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PUBLICITÁRIOS
Lombrosianos hirtos assomam
Marcelo Coelho, em seu artigo "Se esses são os mocinhos...", publicado na Folha (Ilustrada, 18/9), foi lúcido, perspicaz e até didático ao refletir sobre a pretensa sagacidade da "inteligentsia" publicitária e seus impertinentes mecanismos que objetivam uma cumplicidade com o público-alvo ao mesmo tempo em que colaboram e incidem na "construção de uma identidade ideológica da classe média brasileira".
Publicitários e privilegiados consumidores "congratulam-se pela astúcia e finura com que se situam acima da vala comum." Agora, irônica coincidência foi ler, logo abaixo, um anuncio de meia pagina com o seguinte título: "O ouvinte Jovem Pan tem mais poder aquisitivo." ( say what?)
Fui ao Aurélio para encontrar o significado das palavras "hirto", "eclusa" e "assomar". Acredito também que não são muitos os brasileiros que ouviram falar em Cesare Lombroso, criminalista italiano do século 19.
Daniel Taubkin
JB E MERCOSUL
Conclusões simplistas
Enviei a carta abaixo ao Jornal do Brasil, sobre o editorial de sábado, 14/9.
Pedro Martins
(...) O autor do texto ‘Sentimento de Nação’, no meu humilde ponto de vista, pareceu ter tratado o tema do futuro da política externa brasileira – Alca ou Mercosul – de maneira um tanto simplista. Primeiro, como leitor do JB, fui surpreendido pela afirmação categórica da sentença de abertura: ‘Depois de ouvir a opinião dos economistas estrangeiros que participam do seminário comemorativo dos 50 anos do BNDES, perde tempo quem ainda acredita na sobrevida do Mercosul.’ Ora, eu – como suponho ser o caso da maioria dos leitores do jornal – não tive acesso a referido seminário e, honestamente, creio não possuir informações suficientes para chegar a tal conclusão.
Tampouco creio que os meios de comunicação estejam dando o espaço merecido à discussão de como devem ser conduzidas as negociações em torno da futura inserção internacional brasileira. De tal maneira que, não seria precipitada uma declaração da morte do Mercosul, sem um prévio e cuidadoso debate de argumentos concretos que levem a esta assertiva?
Segundo, como estudante de Jornalismo, me preocupam as opiniões colhidas para embasar a preferência pela agenda de integração à Alca. Foram ouvidos dois renomados economistas – isto não se discute –, entretanto ambos são americanos e de universidades americanas. Me parece que, para este assunto, são de fundamental importância os pontos de vista dos catedráticos brasileiros, muitos deles reconhecidos internacionalmente. É claro que uma visão de fora é de grande serventia para a tomada de decisões sobre políticas econômicas externas. Mas não vos causa estranhamento considerar que alguns dos melhores economistas americanos saibam mais sobre o Brasil do que alguns dos melhores economistas brasileiros?
Não se trata de mais um assunto estritamente econômico, mas, sim, de economia-política. A conclusão do texto não parece portanto uma simplificação perigosa? Em outras palavras, o que venho propor é que se discuta mais o tema Mercosul ou Alca antes de incluí-lo na sessão dos ‘assuntos dados por encerrado’.
CRÍTICA DE MÚSICA
Só idiota não vê a ironia
Li a matéria sobre as críticas ao novo disco dos Racionais MCs. Primeiramente quero dizer que moro na Favela do Abacateiro, que fica no extremo sul de São Paulo, por isso posso falar com segurança sobre o grupo, pois vivo o dia-a-dia de cada uma daquelas letras. A questão do sexismo: com todo respeito aos jornalistas, só um idiota não percebe que os integrantes da banda estão sendo irônicos. A violência nas letras: em algumas (como em Eu sou 157) o grupo tenta passar a mensagem de que o crime não compensa, no fim da história o ladrão sempre é preso ou morto. Em outras, o grupo sempre diz que a cadeia é uma espécie de "inferno na Terra".
É claro que na favela a molecada é ignorante e nem percebe isso, muitos aqui pensam que os Racionais MCs são ladrões, assassinos, etc. Essa questão da violência nas letras deve ser discutida entre os integrantes do grupo, para mim as letras sempre passam uma mensagem do tipo "Fique longe do crime", mas para alguns dos meus amigos as letras com teor de violência devem passar mensagens do tipo "Sou ladrão, por isso tenho mulheres e dinheiro, faça o mesmo". A molecada daqui é ignorante, o teor das letras poderia mudar, mas isso já não é comigo.
Leonardo Araujo da Silva Dias
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