
FOLHA DE S.PAULO
Mais cultura, cara pálida
Lamentável o título da matéria publicada pela Folha Online do dia 17/4: "Pesquisa do IBGE aponta pobreza cultural no país". Segundo a matéria dá a entender, "cultura" se resumiria apenas e somente ao consumo de produtos como filmes em cinema, locação de vídeos, compra de CDs etc.
Não seria esta uma visão extremamente estreita do significado de cultura? Seriam realmente "culturalmente pobres" essas localidades brasileiras onde as pessoas não são "consumidoras" de produtos oferecidos no mercado? Conheço várias cidades minúsculas que têm manifestações culturais extremamente ricas e que deixam para trás muitas cidades maiores, mais ricas e, conseqüentemente mais consumidoras de "produtos culturais", em termos de riqueza cultural de todos os tipos: artesanato, folclore e música regional, por exemplo.
Chega dessa versão ridícula de "cultura" como "produto a ser consumido". Chega desse ranço neoliberalista!
José Brasil Silva
DIA SEM TV
Spam, ma non troppo
Venho registrar o que considero, no mínimo, uma imprecisão contida na reportagem de capa "Eu curto TV Trash" [caderno Folhateen da Folha de S.Paulo, 16/4/01, pág 6], assinada por Fernanda Mena. Acredito que seja útil para o debate da qualidade (ou falta de) dos textos da imprensa brasileira.
Transcrevo o trecho que me chamou a atenção:
"(...) Na última semana, circulou na internet brasileira um spam sobre a campanha TV Turnoff Week, levantada pela revista Adbusters, que pede a todos que deixem sua TV de lado na semana de 21 a 28 de abril. (...)"
Em primeiro lugar, pergunto: o que vem a ser a tal "internet brasileira"? Gostaria de saber como a reportagem conseguiu mapear esta tal "internet brasileira" e saber o que circulava nela. Em segundo lugar, assino a "newsletter" da revista Adbuster há mais de um ano e acredito que esta revista não pratique nenhuma forma de spam [e-mail não-solicitado]. Até pelo fato de esta revista ser do Canadá e não ser editada em português.
Recebi uma mensagem da campanha TV Turnoff Week, em inglês e uma única vez, simplesmente convidando a conhecer e participar da campanha no site <www.adbusters.org>. Não consigo ver o chamado spam que "circulou na internet brasileira", seja lá o que isso signifique.
José Nazareth Silva Júnior
Sharon palestino?
A manchete do Folha Online do dia 19/4 realmente chama a atenção: "Sharon prepara resposta a ataques israelenses." Quando li pensei que havia lido mal e reli. Estava correto. Poderia haver um homônimo palestino chamado Sharon? Duvidei. Poderia eu estar desatualizadíssimo sobre a guerra entre israelenses e palestinos? Talvez. Mas o que pude constatar, ao final de tudo, é que realmente a manchete se tratava de uma Gafe com "G" maiúsculo. Mais um caso de busca do imediatismo da notícia que não permite uma revisão decente das matérias publicadas.
No caso de uma manchete, pior ainda...
Onde se lê "Sharon prepara resposta a ataques israelenses" leia-se "Sharon prepara resposta a ataques palestinos".
José Brasil Silva
CASO PIMENTA
Ninguém sabe, ninguém viu
Meses atrás, um único assunto na mídia: "Redator-chefe de jornal assassina a namorada". Algum tempo depois, onde está o Pimenta Neves? Preso? Não, foi solto, você não sabia? Talvez você não saiba devido à enorme omissão, ou melhor, à pequeníssima divulgação na imprensa, a mesma imprensa que bombardeou nossas percepções visuais e auditivas com aquela manchete.
Sim, os advogados do réu foram espertos e manobraram sua libertação para o sábado, sabendo que a imprensa (principalmente a escrita) é deficiente em fins de semana, e a televisiva é monopolizada por programas como Gugu e Faustão. Sobra a segunda-feira, e os jornais parecem suspirar aliviados com o álibi de terem publicado algumas notinhas minúsculas no domingo; alguns canais de televisão transmitiram a notícia parecendo estar estranhamente anestesiados diante do absurdo da notícia.
Quero abordar em especial o caso de uma revista (Veja ou IstoÉ, não sei ao certo). Na data do crime, a capa foi contundente, expunha um esperado desequilíbrio de forças perante a Justiça (o poderoso x a infeliz vítima). Isso parece ter ficado claro. Mas, quase que inventando uma nova arte de interpretação de leis (ou talvez não haja nenhuma mágica nisso), advogados conseguiram libertar um réu que responde por crime doloso, com vítima, com fatos contra ele, e o mais incrível, com testemunhas. Isso já seria merecedor de uma capa, independentemente dos personagens envolvidos.
Toda essa segunda parte da história é tão importante quanto a primeira, e a revista tinha obrigação de manter alto o nível da informação. Talvez isso só fosse possível com uma outra capa. Ah, outras notícias pediam o mesmo espaço? Ora, nunca ouviram falar em "edição extra"?!
Mauro Cesar
Volta ao índice
Caderno do Leitor – próximo bloco
Caderno do Leitor – bloco anterior
Use o e-mail para nos mandar sua contribuição
Para garantir a publicação de sua correspondência, use correio eletrônico. Críticas e denúncias contra veículos de comunicação citados nominalmente serão submetidas aos mesmos, para que tenham oportunidade de resposta simultânea à publicação da crítica ou denúncia.
Clique aqui para enviar sua mensagem
|