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MÍDIA & GUERRA
Vertente pouco explorada
A invasão do Iraque, uma guerra que deverá ocorrer para desviar as tensões internas por que passam tanto os EUA quanto a velha Albion, apresenta uma outra vertente fantástica e que vem sendo pouco explorada pela imprensa. O Iraque detém a maior bacia hidrográfica do Oriente Médio pela presença dos rios Tigre e Eufrates, que cortam boa parte de seu território e que naquela região sinalizam a presença de terras férteis onde provavelmente se localizava a antiga Nínive. Ora, num segmento geográfico onde água infinita significa vida e portanto poder, nada melhor do que se assenhorear dessas fontes e abastecer os aliados – -Israel em particular – e ameaçar adversários ou inimigos pela sua posse.
Durante o conflito de 1991, nos primeiros dias grande número de marines ficou fora de combate, internado nos imensos navios-hospital, com aproximadamente 1.000 leitos cada, um, por incompatibilidade de seus tubos digestivos em relação à água da região; daí o "oficial de águas", geralmente um geógrafo, ser um dos mais respeitados oficiais àquela época, pois suas análises demonstraram que não havia infecção bacteriana e, sim, inadaptação dos "delicados" tubos digestivos àquelas águas, puras e profundas e de datação milenar.
Se as estimativas mais simplistas dão de barato 117 anos de exploração continuada para os campos de petróleo iraquianos, que naquele local é do tipo fino, portanto melhor do que o da Arábia Saudita, e sabendo que os estoques estratégicos de petróleo dos EUA duram mais 12 anos para alimentar aquela imensa máquina de consumo energético, nada melhor do que garantir mais um século de consumo. Quanto à água não é necessário muito exercício intelectual para que imaginemos para onde vai e por quanto; as conseqüências mundiais dessa política colonial serão medidas em atentados contra os que nada têm a ver com as questões em pauta e morrerão ou ficarão mutilados por culpa do olhar mesquinho de um grupo de origem texana em sua maior parte, representante das "sete irmãs" do petróleo que tomou de assalto o "governo da nova Roma" após eleições que primaram pela falta de decência e decoro, capazes de envergonhar qualquer ditador que tenha 99,9% dos votos, como o Saddam que eles querem abater.
Quando a conselheira de Segurança da maior potência militar da história, Condoleezza Rice, ex-executiva (?) da Chevron, tem um navio-petroleiro batizado com seu nome, parece existir algo de pouco decente nas indignações desses governantes. Definitivamente, não são os curdos ou os xiitas do Iraque e muito menos os negros americanos ou os irlandeses, componentes tradicionais dos primeiros grupos de assalto desses exércitos.
Além da verdade e da imprensa, esses grupos também compõem os contingentes de primeiras vítimas!
Maximus Santiago
Meros espirros
Sobre o artigo de Ulisses Capozzoli, é cada vez mais forte a minha convicção de que, de fato, as guerras de nada adiantam. E tal convicção se constrói sobre uma base filosófico-científica – o conhecimento – e sobre a observação da vida concreta – um exercício de autonomia pensante – desde a própria existência como ser individual até as fronteiras desconhecidas do cosmo, a constatar o fenômeno a que nos integramos como um processo contínuo e magistralmente ordenado por maiúsculas leis, em face das quais, as guerras de que somos personagens não passam de meros espirros.
Pará nós, no entanto, e para nossa extraordinária oportunidade de coabitar conscientemente esse talvez tão indevassável quanto maravilhoso mistério, as guerras são um atraso sem conta, sobretudo hoje em dia, quando envolvem recursos escassos em detrimento de nós mesmos, e o mais grave, confirmam a imaturidade, digamos, antropológica, em que nos encontramos em face do conhecimento até aqui obtido.
Meu sentimento é de que as guerras são rupturas desesperadas de um processo em que se agudizam contradições tendentes a fazê-lo evoluir, contradições que têm de ser revolvidas, e só o serão pelo diálogo e pelo respeito mútuo, sobretudo centrado na visão ampla da fenomenologia de nossa existência no complexo cósmico, e nele, da relatividade de nossa presença.
As guerras apenas adiam a evolução. Aos homens e mulheres que percebem a necessidade de superarmos esse estágio, caberá assumir, como única arma, com cada vez mais freqüência, as manifestações pacíficas contra toda a intolerância e contra toda a guerra, e as ações de desobediência civil não-violentas, reinstituindo e atualizando o trabalho de Gandhi, na Índia, de forma organizada e globalizada, a fim de constituir, como já vem acontecendo, um poder político alternativo.
Luiz Paulo Santana, Belo Horizonte
A "arte" de editar
Enfim um artigo, "Cobertura submissa e tendenciosa", sobre este silêncio asqueroso da mídia brasileira... É insuportável assistir aos telejornais brasileiros, o da Globo principalmente, tamanha é a "arte" com que editam as notícias. Eles conseguem torcer totalmente os fatos, é um escárnio, um verdadeiro deboche... As manifestações pela paz na Itália e na Espanha (totalmente na contramão de seus atuais dirigentes neofascistas) não foram mostradas, a pauta deve estar sendo preparada em algum lugar dos EUA, não é possível!! Em tempo, vale citar algumas intervenções de Arnaldo Jabor contra Bush, muito boas.
Eduardo Guagliardi
Leia também
Para ele a guerra começou faz tempo – Leneide Duarte-Plon
Notícia e dependência informativa – Gilson Caroni Filho
Mídia e os sintomas da neobarbárie – Muniz Sodré
A ciência e a guerra – Ulisses Capozzoli
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