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VENEZUELA, GOLPE E CONTRAGOLPE
Suspeitas confirmadas

Era evidente o fato de que Hugo Chávez, eleito pelo voto popular e com uma política direcionada para as camadas mais baixas, não era nem de longe o monstro que os meios de comunicação de massa, como os telejornais da Globo e a revista Veja, faziam questão de classificar.

A respeito das imagens veiculadas pelo noticiário da "massa popular" que protestava contra o presidente venezuelano, qualquer pessoa mais observadora notaria que se tratava da classe média e do empresariado descontente. A Veja, e também sua concorrente, IstoÉ, afirmou veementemente o alívio da população venezuelana com a queda do presidente, colocando Chávez lado a lado de Fidel Castro e Saddam Hussein. Além de irresponsabilidade jornalística, esses casos servem para confirmar o que muitos já suspeitavam, que tais revistas semanais de tiragem espetacular não têm compromisso algum com a imparcialidade ou a análise séria dos fatos.

Adriana Salerno Cruz e Odersides Almeida, estudantes de Jornalismo

 

O desserviço da Globo

A Globo mostrou claramente sua parcialidade, defendendo o lado dos golpistas. Mostrou claramente sua posição ao lado dos interesses dos Estados Unidos, do grande capital, lembrando claramente vários períodos da história do nosso país. Ou seja, a Globo não mudou nada. Quero aqui deixar claro que não defendo o presidente venezuelano, mas sim o processo democrático, e neste aspecto a Globo tem prestado um desserviço a nosso país.

Ariovaldo de Pádua Lemos, Ilha Solteira, SP

 

Neoliberalismo forever

Que o Sr. Roberto Marinho é o Rei do Brasil todos sabemos. Que ele escolhe quem herdará os direitos sobre uma capitania, também. Mas o que estava escondido para mim e passa a ser cada vez mais claro é a maneira como seus discípulos fazem com que, através de sua retórica, acreditemos que o melhor para o seu reino seja mais quatro anos de neoliberalismo.

Conforme Gilson Caroni Filho, recortar a realidade venezuelana, colocando em preponderância o ponto de vista antichavista, não foi mais do que campanha política, sedimentando a idéia de que pior do que o neoliberalismo só mesmo o nacionalismo, ou, em outras palavras: pior que Serra só o mesmo Lula.

Mas o que realmente me incomoda é que sou estudante de Jornalismo e, como tal, pretendo me inserir no mercado de trabalho brevemente. Até que ponto poderei dizer amém a meu editor sem que meus conceitos e ideologias formados na faculdade não sejam jogados no ralo? Até que ponto posso fazer valer os quatro anos de estudo intensivo sobre a realidade socioeconômica e política brasileira? Qual é o limite entre conceitos próprios e profissionalismo?

Algumas pessoas tentaram me explicar que o jornalismo é uma profissão enquadrada, não subjugada, mas como posso aplicar essa belíssima frase em meu cotidiano de estresse, de cobrança e de exigência de vendas? São algumas perguntas que penso que a maioria dos estudantes de Jornalismo faz quando assiste à famigerada televisão brasileira.

Leandro Nomura

 

Enterro da imprensa

Já podemos enterrar a imprensa mundial? Quando eu era estudante de História, costumava "confundir" imprensa com propaganda. Na verdade, via a segunda na primeira em tudo quanto era texto que encontrava pela frente. Anos mais tarde, fiz marketing (pós-graduação), e aprendi que propaganda é publicidade que fazemos de nós mesmos.

Mas o que fez a imprensa mundial neste último fim de semana? Não vou chover no molhado (os senhores têm muito mais dados sobre o desastre da mídia do que eu). Mas fato é fato, menos na mídia, onde publicou-se somente aquilo que se quis, o quanto se quis. Isso é certamente propaganda, mas jornalismo...

Como ficam CNN, BBC, tantas outras agências internacionais? Não vou perder meu tempo com Veja (é uma revista vagabunda, de mentalidade vagabunda). Mas confesso que fiquei um tanto triste com a Folha. Não foi capaz de noticiar o confinamento de um presidente eleito pelo voto. Quanto a EUA, FMI etc., também não vale a pena comentar.

Afinal, eles estão certos em seus pontos de vista, na defesa dos seus interesses. São sinceros, e isso nunca foi segredo para ninguém. Triste é o papel de uma imprensa ora vendida, ora perdida (segue a opinião da maioria, cozinha matérias etc...). Que esse episódio sirva de lição aos leitores, vítimas em potencial do gigantesco festival de desinformação (ou contra-informação, se preferirem) que é a imprensa (salvo raríssimas mas vitais exceções).

Eduardo Figueiredo, Três Lagoas, MS

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