PT vs. DISSIDENTES
Explique, por favor
O jornalista João Antônio poderia explicar melhor sua frase "Mostrar-se decepcionado com o fato de ter mudado (o PT) após conquistar o poder é, no caso de jornalistas, de um infantilismo constrangedor". Seria uma pregação de promessas de campanha não- cumpridas? Jornalista que acredita em discurso de político é infantil? E o simples eleitor, de outras profissões, também é criança que acredita em Papai Noel? Ministros da executiva do partido podem cabular reunião de votação, como fizeram Dona Marina e Seu Olívio? Os dois ficaram em cima do muro? Há regras, cartilhas, estatutos e "férrea disciplina" que punam estes faltosos?
Luiz Antonio de S. da Silveira
Sonho derruído
Concordo com as posições do articulista quanto ao vozerio beatificador fundado, essencialmente, na contradição entre o programa partidário que a senadora Heloisa Helena radicalmente sempre apoiou e o programa executado pelo governo que o PT encabeça. O que talvez não fique claro nesse particular é a inconformidade dos próprios colunistas com os rumos do governo em relação às suas próprias expectativas, vazada sob a máscara da combativa senadora, cujas posição em face do governo tão veementemente defendem.
Às vezes me pergunto, e concedo sinceramente o benefício da dúvida, se foi a senadora colhida por tamanha surpresa, tão grande choque, capaz de impossibilitar uma também radical decisão de desligamento do partido, antes de sua expulsão – aliás, termo (expulsão) que absolutamente abomino. Imagino-a ligada visceralmente a tudo o que fez e em que acreditou, de tal modo que é possível admitir a resoluta caminhada para o desfecho que se conheceu no penúltimo domingo. Uma incompatibilidade de tal ordem, em princípio, mesmo à custa de enorme sofrimento pessoal, pediria a iniciativa do desligamento, como o fez o deputado Fernando Gabeira. O que houve aqui? Maturidade deste e/ou pouco envolvimento com a história do partido, ou imaturidade daquela e/ou incapacidade de admitir o derruimento de seu sonho? Ou, ainda, uma estratégia pessoal, refletida, pensada, calcada em suas convicções, de atravessar os trâmites de modo a apreender e ao mesmo tempo explicitar as contradições e acertos implícitos nas decisões de atores e grupos?
Discordo do articulista quando escreve que a senadora é "emocionalmente lábil, ideologicamente defasada e partidariamente desagregadora", como se a concordância ou discordância disciplinada fosse a única saída. Há, sob os discursos da senadora Heloisa Helena, malgrado os equívocos a que todos estamos sujeitos em face de nossas limitações, claras e cruas referências a contradições históricas cristalinas, ainda que entre estas e a realidade vivida e praticada exista um abismo. Como exemplo, eu poderia citar uma de minha própria lavra, traduzindo ao rés do chão o significado objetivo de tanto palavrório: "Tens fome? Aqui está a comida". E no entanto...
Luiz Paulo Santana, Belo Horizonte
Muito emocional
Quer dizer que textos ácidos são só os dos outros? Quer dizer que equilíbrio é defender um lado só – mesmo que seja o outro lado? Por que tanto adjetivo, tanto de um lado como do outro? Pra quê? Esse texto é muito emocional e parcial.
Rose Nogueira, jornalista
Repto à honra!
A interferência do PT na mídia brasileira em geral, e em particular a presença de seus simpatizantes na TV Cultura de São Paulo, é maior do que a do antigo SNI na época da ditadura militar. Coloquem esse tema em debate no seu programa, se forem honestos.
Fernando Francisco Garaffa
Trabalhinho difícil, hein?
O programa me deixa fervendo, pra mim só vale fervendo. Não que os jornalistas precisem gritar, berrar, esse tipo de coisa, pra mim até que vale, o tom não me assusta como também não me tranqüiliza, mas as notícias sim, às vezes nem sei se saio correndo ou se fico tranqüila, mas quando assisto à Rede Globo não sinto nem uma coisa nem outra, mas quando leio a Folha de S.Paulo fico como fiquei ontem assistindo ao programa e ouvindo algumas opiniões, fervendo.
Ontem fiquei nesse estado também quando vi uma matéria na Rede Mulher, é a rede dos bispos (?), sobre um hotel, aquele mais caro de São Paulo, ou tem mais caro ainda?, onde a diária da suíte custa "6.500 dólares", sim, porque os outros quartos são mais baratinhos, mais em conta, quantos políticos será que já gastaram nossos reais pagando esse hotel em dólares? (não, sua burra, eles pagam em reais o valor em dólares, ah!); teve também um concurso onde a modelo escolhida ganhou "100 mil dólares". Dólar pra cá, dólar pra lá, vamos acreditar no Brasil, na economia do Brasil, no dinheiro real do Brasil.
Puxa, temos poucos problemas e muitas alegrias, pra que se preocupar, vamos ver os frios jornalistas darem as notícias. Sabe, não precisa mesmo que os jornalistas gritem, berrem, esse tipo de coisa, não é preciso que façam isso, podem ficar frios como disse o competente jornalista da Rede Globo, nós aqui não escapamos de jeito nenhum de tanta fervura.
Será que fui muito direta? Nada direta? Será que ser direta confunde? E ser indireta? Eu mesma não sei. Estou esperando algum conselho, e da mídia. Um abraço bem dado porque vocês merecem, trabalhinho difícil esse de vocês, hein?
Vera Aparecida Baraza
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