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OLHA A LÍNGUA
"Inflation target" é que preocupa

Os Lingüistas Brasileiros para a Democracia não estamos preocupados (nem um pouco!) com os royal straight flushes, os hashishes e os whiskies que Mauro Malin tão cuidadosamente reuniu.

O que nos preocupa (muito!) são os hedges (e benching), os inflation targets, os balanced scoreboards e os URLs, expressões sobre as quais, que se saiba, nem Drummond nem Graciliano nem Rubem Braga (nem Mauro Malin) jamais escreveram sequer uma sílaba para esclarecer os brasileiros.

Caia Fittipaldi

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BUSH vs. IRAQUE
Esopo, lupus et agnus

Os argumentos que o governo Bush vem apresentando a cada dia para justificar uma guerra contra seu ex-aliado e protegido Saddam Hussein trazem de volta a figura lendária de Esopo (600 a.C.), o mestre da fábula educativa. Os historiadores consideram que ele era originário da Frígia – região dominada na época pelos gregos, após as conquistas de Alexandre Magno, filho de Filipe da Macedônia, hoje localizada a oeste da Turquia, banhada pelo mitológico Mar Egeu.

Diferentemente dos atuais mandatários que cuidam da imagem na mídia com belas fotos, veemência e voz impostada, Esopo era feio, corcunda, gago e escravo, mas tinha privilegiada lucidez para revelar as verdadeiras intenções por trás da dialética grega, louvada em prosa e verso até hoje. Esopo, com originalidade, lançava mão das características de diversos animais para dar vida às suas pequenas histórias e revelar o que verdadeiramente se passa no interior de cada ser humano nas diversas situações limites ou mesmo fora delas.

A fábula O lobo e o cordeiro, que serviu de texto para o meu rápido aprendizado de latim, creio que só perde em fama para A raposa e as uvas ou talvez para A cigarra e a formiga, também muito conhecida. No total foram coletadas pelos historiadores, como o monge Planudes e La Fontaine, mais de 300 fábulas: A lebre e a tartaruga, A galinha dos ovos de ouro, A rã e o boi, O corvo e a raposa, O guizo e o gato, e muitas outras que relembramos, vez em quando, ao observarmos situações semelhantes em pleno século 21.

A simplicidade de seus ensinamentos mantém-se impar após mais de dois milênios e meio, acima e apesar de toda a verborragia e escritos produzidos ao longo desses anos. Ela resiste límpida. Relembro agora, de passagem, a fábula do título:

O lobo e o cordeiro bebem água num córrego, o lobo vê um bom petisco ao seu alcance e inicia o assédio.

– Você está turvando a água que bebo!

– Como posso fazer isso, se o rio corre daí para cá? (Xeque!)

– É, mas eu soube que há seis meses você falou mal de mim!, ao que o carneirinho explica-lhe a impossibilidade de isso ter ocorrido.

– Há seis meses eu nem era nascido. (Xeque, de novo!)

– Então, foi teu pai... – e atacou.

Moral da história: contra a força não há argumento.

Nenhuma vistoria e nenhum relatório com milhares de páginas serão aceitos pelos lobos militaristas que apóiam George Bush, a menos que a platéia mundial apresente um espelho ético, e não ótico, para os "mocinhos" verem quão ridículos são seus argumentos apresentados diariamente à opinião pública e aos representantes das Nações Unidas, na tentativa de encobrir o principal objetivo de toda essa mobilização: reativar a economia americana – principalmente os financiadores de campanha de Bush – e dominar os campos de petróleo do Iraque e nas redondezas. E põe ampla redondeza nisso!

Assistiremos à comprovação da máxima apresentada por Esopo? E por que a mídia não mostra isso?

José Renato M. de Almeida, Salvador

 

OBRIGADO, OBRIGADO
Grande ombudsman

Estou acessando o OI pela primeira vez e gosto do que estou lendo. Afinal de contas, nossa imprensa precisa de um grande ombudsman.

Lívio Silva, professor, Campina Grande, PB

Nota do OI: Obrigado, Lívio. Vasculhe o índice de Edições Anteriores (no menu no alto da página principal) para ter uma idéia do que vem sendo publicado neste OI deste abril de 1996.

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