REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Reflexo da realidade
Este artigo reflete perfeitamente a realidade massacrante que vivemos hoje. Passamos mais de 30 anos sofrendo com arrocho, recessão e ditadura, depois mais outra década de Collor e FHC em que, se não havia mais ditadura política havia a econômica, a da corrupção e do entreguismo. Fui testemunha durante anos, como professora da UFRJ e médica do ex-Inamps, ralando enlouquecidamente mais de 12 horas diárias e andando de fusca, como os funcionários administrativos enriqueciam, ostentando carros de luxo e casas cada vez mais caras. Não só tinham tempo e conhecimento, este nos era sonegado pelos próprios funcionários impedindo que incorporássemos vários direitos legais, como insalubridade, para fazer crescer seus salários cada vez mais com acréscimos legais, e truques administrativos, como brigavam a sangue, e acontece até hoje, pelo cargo de diretor do Setor de Compras, de Material ou equivalente.
Isto nunca foi nem será investigado, porque durante décadas os "donos" dos hospitais públicos, políticos com currais eleitorais nas regiões dos hospitais e que atuam até hoje, indicavam as pessoas e mantinham um esquema de corrupção enorme que desviava fortunas incessantemente para seus bolsos. Hoje, contrariando toda a expectativa de justiça e clareza, temos uma caricatura do que foram esses péssimos governos, com as cooptações, arranjos e demagogia mais exacerbados que nunca, fazendo aliança com as representações do mais deletério que existe na sociedade brasileira; só falta colocar o Roberto Fiúza para algum ministério e a amante de um fulaninho do PT numa secretaria.
A mídia está desempenhando um triste papel, em relação à Previdência e a outras áreas, publicando as mentiras mais absurdas e omitindo dados, distorcendo totalmente a opinião pública. Não dá para saber se é para seguir a moda boçal que está imperando, se é para que sejam ocultadas suas dívidas milionárias com o INSS ou se estão a serviço dos bancos e seguradoras internacionais. O fato é que nunca aparece o dado básico de que o funcionário contribuiu com percentual maior que o empregado vinculado ao INSS, sem teto e sobre todo o salário.
O outro aspecto que não é mostrado é que no serviço público não há lavadeiras, bancários, comerciários ou empregados da lavoura, que predominam na massa segurada; predominam os funcionários de nível superior, com salários maiores, fazendo uma média salarial muito maior no serviço público que no privado. Basta verificar num hospital de grande porte, tipo o Universitário do Fundão (Rio), a enorme massa de professores, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, biólogos, farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, dentistas, químicos, engenheiros, psicólogos, administradores e outros que trabalham concentrados num único prédio. Para piorar, desde FHC a paridade constitucional dos aposentados com os ativos está quebrada através de mutretas de várias siglas, a título de "produtividade", de forma que os aposentados não tenham acesso a qualquer acréscimo salarial.
Silvia Levy, Rio de Janeiro
Servidor demonizado
Revistas, jornais e TV estão fazendo o jogo do governo, demonizando os servidores públicos, sofismando em cima dos sofismas do governo, adjetivando, fazendo juízos estereotipados e falseando a verdade por desinformação ou má fé mesmo, com prejuízo à isenção e à verdade.
A imprensa tem servido de combustível para o trator do governo que, numa passada só, quer jogar na vala comum trabalhadores comuns (sem qualificação) e trabalhadores altamente qualificados e com responsabilidades infinitamente maiores, como magistrados e integrantes do Ministério Público e outros. A Veja fez juízo de valor (generalizando) ao afirmar que os servidores custam caro e que estes se escoram em privilégios. Quais os critérios que usou para valorar?
** Privilégios [Do lat. privilegiu.] s. m. – Vantagem que se concede a alguém com exclusão de outrem e contra o direito comum;
** Direitos s m. – Aquilo que é justo, reto e conforme à lei.
Antonio de Jesus, Cascavel, PR
Choque e digestão
Pois é, o Ratinho está fazendo propaganda do governador Aécio Neves e ele, o Aécio, colocou na presidência do IPSEMG, o instituto de previdência dos funcionários do estado, uma dona Maria Coeli, que ganha 25 pratas por mês, só de aposentadoria. E mais 2 de pensão. E mais uns 15 pela presidência que ocupa. Ela é especialista em "choque de gestão", ou "choque e digestão", não sei bem. E ele pôs ela lá para cortar gastos. Pois é.
Humberto Crivellari
Blá-blá-blá governista
Infeliz todo o seu artigo, mas destaco essa medíocre passagem:
"No decorrer da ditadura militar as associações de docentes cumpriram um papel glorioso em favor da redemocratização. Pois que agora venham ao proscênio e lutem para que tamanhos desmandos sejam erradicados. De preferência, seria de bom-tom, em homenagem à transparência tantas vezes proclamada, que os nomes fossem publicados. Quem sabe, as diversas comunidades universitárias, em primeiro lugar, poderiam entender certos comportamentos ou omissões de colegas de campus de concentração. E o resto do Brasil entenderia mais claramente que a questão dos salários dos servidores públicos está muito mal-formulada."
Gostaria de informar ao senhor professor que as associações docentes continuam a desempenhar um importante papel em defesa da universidade. Os salários exorbitantes, que não são exclusividade das universidades, infelizmente, são fruto não do corporativismo da academia, pois só uns poucos privilegiados usufruem de tais salários (ser corporativo apenas para ser cúmplice sem ser beneficiário não é uma atitude racional). As comissões para cargos administrativos são criação dos governos, jamais foram objeto de luta do movimento docente em tempo algum.
Nota-se que o senhor nunca deve ter comparecido a uma assembléia, que nada sabe sobre movimento docente, repete pateticamente o velho blá-blá-blá governista tentando posar de moderado quando está apenas num conveniente muro. Saiba que os membros da administração são os que mais se mobilizam em favor do governo e das reformas, pra isso são capachos agraciados com comissões e outros penduricalhos. Lutamos por mais que salários, mas não vale a pena explicar para quem não ouve porque não quer, o senhor não é nenhum analfabeto, sabe perfeitamente de que lado está.
Wilma Pessoa, professora da rede pública estadual do RJ
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Os quinta-colunas e a luta dos servidores – Deonísio da Silva
Deonísio da Silva responde
Aos leitores que escreveram, antes de mais nada, meus agradecimentos pela atenção que deram ao comentário. Moveu-me a paixão do conhecimento e nada mais. Escrevo para compreender o mundo. E leio com o mesmo intuito. A Galáxia Gutenberg é para mim fonte de gostos nem sempre narráveis.
No caso da Reforma da Previdência, penso que o leitor não entendeu meu artigo ou eu não fui suficiente claro. Reitero, pois, que o administrativo está prevalecendo sobre a pesquisa e o ensino nas universidades federais. E provavelmente em outras públicas, comunitárias e privadas também. O pesquisador que passou a vida inteira pesquisando nas IFES, não ganhou um plus para isso. Quem ocupou cargos teve remuneração adicional, depois incorporada à aposentadoria. O trato não foi, pois, justo, bem a conversa, clara. (D. da S.)