "Os bandidos tomaram o Rio." Uma noite antes, na terça-feira, a Globo havia iniciado a apresentação da minissérie A cidade dos homens, e Regina Duarte se apresenta no programa do Serra amedrontada com o que pode ocorrer no futuro governo, que não seja continuidade do atual – o qual, como todos sabemos, provocou tudo isso.
José Renato M. de Almeida, Salvador
Leia também
O dia em que a farsa apareceu – Said Barbosa Dib
RELAÇÕES PÚBLICAS
Generalizações indevidas
Considero de extrema importância e de necessidade urgente as reivindicações pela democratização da mídia. Sou acadêmico do 4º semestre do curso de Comunicação Social – Relações Públicas da Universidade do Vale do Itajaí, em SC, e sou um entusiasta tanto dessa luta democrática e cidadã quanto pela essência do meu curso e do meu futuro profissional. Porém, como assíduo leitor do OI, não achei justo quando mencionada a atividade de "relações públicas" na matéria sobre a democratização da mídia. Ao leitor que se depara com o trecho "A democratização da mídia prioriza a diversidade no lugar da monotonia, o controle cidadão no lugar da escolha corporativa, o desenvolvimento cultural no lugar do lucro, e o discurso público no lugar das relações públicas", entende que Relações Públicas é o caminho oposto da tão almejada democracia nos meios de comunicação. Se esse era o objetivo do autor, penso que na verdade, esse não conhece a essência dessa atividade que, feita sob princípios éticos, atinge resultados eficientes e eficazes de forma a beneficiar tanto emissor quanto receptor das informações. A atividade de relações públicas vem sendo julgada há tempos pela sociedade e, inclusive pelos nossos colegas jornalistas, que vêem em alguns casos (que pertencem à minoria) uma projeção para todos aqueles que fazem das relações públicas o meio para humanizar e socializar o sistema caótico das atuais relações sociais. Acredito que a generalização – denotada no referido texto – é uma inverdade e não condiz com o real sentido dessa função.
Se assim fosse iríamos generalizar também as mais variadas atitudes antiéticas do jornalismo, da advocacia, da medicina brasileira que, com certeza, são maiores e mais alarmantes. Essa ignorância quanto ao termo relações públicas é um descrédito, tanto à atividade de relações públicas quanto aos conceituadíssimos trabalhos apresentados pelo OI.
Alberto Machado
Leia também
Um dia de educação, protesto e mudança – Fernanda Zanuzzi
ELOGIO DA INCERTEZA
Sempre brilhante
Parabéns ao sempre brilhante Nivaldo Manzano.
Silvio Peter
Leia também
Elogio da incerteza, ou como evitar as linhas retas para andar direito – Nivaldo T. Manzano
|
|