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Edição de Marinilda Carvalho
Prezados amigos,
Pela segunda vez em 2002, o Norton Antivírus promoveu um extermínio maciço na caixa postal do Observatório da Imprensa. Ao excluir mensagem contaminada pelo vírus W32.Yaha.F@mm, aniquilou também 26 cartas de leitores inocentes, que zelam pela saúde de seus computadores e dos computadores alheios.
Pedimos, além das desculpas devidas, que por gentileza reenviem as mensagens, para que possamos publicá-las.
Um abraço, Feliz Natal!
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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TV UNIVERSITÁRIA
Tudo pela imagem
Tenho lido os últimos artigos de Antonio Brasil e confesso que eles despertaram em mim as mais diversas reações. Gostei muito do relato sobre o congresso na Irlanda. A informação de que eles ficaram surpreendidos com o projeto me deixou "boquiaberta". Nunca pensei (talvez por falta de confiança num país que a gente adora, mas que, ao mesmo tempo, os meios de comunicação insistem em passar imagens negativas de um Brasil "de último mundo") fosse pioneiro um projeto tão ousado e ao mesmo tempo simples. Sinceramente fiquei orgulhosa, por vocês, por mim.
Isso mostra que um país de Terceiro Mundo também tem gente inteligente que, com poucos recursos, pode surpreender, ou melhor, superar os superdotados que compõem o tão almejado Primeiro Mundo. Enfim...
A autopsia ao vivo, essa foi demais. Na falta de notícias vamos criar uma. E deu certo como você mesmo afirmou. Digamos que tenha sido uma jogada de mestre, já que o que conta é a audiência. Que palavrinha "preciosa". Por outro lado, foi jogo "sujo", muito "sujo". Fico pensando aonde a TV foi parar, e tentando criar um novo conceito. Sinceramente, não consigo. Só dá para pensar como estaremos daqui a cinco, 10 anos. Vai haver seleção de cadáveres no programa do Channel 4. Ah, mas é claro, tudo pelo público, afinal é ele que conta. Audiência? Que audiência? Afinal é essa a desculpa de sempre. A audiência já está tão "emburrecida" e em alguns casos "aborrecida" que nem percebe a jogada.
Entretanto, o artigo referente às TVs universitárias foi o que mais balançou, digamos, o meu senso crítico. Com tantos vestibulares acontecendo, fiz uma remissão ao passado e lembrei como eu vivia há quatro, cinco anos. Ser universitário é o sonho de muita gente hoje. Cursar uma faculdade, exercer uma profissão. Na verdade uma pequena parcela de inscritos têm a oportunidade de saber como é o mundo lá dentro. É inegável que existem milhares de universidades espalhadas pelo mundo com suas políticas, estruturas e nomes. Mas em todas existem os "fracos e os oprimidos". Há aqueles professores que os alunos consideram o máximo, mas são odiados por grande parte da comunidade universitária, há os professores-doutores que tanto admiramos pela bagagem profissional e cultural; existem aqueles durões, os chatos que nunca vão ficar sabendo disso, os que não entendem nada da matéria.
Quanto aos alunos, esses são os variados possíveis. Do hippie ao radical. Do evolucionário ao tímido. Do CDF ou desinteressado. A diferença é visível principalmente nos cursos de Jornalismo. Já estava esquecendo... existem também as boas lembranças, as festas, as amizades e inevitavelmente as decepções.
Calma! Não quero desanimar os possíveis candidatos. Ser universitário é uma experiência e uma oportunidade incrível. E como se aprende. Os primeiros dias são de sonho. Boa parte dos futuros jornalistas escolhe a profissão para aparecer. Quem não deseja apresentar o Jornal Nacional, trabalhar na Band, na Record, na Rede TV!? Jornalismo mexe com ego mesmo. E se você se destaca logo nas primeiras aulas então... Outro dia fui surpreendida por uma afirmação que vai deixá-los chocados. Uma colega me falou o seguinte: "Escolhi o mesmo curso que você. Quero fazer Jornalismo porque tenho a esperança de que na faculdade um empresário me descubra e me transforme numa grande atriz." Não respondi nada, apenas a aconselhei a procurar um curso de Artes Cênicas para evitar que a coitada fosse vítima de uma decepção logo no primeiro dia de aula.
O artigo sobre TV universitária e a resposta do professor da PUC de Minas me deixaram balançada. Como já disse anteriormente, por um momento lembrei da minha época na universidade. A falta de recursos sempre nos acompanhou, primeira turma, nada de laboratórios. Lembro como se fosse hoje a alegria da produção do nosso primeiro jornal-laboratório. Tão ingênuos, sequer imaginávamos o que nos esperava nos anos seguintes. Não sei se todas as universidades são assim, mas a palavra censura foi agregada ao nosso cotidiano. Não éramos livres para dizer o que pensávamos, para escrever o que tínhamos vontade. O próximo passo foi a implantação da rádio-corredor que antes de ser veiculada tinha que ser "monitorada", isso que ela só era veiculava em um bloco da universidade.
Em tele o golpe foi maior. O projeto da TV Universitária estava para sair. Produzimos matérias muito boas, nos dedicamos mesmo. Os entrevistados confiaram em nós e aguardavam ansiosos a estréia do programa. Aí começou a enrolação, até que o projeto foi vetado. Hoje a TV Universitária funciona naqueles padrões. Não se fala mal da universidade em hipótese alguma. É claro que ninguém iria falar mal, não somos burros. Acontece que é tudo formatado, sem graça, falta criatividade. Também tenho consciência de que não devo criticar o que não faço, mas acho que tudo pode ser melhorado. Quando a TV universitária surgiu tínhamos a convicção de que iríamos trabalhar nela. Ou seja, aprender, criar, experimentar. Hoje penso que os alunos deveriam participar do projeto, dar opiniões. As decisões não deveriam ficar apenas nas mãos de pequenos grupos. Durante as aulas se discute tanto a questão dos monopólios, do coronelismo eletrônico, mas acaba-se cometendo os mesmos erros.
Creio que a universidade deveria estar preocupada em formar alunos competitivos para o mercado, e não à sua imagem. Resumindo, o artigo do professor de Minas balançou um pouco, concordo com algumas coisas que ele disse: "A pretensão que nos move é, acima de tudo, de aprender. De ter a sensatez e o equilíbrio de que na narrativa jornalística nem tudo pode, mas que é possível e preciso ousar."
Por outro lado, Brasil diz: "Televisão universitária deveria ser uma televisão tão diversa e diferente quanto seus alunos e professores."; "A prioridade de uma TV universitária a que ninguém assiste mesmo deveria ser ensinar a fazer jornalismo e experimentar novas linguagens, não agradar sempre ao público e às reitorias."; "...professores-fantasma mas que têm a obrigação de fazer uma televisão que não incomode muito." Pode ser que na PUC-MG seja diferente. Mas há tantas universidades no país que seguem a cartilha do reitor...
Enfim, fiquei balançada. Até que ponto é possível produzir jornalismo na universidade? Pode ser um pouco idiota, mas de repente "me peguei" perguntando como vocês estão conseguindo fazer isso, sem cair na tal cartilha?
Andréa Guerra
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ESPÍRITO SANTO
Todos de rabo preso
Como capixaba me sinto na obrigação de expor toda a minha indignação no caso Carlos Guilherme. Por aqui rola o boato de que a divulgação desta primeira fita tem alguma coisa podre... A desconfiança aumenta mais no dia de hoje. Os veículos locais trazem a notícia dada pela PF de que existem outras fitas de grampos ainda mais absurdas. Ou seja, é mais pilantra envolvido. Todos que todo mundo daqui do Espírito Santo sabem.
Se existem outras gravações, por que os "canas" não divulgaram e não prenderam os outros envolvidos (já que eles afirmam que as outras gravações são "muito" incriminadoras)? Sei lá...
Aqui no ES nos acostumamos a não acreditar em nada, a desconfiar de tudo... Eu não acredito nesta missão especial que está aqui no estado. Até agora fizeram muito barulho e mostraram pouco serviço. Não faltam provas contra Gratz. Existem várias prováveis testemunhas que são assassinadas toda semana. A Gazeta? A Tribuna? Todos os veículos têm rabo preso com eles, assim como as polícias Militar, Civil e Federal daqui.
O delegado da PF Dagoberto Garcia que o diga. Quando era o delegado responsável pela missão especial aqui no ES um outro delegado (daqui do ES e ex-integrante da Le Coq), de cujo nome não me recordo, solicitou acesso aos documentos da investigação. Como Garcia negou (sabia de seu envolvimento), o delega mafioso foi a Brasília pedir autorização. Por incrível que pareça Brasília autorizou (não duvido que eles também tenham rabo-preso). Dagoberto mais uma vez negou. Mas com muita esperteza arquivou todas as solicitações de acesso e as negativas no arquivo mais importante das investigações (acho que o 144, não tenho certeza). Diante desta afronta aos superiores, foi transferido para o Sul. Depois disso as investigações não andaram mais.
Tudo que está sendo divulgado já era sabido. Estão divulgando para acalmar a opinião pública. Desculpem pelo desabafo, com certeza sabem destas informações. Destaco a cobertura do jornal Século Diário <www.seculodiario.com> em relação a este assunto.
Rafael Garcia, estudante de Jornalismo
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Victor Gentilli
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