DIPLOMA DE JORNALISMO
Obrigatória deveria ser a ética
Gostaria de parabenizar Maurício Tuffani pela tão rica matéria referente ao assunto. Posso estar errado, mas parece tratar-se de mais uma disputa pelo cobiçado mercado de "associações" pelos seus "associados" e suas anuidades obrigatórias. E talvez por este motivo, e outros também, é que podemos reforçar que não basta apenas o diploma de Jornalismo. Existem muitos cursos desqualificados no Brasil e as universidades viraram verdadeiras indústrias de produtos sem garantia de perfeito funcionamento; além disso, em vez de brigar pela obrigatoriedade do diploma entidades ditas "sérias" deveriam brigar por algo mais útil à sociedade, que é mais ética e profissionalismo àqueles que praticam a profissão, sejam diplomados ou não.
Vimos uma avalanche de desrespeito ao público, com programas e materiais jornalísticos pobres, em que o sensacionalismo e a audiência estão acima da ética e da informação. É realmente lamentável, e "sindicalistas" deveriam utilizar seu tempo com assuntos mais úteis e que objetivem melhores resultados para um Brasil melhor e mais integro.
Luciano Silva, administrador
Contra o exemplo pontual
Apesar dos bons comentários contrários à obrigatoriedade do diploma, não concordo com a utilização de exemplos casuais e pontuais de jornalistas despreparados e que mesmo assim estão em pleno exercício da profissão.
É notório que há também profissionais do meio jurídico – advogados, magistrados etc. – que desconhecem a língua, a lei e até mesmo princípios éticos, e nem por isso servem de base para uma argumentação contrária à regulamentação do diploma.
Com relação à argumentação de que a lei proíbe a prática do exercício de jornalista, o autor demonstra – assim como a Fenaj – que utiliza sua interpretação a favor de sua argumentação. A lei não proíbe, mas regulamenta que apenas quem tiver diploma de curso superior na área de jornalismo poderá exercer a profissão, assim como médicos, advogados, engenheiros e contabilistas, por exemplo.
Apesar dessa posição, toda a discussão sobre o assunto é válida e a compreensão aprofundada do assunto é fundamental para o desenvolvimento da sociedade.
Marcio Flizikowski, coordenador de Comunicação Social da Faculdade Opet e professor da UFPR
Cuidemos da vida
É fácil utilizar de pensamentos semelhantes aos nossos e fatos que parecem combinar com o que queremos que os outros acreditem. Deixemos de coisa e cuidemos da vida, sem o meu diplominha, que não tive tempo nem dinheiro para ganhá-lo, vou tocando o barco e trabalhando.
Sou contra um país, seja ele qual for, ter leis velhas, criadas em meio à falta total de liberdade de expressão, que continuem vigorando. Sou contra um país, do tamanho e potencial do Brasil, ficar sendo um dos poucos do planeta a exigir um diploma e ao mesmo tempo tendo quase 20 mil formados por ano, sem se preocupar onde acomodar tanta gente, mas se preocupando ainda menos com quem já está no mercado de trabalho.
Que o colega tenha suas dúvidas contra alguns juízes, isso é normal, mas questionar uma decisão que é amplamente favorável a muitos pais de família – como eu – é tentativa de reserva de mercado e tapar o sol com a peneira (ou com a carteira).
Maurício P. Lomas, repórter da Central de Jornalismo da Unifenas
Para que complicar?
Sou jornalista de formação e achei interessante o comentário a respeito da questão da obrigatoriedade de diploma. Na minha opinião, o que deve haver nas redações é simplesmente uma certa coerência no papel de jornalista. É considerado jornalista aquele que escreve a título de colaborador, a respeito de assunto específico, por exemplo? Aquele que escreve periodicamente ou diariamente é, sim, jornalista com obrigação de ter certificado de curso superior. Mas, por outro lado, quem escreve casualmente ou realiza um trabalho de free-lance, a este não deve ser exigido diploma nenhum, principalmente se se tratar de autoridade em qualquer questão, como escritor, filósofo, técnico, cientista etc.
Para que complicar? Tudo é tão lógico, não sei para que precisam polemizar a respeito com tal insistência. Aqui na França qualquer pessoa que tenha curso superior pode ser engajado por uma empresa jornalística e escrever seus artigos. Mas para ser repórter, além da capacidade intelectual, o profissional deve concluir um curso que o habilite, porque todos sabemos que não adianta saber escrever bem, é preciso que se tenha o conhecimento de regras específicas e reconhecidas mundialmente.
Eliana C. Barroso, Estrasburgo, França
Leia também
Crônica de uma baixaria anunciada – Maurício Tuffani