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VENEZUELA & HAITI
Golpe orquestrado
Muito inteligente a abordagem da atividade jornalística no Haiti e na Venezuela. Muito feliz foi a autora do artigo ao abordar a parcialidade da imprensa, rádio e TV, principalmente, da Venezuela. Vê-se que está sendo orquestrado um golpe de estado, contando a oposição com o apoio da grande imprensa venezuelana. Talvez a imprensa esteja tendo uma atuação ideológica de apoio aos políticos de oposição, querendo derrubar o presidente eleito Hugo Chávez, não porque sua administração seja ruim ou não seja a ideal, mas porque a oposição não tolera, não aceita, que o governo, a liderança política do país, esteja nas mãos de Hugo Chávez e seus partidários. É aquela história, quem quer o poder, quem não está no poder, faz de tudo para conquistá-lo, para, assim, usufruir de suas benesses. Quem está à margem do poder parece-me que fica invejoso da atuação dos governantes atuais e ficam maquiando, orquestrando, sua derrubada, seja por golpes de estado, ou por atuações eleitoreiras.
Sinto que esse filme, infelizmente, ainda é muito visto pelo nosso Brasil, principalmente nos currais nordestinos. Mas também no Sul, mais especificamente no meu Rio Grande do Sul: na eleição de 1998, vencida por Olívio Dutra, do PT, o grupo RBS travou uma verdadeira batalha sem trégua contra seu governo. O grupo RBS usou principalmente a Rádio Gaúcha, o jornal Zero Hora e a RBS TV, afiliada da rede Globo, para críticas e agressões contumazes ao governo, inventando falhas, ou defeitos, ou desgovernos, alimentando até mesmo a ira de todos os outros partidos, que ficaram na oposição, na Assembléia Legislativa. Que o governo de Olívio Dutra não era perfeito todo mundo sabia, mas foi um governo muito bom, em diversos aspectos, só que era um governo que não atendia aos interesses das elites, daquelas elites que controlam diversos setores da economia, incluindo aí a imprensa.
Até que agora, na eleição de 2002, toda a oposição unida contra o PT elegeu um representante seu, o Sr. Germano Rigotto. Olívio Dutra está concluindo sua gestão de quatro anos, de um bom governo, mas se dependesse das elites e da imprensa tendenciosa da RBS e de outros jornais do estado o governo dele bem que poderia ter terminado no mesmo dia em que começou, simplesmente porque eles (a oposição, junto com a grande imprensa) não admitiam que o poder estivesse nas mãos do PT. O governo Olívio teve oposição sistemática da Assembléia e da grande imprensa. Infelizmente. É assim que as coisas acontecem.
Torçamos todos nós para que a imprensa, a atividade jornalística, seja sempre imparcial, investigativa e imparcial. Parabéns à repórter Cristiana Mesquita pelo artigo.
Fernando de Quadros Rodrigues
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CASO TIM LOPES
Muita pulga atrás da orelha
A professora Sylvia Moretzsohn, rompendo com o ronron, mais uma vez proporciona aos leitores deste Observatório uma análise rica em questionamentos despojados de bom- mocismo, polarizaçao e velhos (ou novos) dogmas que via de regra norteiam a abordagem de temas caros à atividade jornalística. Acerca das relações entre mídia, capitalismo, cidadania e sistema penal carecemos, ainda antes, de muitas e muitas interrogações, e não de gritos de guerra ou palavras de ordem – ou coisa pior. Sylvia Moretzsohn dá conta do recado e trata de levantar questões essenciais a leitores, jornalistas e observadores. No que se refere aos temas abordados por Sylvia, precisamos mesmo é de muita pulga atrás da orelha.
Hugo R. C. Souza, Tübingen, Alemanha
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