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Edição de Marinilda Carvalho

Vinte e nove cartas sobre o papelão da nossa mídia na cobertura do golpe da Venezuela. Fora as mensagens que comentam o programa na TV de 16/4, que estão em Controle Remoto. A maioria, indignada.

Como a do leitor Walter Júnior, que esculhamba o site da CNN Brasil. Ele ficou tão revoltado que jogou na cara dos editores da página que lá nos EUA é que a mídia aceita sem questionamentos que um presidente suba ao poder sem maioria dos votos.

Sobrou para o OI também. O leitor Alexandre Sena se queixa de que não comentamos a cobertura do Correio Braziliense, que "deu um baile no Estadão, no JB, na Folha e na Rede Globo, informando com objetividade e visão crítica os acontecimentos".

Vamos torcer para que na próxima crise algum observador do DF comente a performance de seu jornal.

Por último, um leitor reclama da "ideologia" do OI. É preciso esclarecer que o Observatório não tem proprietário, e que apenas 20% dos textos publicados são escritos pela equipe editorial, na qual cada integrante tem sua "ideologia" particular; os 80% restantes dos artigos publicados são escritos por leitores-observadores. É esse mundão "ideológico" que nosso amigo critica, como se monolítico fosse.

Para contestar, para ver a sua própria "ideologia" em nossas páginas, bastar mandar o texto. A única condição é que trate de mídia. E que não defenda nazismo, racismo e pedofilia. Ficamos combinados assim? Abraço a todos, de todas as ideologias.

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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VENEZUELA, GOLPE E CONTRAGOLPE
O Correio deu banho

Como sempre, vocês não analisam a mídia fora do eixo Rio-SP. O Correio Braziliense tratou o caso da Venezuela explicitamente como golpe de Estado apoiado pelos EUA, e em nenhum momento embarcou na história da "renúncia de Chávez". Deu um baile no Estadão, no JB, na Folha e na Rede Globo, informando com objetividade e visão crítica os acontecimentos.

Alexandre Sena, Brasília

 

De Masi explica

A propósito da "cobertura" da grande imprensa dos recentes episódios na Venezuela, recomendo a leitura do artigo publicado na Sala de Prensa n° 32, junho/2001, Ano III, Vol. 2. Reproduzo abaixo trecho final do artigo, sobre Napoleão e a imprensa. Qualquer semelhança é mera coincidência...

José Alberto de Almeida

"Pecados e deveres da imprensa

Domenico De Masi

Uma última recomendação que farei aos jornalistas – e os jornalistas brasileiros são muito bons nisso – é valorizar extremamente o humor, a ironia. A ironia é a forma mais sutil e maior da inteligência. No Brasil, temos os grandes autores de humor. E para concluir com humor, mas lembrando o jornalismo, queria ler os títulos de um grande jornal francês, L' Humanité.

Títulos de 9 a 22 de março de 1815:

9 de março: ‘O tigre se mostra como se fosse um gato. As tropas estão avançando de todas as partes para parar a sua caminhada. Ele terminará a sua miserável aventura atrás das montanhas’.

12 de março, o título era: ‘O monstro avançou até Grenoble’.

13 de março, o título era: ‘O tirano está agora com os leões. O terror comove todos os seus companheiros’.

18 de março, o título era: ‘O usurpador está a avizinhar-se até 69 horas da capital’.

19 de março, era: ‘Bonaparte avança a etapas forçadas, mas é difícil que alcance Paris’.

20 de março, o título era: ‘Napoleão chegará até os muros de Paris’.

21 de março, o título era: ‘O imperador Napoleão em Fontainebleau’.

22 de março, o título era: ‘Ontem à noite, sua majestade, o Imperador, fez seu ingresso público e chegou às Tulherias. Nada pode superar a alegria universal’.(Domenico De Masi é professor da Universidade la Sapienza de Roma, autor dos livros Desenvolvimento sem trabalho, A emoção e a regra e O ócio criativo, editor da revista Next – Strumenti per l'innovazione <www.nextonline.it>. Transcrição da palestra com base na tradução de Mário Teran sobre a gravação original em italiano da fita cedida pela jornalista Ariadne Araújo, do O Povo, aos quais somos gratos. Esta es su primera colaboración para Sala de Prensa.)

 

Todas as verdades

A mídia, com poucas exceções, tem abortado a verdade das informações. A função da mídia é apresentar as notícias com todas as verdades, sem parcialidade. E, depois, leitores e telespectadores, de posse das informações imparciais, formem suas opiniões e ideologias.

João Tarantini, Matão, SP

 

Vendedores de coco

Do jornal O Globo apenas constatamos o óbvio, ou seja, colunistas com idéias pré- concebidas ou, pior, direcionadas por editores tanto quanto. A série [sobre a Venezuela] exibida anteriormente pelo Jornal Nacional já dava sinais de como eles ou o capital que os financia tentavam influir na população.

O melhor que eles fazem é curtir a Barra enquanto é tempo, porque a população já não é mais a mesma e profissionais que deveriam estar a serviço da informação vão virar vendedores de coco ou donos de quiosque.

Walter Guarufoto

 

Não acreditem em tudo

A imprensa tem que ser mais objetiva e menos tendenciosa. Por isso é importante não acreditar em tudo que ela tenta nos empurrar goela abaixo, pois no afã de produzir matérias exclusivas ou de nos manipular de acordo com seus interesses, os jornalistas colocam seus pontos de vista pessoais (ou do órgão para o qual trabalham), sem analisar o contexto histórico e real da questão. E nós, brasileiros, por não termos senso crítico e não sabermos analisar corretamente as notícias, contribuímos muito para que casos como este da Globo pipoquem por aí, com conseqüências ruins para o país.

Jose Agostinho Cavalcante


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