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ELEIÇÕES NA FRANÇA
Nem 8 nem 80
"Le Pen: de eterno terceiro colocado a ameaça de peso." Este foi o título de uma matéria veiculada pela CNN, e que, ao meu ver, supervaloriza a possibilidade de Le Pen ganhar o segundo turno para a presidência da França. O crescimento de Le Pen seria mais fruto da fragmentação da esquerda e do aumento da violência, tema clássica da direita. Embora a matéria da CNN não chegue a ser equivocada de todo, pode levar o leitor a juízo errôneo, a crer que o cerne da questão é o crescimento da direita. O New York Times limitou-se a citar uma "breve euforia da direita", subestimando, ao contrário, o crescimento iminente da direita.
Mais responsável que a CNN foi a matéria da Folha de S.Paulo intitulada "Socialistas tentam explicar resultados – Segurança pública e falta de união na esquerda são consideradas as causas do fracasso de Jospin."
Esta matéria traz a informação mais importante, ao meu ver, para que não se caia no erro da CNN, de supervalorização do peso de Le Pen: a de que a exclusão da esquerda de um segundo turno não é reflexo de uma votação maciça na direita, mas sim da alta fragmentação entre as esquerdas. Cerca de 40% dos votos foram divididos entre 7 partidos de esquerda.
O Jornal do Brasil declarou que "os próprios franceses estão chocados com os resultados do primeiro turno das eleições". Creio que seria mais útil que esta notícia servisse de motivo para a discussão do sistema eleitoral francês, e para nós, brasileiros, que estamos a poucos meses das eleições presidenciais, ainda mais com a verticalização das coligações e a fragmentação da nossa própria esquerda. Poderemos ter um efeito semelhante ao francês, porém em menor proporção (pela ausência da extrema-direita).
Phill Melon
ARGENTINA
Abram os olhos, brasileiros
Perfeito o artigo do Sr. Rodrigo Lazarte. Meu único comentário é para que os brasileiros enxerguem bem o que acontece lá. Deveríamos seguir o exemplo e lutar por expulsar políticos danosos. Temos também políticos ladrões demais, que só pensam na sua própria conveniência.
Alexandre Oliveira
FURO DO BOECHAT
RBS condenada
Deu no Informe JB de 16/4: A TV RBS foi condenada, em Porto Alegre, a indenizar em R$ 1 milhão o governo gaúcho. Ela foi acusada de ter feito um acordo com assaltantes de uma residência na cidade, há dois anos. Os bandidos só libertaram seus reféns depois da exibição do humorístico Sai de baixo, a fim de permitir ao telejornal da emissora cobrir o acontecimento ao vivo.
Gilmar Antonio Crestani
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Pícaros
ou malandros – Gilmar Antonio Crestani
TABU E CONSERVADORISMO
Ao jeito dos físicos
Concordo com o professor Gildo Magalhães: nossas universidades (e não só as nossas) precisam de bons cursos de História da Ciência. Por outro lado, temos, na USP, o curso do professor Gildo, e outros. É possível que o melhor lugar para esses cursos seja a Faculdade de Filosofia, e não os institutos especializados. A análise histórica, social e estrutural das teorias científicas é trabalho especializado. Os físicos têm uma outra especialização. Porém, em geral, gostam de ler bons trabalhos de crítica da ciência. Bons trabalhos.
A citação de Planck, feita pelo professor Gildo, é, a meu ver, desnecessária. Nada interessa mais a um bom pesquisador do que um fato experimental que derrube uma teoria, ao contrário do que possa parecer à imprensa. A sólida e incontestável detecção do movimento de um corpo com velocidade maior do que a da luz galvanizaria toda a física.
A rota preferida pelos físicos, porém, não é a da análise detalhada das teorias existentes, mas a extensão delas a novos fenômenos, procurando o "limite de ruptura". Hoje isto é feito buscando uma teoria quântica da gravitação. Uma vez obtida, é quase certo que a teoria da relatividade de nossos dias terá de ser modificada.
Este é o jeito dos físicos. Outros têm outros jeitos. O grande sucesso obtido no passado é a principal justificativa deste estilo de ação.
Quanto à frase citada, é de Santayana: "Quem não conhece a história está fadado a repetir todos os erros." Cordialmente,
Henrique Fleming,
Instituto de Física, USP
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Teoria
da relatividade e história da ciência
– Gildo Magalhães
Devemos ser receptivos
Gostei muito da matéria sobre tabu & conservadorismo. Sou professor
e também acho que devemos ser receptivos a novas teorias. Parabéns.
Francisco
Helio Barros
LÍNGUA MALTRATADA
"Benvindo" ao MEC
O Ministério da Cultura está distribuindo aos interessados, em cinco disquetes, um programa que ajuda pessoas em busca de patrocínios a fazer apresentação de projetos culturais. O problema é que logo o primeiro disquete apresenta um "benvindo", que é de doer os ossos! Se até os responsáveis pela cultura erram desse jeito, como cobrar do Zé-Povinho que fale e escreva direito?
César Oliveira,
Rio de Janeiro
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