PROVÃO
Inep esclarece
Prezado Victor Gentilli,
A respeito do seu artigo publicado no Observatório da
Imprensa, gostaria de prestar-lhe os seguintes esclarecimentos:
1) O Inep está empenhado
em realizar todas as Avaliações das Condições
de Ensino (ACE) pendentes;
2) A cobrança da taxa
para a realização da ACE foi estipulada, em 2002,
por meio de portaria ministerial, e tal medida foi suspensa pela
Justiça, desde meados do ano passado, para um grupo de instituições
filiadas a duas associações. Apesar desta situação,
no ano passado também não se previram, no orçamento
de 2003, recursos para a realização da ACE;
3) Em relação
a sua afirmação de que "não está
sendo colocado em prática o mutirão previsto para
avaliar os cursos de Jornalismo", o Inep está priorizando
os cursos com formandos neste semestre. Esperamos, assim, colocar
em dia um cronograma totalmente em atraso, decorrente dos problemas
orçamentários e legais não solucionados em
2002;
4) Ao contrário da afirmação
em seu texto de que "o MEC não tem apetite para enfrentar
a disputa judicial, agindo preguiçosamente", devo dizer
que, após sucessivas liminares, já há uma decisão
definitiva da Justiça. No momento, estamos empreendendo todos
os esforços para regularizar a aplicação da
ACE, em caráter de urgência, e tomando as medidas cabíveis
para regularizar a cobrança, ainda em 2003, e resolver o
problema em definitivo, para 2004;
5) As propostas de um novo
sistema de avaliação da educação superior
estão sendo discutidas por uma comissão nacional criada
pelo ministro Cristovam Buarque. A comissão, que em julho
promoverá audiências com diversos setores da sociedade
para debater o assunto, terá a finalidade de analisar, oferecer
subsídios, fazer recomendações, propor critérios
e estratégias para a reorientação e reformulação
dos processos e políticas de avaliação, e tem
prazo até fim de agosto para apresentar as conclusões
do trabalho.
Atenciosamente,
Otaviano Helene,
presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira
Victor Gentilli responde
Em sua carta, o presidente do Inep deixa de distinguir as Avaliações
das Condições de Ensino exigidas para reconhecimento
de cursos daquelas destinadas exclusivamente à avaliação.
Sua carta parece referir-se exclusivamente às primeiras.
São as "pendentes" do item 1, as "prioritárias"
do item 3 e as" urgentes" do item 4. O item 2 apresenta
uma informação nova e o 5 confirma meu texto. No artigo
em pauta, informo sobre um texto do autor da carta no sítio
do MEC que, no meu entender, permite supor que o Provão será
extinto. Esta minha avaliação não foi contestada.
De qualquer forma, o problema mais grave é que este assunto
esteja em discussão apenas neste Observatório.
Nada na imprensa.
Leia também
Discurso
para todos – Victor Gentilli
TV PÚBLICA
Em nome da "eficiência"
No plano político, Hoineff aponta com acerto o caminho para
as TVs públicas, de "mostrar o que o público
não sabe que existe". Restam as questões levantadas
desde o século passado no setor sobre os dilemas do gênero
governo x empresa privada. Um caso emblemático é o
da TVE do Rio de Janeiro, não mencionada pelo autor. Em nome
da "eficiência" ou coisa que o valha, dezenas de
bons profissionais, servidores públicos, foram alijados da
emissora por diversos meios, todos eles sem respaldo no interesse
público e de forma a responsabilizar o próprio servidor
por seu afastamento – uma expressão das fantasiosas teorizações
que nos impõe a filosofia (?) do "mercado".
Eduardo Ulup,
jornalista
Leia também
O
futuro das TVs públicas no Brasil – Nelson Hoineff
CASO BANESTADO
Contas CC-5 indescortináveis
O descaso da grande mídia sobre as contas CC-5 do Banestado,
que podem ter sido uma das maiores roubalheiras da história
do Brasil, está muito suspeito. Para não cometer injustiça
com a generalização, somente o Jornal da Record,
sob comando de Boris Casoy, é que está dando importância
ao caso. As outras emissoras se limitam a pequenas edições
e comentários tímidos e desdenhosos, quando o mencionam.
O que será que a grande mídia, despudoradamente, está
querendo esconder? Se a Rede Globo desse a este caso a metade da
ênfase dada ao Propinoduto e a Chiquinho da Mangueira já
estaria de bom tamanho. Chega-se à conclusão – e o
comportamento da mídia dá motivos para isso – de que
o caso Banestado não está sendo tratado com desdém:
estão querendo é esconder, mesmo. As pequenas e discretas
notícias sobre a matéria devem-se ao fato de que a
coisa está fervendo nos bastidores, e estas pequenas notas
são como "válvulas de alívio" para
atenuar a pressão de não estar completamente alheio.
Mas, na verdade, o que está se querendo é apagar
o fogo. Enquanto isto, assuntos de menor importância são
veiculados desmesuradamente para desviar a atenção.
Por que será? É por estas e outras que de vez em quando
alguém recorre à Justiça para impedir que notícias
injuriosas sejam publicadas a seu respeito. E o que vemos nestes
casos? Um coro bradando por "liberdade de imprensa". Esta
liberdade vilipendiada e usurpada, quando interesses escusos estão
sendo atendidos. É necessário que a "grande"
mídia reveja seus conceitos sobre "liberdade".
Paulo Roberto de Figueiredo
ASSESSORIAS DE IMPRENSA
Abúlico tesoura-press
De calhau em calhau, semana a semana, vendem-se (ou tenta-se vender)
revistas... O pior é que muitos dos jovens redatores, sem
o menor conhecimento científico – e não por culpa
deles, mas do embasamento formal ou informal que não tiveram
e da vista grossa de seus editores – continuam fazendo o velho e
abúlico tesoura-press. Assim, acolchoam retalhos enciclopédicos
e internéticos de questionável origem para leitores
de consultórios dentários, salões de beleza
e salas de embarque de aeroportos, que invariavelmente dão
aquela folheada com dedos umedecidos, fecham a revista sem ler até
o fim e acrescentam o longo bocejo pelo tédio da espera...
Moisés Mishel Levy,
professor universitário
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O
poder das assessorias – Cláudia Rodrigues