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VENEZUELA, GOLPE E CONTRAGOLPE
Edição absurda
Envio-lhes cópia de e-mail encaminhado hoje (16/4) ao Jornal do Brasil, no qual faço referência a e-mail anterior que sofreu edição absurda daquele jornal. O principal ponto do meu texto era uma crítica a editorial do JB de 12/4, mas esta parte foi integralmente cortada na publicação. Note-se que na peça original havia críticas inclusive ao jornalista Alberto Dines, deste Observatório que, tenho certeza, não agiria da mesma forma. Pena que a figura do ombudsman não seja praxe na imprensa brasileira.
Aprigio Nogueira
Sr. Redator,
A edição de carta nesta seção se justifica quando o texto é muito grande ou se nele há ofensas. No segundo caso, é até melhor não publicá-las. Mas quando os cortes são para suprimir críticas ao próprio veículo que a recebe, configura-se execrável censura. Atitude, no entanto, coerente com o teor do editorial criticado por esse leitor.
Carta original enviada em 14/4
Os pseudodemocratas não mediram palavras para comemorar a tentativa de golpe na Venezuela. Seja lá o que for o governo de Chávez, ele foi eleito por ampla maioria de votos. Tudo o que conseguiu, ainda que em função de seu estilo populista, foi obtido pelo voto do povo venezuelano. Se é competente ou não é outro problema. Mas cometeu o enorme erro de enfrentar as oligarquias corruptas da Venezuela e aproximar-se de países como Cuba e Iraque. Isto é imperdoável para o pensamento único, principalmente para grande parte da imprensa tupiniquim. (Vários jornalistas de renome entraram nesta onda: Jabor, Dines, Kramer, Nunes, entre outros. Mas o editorial de 12/4 do JB é o que mais assusta. È emblemático no que tange à relatividade democrática: "A solução foi derrubar Chávez.. Os militares cederam ao remédio extremo... não havia alternativa... Chávez já não representa perigo." Tem razão, parece que o perigo continua sendo a maioria do povo venezuelano.
Povo que levou Hugo Chávez de volta a seu lugar legítimo, ainda
que com ele não se concorde.) Aprigio Nogueira
Ficou por isso mesmo
Gostaria de acrescentar aos textos sobre a Venezuela que na sexta-feira, logo após o golpe, a rede Globo, como não poderia deixar de ser, fez uma grande matéria comparando diretamente as crises de dezembro passado na Argentina, que provocaram a renúncia de Fernando de La Rúa, à situação da Venezuela. Exatamente como fez a Veja, só que com alcance muito maior, num país de analfabetos e regido pela televisão, como é o nosso. Nem com o contragolpe a Globo se deu ao trabalho de explicar novamente a situação. Fico indignada como espectadora com esta manipulação exagerada dos fatos, principalmente porque sei que poucos têm a oportunidade de estudar e perceber o que está por trás do que é exibido pelos telejornais.
Gabriela Di Bella
Refazendo a história
Como estudante de Jornalismo, adepto da busca pelo jornalismo crítico em resposta ao informativismo em que a mídia se encontra, fico extremamente decepcionado ao ver a cobertura que as grandes mídias brasileiras dão a um fato de tamanha importância como o que ocorreu na Venezuela. Esses oligopólios de informação estão tentando fazer com que as suas narrativas da história mundial substituam a verdadeira história mundial.
Creio que seja muito importante a tentativa de resistência a esse processo hegemônico de comunicação. Em nossas universidades – onde muitas vezes a estrutura do curso de Jornalismo está mergulhada em cadeiras práticas e somente informativas – devemos instigar cada vez mais o jornalismo reflexivo, as disciplinas reflexivas para podermos oferecer uma resistência forte a essas mídias que querem e muitas vezes conseguem mudar a verdadeira história de nossa sociedade.
Tiago Pereira,
estudante de Jornalismo da Unisinos, RS
Ausência de compromissos
A de Mário Augusto Jakobskind foi a melhor entre todas as análises que li sobre o "papelão" da grande mídia no golpe/contragolpe na Venezuela. E mostra muito que o compromisso com a verdade dos fatos, com a própria história que registram diariamente e com a defesa da democracia nem sempre está presente no trabalho de alguns jornalistas.
Jorge Ramos,
Salvador
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papel da mídia, um papelão – Mário
Augusto Jakobskind
Verdades à mostra
O artigo de Luiz Antônio Magalhães está excelente, mais uma vez vejo que parte da imprensa ainda procura mostrar a verdade.
O seguinte período do artigo parece equivocado, devido a notícias recentes: "Insinuou que a morte de Celso Daniel tinha relação com um suposto ‘escândalo’ de corrupção na prefeitura de Santo André, mas o prefeito foi vítima de bandidos comuns." Se foram bandidos comuns, por que razão as investigações do Ministério Público estão apontando três grupos de seqüestradores para seqüestrar uma única pessoa?
Eduardo Castro
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falastrona, cobertura beócia – Luiz Antonio
Magalhães
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