23/12/2003

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Edição de Marinilda Carvalho

O caso Joelmir Beting ainda mobiliza os leitores.

Isso não deixa de ser curioso. Afinal, é o mais antigo dos debates, tratado à exaustão pela literatura, pelo cinema, pela psicanálise. Mas a cada vez que deparamos com uma prova viva da mais antiga das verdades, a de que todo mundo tem seu preço, o choque é geral, esse espanto coletivo.

Mais curioso ainda é que do alto da montanha de dinheiro em que deve estar sentado agora Joelmir ainda tente se explicar. Ora, ele sabia exatamente o que estava fazendo. E certamente previu tal reação. Explicar o que, para quê?

Pode falar, Joelmir, mas daqui de baixo não dá pra ouvir bem... :-)

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CASO JOELMIR
Reclame do meu pai (2)

Luiz, você entendeu o teor da minha mensagem. Não é o conteúdo do texto. É a forma. Concordamos quanto à indiscutível discussão sobre propaganda. Ponto final. Mas você, por estes dias, tem acreditado demais no espírito natalino. Continuo perguntando se você sabe qual jornal de São Paulo "paga" colunistas por intermédio de anunciantes trazidos por eles próprios.

E foi mesmo lamentável demitir Juca Kfouri por ele se recusar a fazer merchandising. Tão triste quanto lincar o mau faturamento do programa à má audiência. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas foi usada pela cúpula da emissora.

E, pelo lido, Luiz, pelo seu último texto, não existem empresas éticas além de O Globo e o Estado de S. Paulo.

Estamos perdidos.

Mauro Beting

 

Luiz Antonio Magalhães responde (2)

Mauro Beting deve ter lido afobadamente o meu último texto. Dele não se depreende que Estadão e Globo sejam os únicos veículos éticos do país, mas tão-somente que agiram eticamente ao decidir pela não-publicação da coluna de Joelmir Beting após a sua decisão de fazer propaganda de um fundo do Bradesco.

Quanto ao comentário sobre Juca Kfouri, só tenho a lamentar que Mauro Beting tenha aproveitado o espaço para deixar no ar uma insinuação tão rasteira.

Talvez, caro colega, o ibope de gente que se dedica apenas ao jornalismo esportivo seja realmente menor do que o dos que aceitam acumular as funções de garoto-propaganda, apresentador, comediante e, se o tempo sobrar, jornalista – de preferência acompanhado por alguma jovem beldade da hora.

Da minha parte, continuo achando que o afastamento de um jornalista do gabarito de Juca Kfouri é uma perda enorme para a Rede TV!. Ainda mais tendo em vista a adoção dos abomináveis comerciais no programa. Comerciais podem até podem trazer mais recursos, mas a credibilidade do "produto" certamente será afetada. Quem aprecia jornalismo sério já mudou de canal. (L.A.M.)

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Reclame do meu pai – Caderno do Leitor

Luiz Antonio Magalhães responde – Caderno do Leitor

 

E a Fátima Bernardes?

Por que ninguém implica com a Fátima Bernardes quando ela é fotografada para as capas de revistas da Abril? Tudo bem que capas pagam pouco, mas não deixa de ser publicidade para vender um produto: as revistas femininas. Por que ninguém despediu a Érica Palomino quando fez anúncio para um lançamento imobiliário em São Paulo? Acho que não é só publicidade que envolve o caso de Joelmir Beting. Sinto cheiro e vejo outras motivações além da malhação do Judas.

Claudia Zardo

 

Exemplos distantes

Caro Alberto Dines, entendi sua argumentação sobre o caso Joelmir Beting, porém creio que os exemplos que você fornece sobre jornalistas do Grupo Estado e outros que fazem publicidade não foram os mais felizes. E por quê? Simplesmente porque os produtos que anunciam não têm relação com o tipo de noticiário que veiculam (informática e empreendimentos imobiliários só podem muito forçosamente ser relacionados com climatologia e serviço sobre tráfego urbano). E é aí que eu vejo a impropriedade: Joelmir Beting está vendendo um produto de uma empresa com a qual espera-se que ele tenha um relacionamento de crítica constante, já que se trata de uma empresa do mercado financeiro, e ele é um jornalista de economia. Já os outros dois jornalistas não criam este tipo de conflito, a meu ver.

Não sendo, assim, possível apontar contradição na direção do Grupo Estado. E no caso de Hermano Henning não vejo como a TV Globo poderia ter qualquer tipo de iniciativa. Explico: considero extrema e desnecessária a punição dada ao Joelmir Beting, não podendo, portanto concordar com qualquer tipo de intromissão no caso de Hermano Henning, que é muito mais "lateral", digamos assim.

Renato Perez de Castro, São Paulo

 

Precisamos ser mais sérios

Considero Joelmir Beting um grande jornalista, digno de muito respeito. Gostaria de saber se é mesmo autodidata, como dizem. O que aconteceu realmente com ele? Não tenho o visto em nenhum canal.

Hermano Henning faz propaganda para o BMG, assim como a Marília Gabriela fez para o Unibanco. Penso que se há uma regra a ser seguida todos deviam segui-la. E mais: aqui no Brasil precisamos ser mais sérios quanto a leis, não quebrar regras a todo instante. Como citado no artigo – caso de licenciamento, como em Portugal, Espanha etc. – devíamos fazer como na maioria dos países desenvolvidos.

Ronaldo Márcio Lomeo

 

Fora da filosofia

Esse José Carlos Lobo Barbosa, professor de Filosofia, que escreveu o comentário "Joelmir não errou II", pode ser professor de tudo, menos de Filosofia. Só não disseram a ele.

Cicero Magalhães

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Joelmir não errou II – Caderno do leitor [rolar a página]

 

Questão fechada

Em "Como o diabo na roda", Luciano Martins Costa quase fecha a questão, se não a fecha. Está lançado na roda um dos mais importantes debates para os jornalistas, neste cenário cultural de flexibilidades e reducionismos de tudo. Muito mais importante, para a sociedade, do que o debate corporativista de precisão ou não de diploma, para o exercício do jornalismo. Espero que as discussões sobre este assunto prossigam neste nível. Está na hora de retomarmos a ética como fundamento principal do exercício profissional.

André Freire, jornalista e repórter fotográfico

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Justiceiros também pecam – Alberto Dines

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