3/10

Envie para um amigo  Procure no arquivo

VENEZUELA, GOLPE E CONTRAGOLPE
Flagrados em traição

É importantíssimo que possamos contar com artigos como esse para facilitar nossa argumentação contra a falta de verdade nas coberturas jornalísticas. O caso de Chávez foi um dos mais escandalosos dos últimos tempos, porque a "poderosa" (quem era mesmo que falava assim?) nem se preocupou em disfarçar, como faz na maioria das vezes. Lembram que, no dia seguinte, falando sobre o assunto, o casal do Jornal Nacional parecia flagrado em traição?

Inês Prata

Leia também

Globo comemora a quartelada – Gilson Caroni Filho

 

Singelo editorial

Se há um jornalista no Brasil que admiro é o grande Alberto Dines. Mas, no caso específico, não posso concordar que não tenha ficado muito clara a indisfarçável satisfação da imprensa brasileira com o golpe na Venezuela. Não simplesmente por este episódio, mas por conta do conjunto da obra. Há muito que a nossa imprensa vem apresentando os fatos de acordo com as suas próprias vontades, fazendo enorme esforço para enxergar o que não existe e para não ver o óbvio. A chamada de Veja, por exemplo, "A queda do presidente fanfarrão", é, no mínimo, uma "barrigada" e prova que se a revista se dignou ao menos em fazer a cobertura o fez de forma absolutamente amadora, precipitando-se quando a situação reclamava cuidado.

Mas estou convencido de que a revista não teve intenção de fazer reportagem, e sim um singelo editorial. Sinceramente, há muito tempo que não consigo acreditar nas boas intenções de revistas como Veja, IstoÉ e outros panfletos (para resolver, acho que só análise de longa duração. Deve ser fobia a cara de pau). Aliás, da absoluta maioria dos veículos de comunicação no Brasil. Uma boa exceção tem sido uma razoável parcela da programação da Rede de TVs Educativas – Observatório à frente. Sou fã de carteirinha do programa. É verdade, sou um dos céticos.

Dilson Ruas Alves, jornalista, Vitória

 

Golpe não é remédio

Li no JB o artigo de Dines (13/4), onde faz uma simbiose entre a figura si(o)nistra de Sharon e Hugo Chávez, naquele dia, deposto. Pergunto ao ilustre articulista de tantas causas boas no passado e no presente (mas que agora pecou, pecou): quantas bombas Chávez mandou atirar sobre os adversários? Quantos tanques ele enfileirou sobre os inimigos? Quantas cidades adversárias invadiu? Maluco ou não, populista de esquerda (podia ser de direita, por que não? Houve tantos...), ele jamais fechou o Congresso e a Suprema Corte, como o fez seu "sucessor", imposto pelos tanques e com apoio não negado do poderio americano. O resultado se viu, né?

Em vez de lamentar um golpe militar praticado pela direita a imprensa preferiu detratar um governante ilegitimamente tirado do cargo. Se o cara não presta para ser presidente, as forças a ele opostas que busquem remédio no próprio sistema constitucional do país... Não me venham com golpes, e nem com apoio, ainda que mal-disfarçados, a golpes.

Jorge Ramos, Salvador

 

Simplória e enviesada

Prezado Dines, acho que a imprensa não pode ser culpada pelo fato de na Venezuela ter havido um golpe que foi revertido (até hoje) mais ou menos imediatamente. Ela pode ser criticada, no entanto, pelas posições simplórias ou ideologicamente enviesadas – digamos, por comemorar. Em seu Os generais e a guerra (Correio Popular, Campinas, SP, p. 3) de sábado, dia 13, por exemplo, o senhor "esqueceu" de condenar o golpe.

Independentemente da avaliação que faça de Chávez – um óbvio direito seu –, é estranho que, a pretexto de ele ser um militar de "meia-pataca", um jornalista de seu quilate – e com sua posição no OI – pareça aceitar um golpe, mesmo que seja pelo simples fato de não condená-lo.

Sírio Possenti

 

Falta ir ao local

Caro Alberto Dines, sou recém-formado em Jornalismo, mas exerço a profissão há pouco mais de dois anos. Um "foca". Ainda mais se comparado à sua experiência. Costumava acompanhá-lo pela televisão, mas, como você bem sabe, o trabalho nas redações me impede. Atualmente, não deixo de ler o site do OI. Gostaria de comentar o seu texto "Mídia conivente ou surpreendida?". Concordo com a sua idéia de que a história é mutante e que reviravoltas fazem parte do processo. Mas ao ler o texto, uma idéia me veio à cabeça: e o grande problema da falta de jornalistas brasileiros in loco para acompanhar os fatos com o olhar tupiniquim?

Foi quando li o parágrafo abaixo:

"A discussão mais importante não é essa. O episódio trouxe à baila a velha questão dos jornais brasileiros enclausurados nas redações incapazes de cobrir com o olhar brasileiro os acontecimentos que afetam a nossa vida. Esse é o problema que precisa ser encarado."

Dei importância a esse aspecto principalmente porque enfrento esse problema onde trabalho. Seria, caro Dines, a instabilidade econômica e a fragilidade das empresas de comunicação comprometendo a exercício de nossa profissão? Fica a questão para ser discutida por todos nós, jornalistas e empresários de comunicação. Uma indústria de pneus, por exemplo, que deixasse de investir em testes e pesquisas de seus produtos não poderia prejudicar o consumidor? E a imprensa, ao divulgar fatos mal-apurados por não estar presente ao local não estaria também, de certo modo, prejudicando seu leitor-consumidor? Parabéns pelo seu trabalho, e também pelos seus textos.

Arthur Caldeira

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe