DEMISSÕES NA MÍDIA
Vida ingrata
Belíssimo texto, excelente análise. Sou jornalista há seis meses, formada pela Unesp. Trabalho num jornal semanal em Lençóis Paulista e aceito (e faço milagres com) o salário que me pagam. Tenho amigos desempregados, o que me entristece muito. Vejo profissionais tarimbados procurando por emprego, o que me desespera. Vejo, ainda, outros "dando" uma de jornalistas, o que me irrita profundamente. Puxa, que quadro! Somente por amor, mesmo, é que tocamos essa vida ingrata que a realidade nos traz – de jornalistas.
Nádia Pontes
Por um dólar barato
O mais curioso é o apoio incondicional da mídia nos últimos oito anos a uma política econômica que arruinou as empresas brasileiras, como Arisco, Antarctica e as distribuidoras de energia elétrica. Esse apoio da imprensa está claro na reprodução da entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao sítio do PSDB, feita por jornalistas virtuais. No começo do ano, a mídia cobrava a adesão do governo Lula a esse ideário econômico que gerou um crescimento de 1,51% em 2001 e 1,52% em 2002 e, quem sabe, brilhante 1,8% neste ano. Detalhe: a população cresce a 2,2% ao ano. Resultado: a mídia sustenta uma política econômica que gera queda crônica de renda da população. Tudo em nome de uma racionalidade e do dólar barato para quitar os débitos.
Enio
A fronteira final
Já era previsível desde o boom do início do Real. Pensei que somente os bobos do andar de baixo tinham acreditado naquilo. Estava enganado. Para comparação: minha cidade, de interior e com 85 mil habitantes, num estado com 2 milhões, tem 4 emissoras de rádio e uma quinta no forno da Anatel. São, em média, 16 profissionais em cada. Como mantê-las com um setor empresarial que conta com pouco mais de 1.000 médias e pequenas empresas? Alguém vai quebrar. Todo o setor de serviços se encontra empanturrado de gente ganhando mal. A bolha da globalização espocou e, sem querer exagerar, até a própria civilização está em perigo.
Não há mais fronteiras a conquistar como ao fim da Idade Média. A mídia, parafraseando a Zélia (lembra?), é só mais um detalhe.
José de Almeida Bispo
Dor na própria carne
Não desejo aqui registrar uma critica aos comentários muito bem feitos e às opiniões sobre este assunto, mas sim salientar que as empresas que atuam com a informação não estão isentas de crise, pelo contrario, são as crises que farão com que elas se desenvolvam mais, criem alternativas para superar as dificuldades. Felizes das empresas e dos setores que deixam de receber benesses e se vêem obrigadas a procurar alternativas. Isso tem ocorrido em vários segmentos, e a mídia tão gentilmente registrado o fato com manchetes.
Vejo que chegou a vez de estampar estas mesmas manchetes com a cara das empresas, este e o tão chamado downsizing, reengenharia. E o melhor, na minha humilde maneira de ver esta tão sofrida questão, é que os poucos que ficarem terão uma das raras oportunidades em suas carreiras. Fazer mais do que fazia antes e fazer ainda melhor, este é o segredo, reduzir horários de almoço, levantar-se às vezes mais cedo, deitar-se mais tarde e sempre "fazendo mais do que fazia antes e fazendo melhor", e o mais importante, em troca do mesmo salário.
Isto aconteceu e continua acontecendo com as categorias dos bancários, dos metalúrgicos, dos comerciários, dos enfermeiros, dos trabalhadores do Brasil e do mundo, não poderia deixar de acontecer também com o Quarto Poder. Passarão os melhores!
Walter Osvaldo Webski Regis, estudante, Ponta Grossa, PR
Clareou tudo!
A Folha e o JB sempre foram, desde que cheguei ao Rio de Janeiro, em janeiro de 1970, meus jornais preferidos, assim como a Rádio JB (desde o tempo em que o Eliakim Araújo era só locutor). Coleciono artigos da Folha e de outros jornais (impressos ou eletrônicos) desde 1999 (quando comprei meu primeiro computador para uso doméstico) e a maioria desses arquivos são da Folha.
De uns três meses para cá, notei uma mudança um tanto quanto (não queria usar essa palavra mas não tem jeito) radical no comportamento e no estilo dos jornalistas da Folha, a que estava acostumado. Tenho artigos selecionados por jornalista. Ou seja: um arquivo de artigos da Folha com um sub-arquivo para Clóvis Rossi, um para Janio de Freitas, outro para Cony, para Eliane Cantanhêde, para o pessoal da Ciência, Marcelo Gleiser etc., José Simão etc. Claro, tenho um arquivo também para o Observatório, com sub-arquivos para Alberto Dines, Dioclécio Luz, Ulisses Capozolli, Ivo Lucchesi etc. Tenho outro para o nominimo do Marcos Sá Corrêa, com sub-arquivos para Villas-Bôas, Pedro Doria etc., e assim por diante, também para The New York Times, The Independent, The Economist, Time etc.
Gosto muito de ler e tenho uma obsessão por catalogação, que o computador caseiro transformou em mania. Gosto principalmente da notícia comentada. Ou seja, gosto de saber o nome de quem está me passando uma informação.
Fiquei embasbacado como, de repente, um grupo de jornalistas começou a escrever (até o Cony) como um estouro de boiada, de um jeito muito parecido, como se alguém tivesse entrado na redação da Folha e dito: "Atenção, agora é pra sentar o pau no Lula de qualquer jeito. Não interessa a opinião particular de cada um. Hay gobierno, soy contra..."
É incrível. Ficou tudo muito parecido. Não consigo mais dizer quem está escrevendo o quê... Só escapa o Cony, e mesmo assim tem dias que... O Villas-Bôas também está esculhambando o Lula, mas o estilo é incomparável. Qualquer coisa que ele escreve você sabe que foi ele quem escreveu. Carlos Chagas, Hélio Fernandes também. Na Folha embolou tudo e a coisa ficou meio rés-do-chão. Perderam a classe.
Achei que estava ficando desinformado ou sei lá o que até ontem, quando recebi o Boletim do Observatório com os artigos "Lula faz gols, mídia engole frangos", "A esperança foi assassinada", do Luciano Martins Costa, e o ensaio espetacular "A imprensa e a ‘interdição’ imaginada", de Paulo Roberto de Almeida.
Obrigado, muito obrigado mesmo. Clareou tudo.
Naaman Sousa de Figueiredo
O que fazer?
A análise do Sr. Dines sobre a situação da imprensa escrita é bem interessante. Considerando, porém, o quadro pintado de total falta de recursos no setor, minha única dúvida é: quais decisões os "homens de imprensa" poderiam, ou podem, tomar que sejam tão melhores que a dos "homens de empresa"? (Além, é claro, de dar um destino diferente às fotos de peladas presidenciais.)
Murilo Bussab, Empresa Folha da Manhã
Leia também
Lula faz gols, mídia engole frangos – Alberto Dines
A esperança foi assassinada – Luciano Martins Costa
A imprensa e a "interdição" imaginada – Paulo Roberto de Almeida