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RESPONSABILIDADE DA IMPRENSA
Fiscais linchados
Surpreende-me a forma antiética com que os jornais têm abordado as denúncias contra fiscais do Rio de Janeiro. Eles estão sendo sentenciados por matérias e manchetes sensacionalistas e irresponsáveis. Faltam provas contra os fiscais, e, ao mesmo tempo, são contundentes os argumentos e documentos de defesa dos acusados. No entanto, a grande imprensa vem tratando os fiscais como culpados. As manchetes são tendenciosas e os textos escritos sem que as informações sejam checadas. Resultado: fatos distorcidos e cidadãos humilhados. Sequer é dado espaço para os argumentos e as provas da defesa. Estão fazendo o antijornalismo com a total complacência de editores da grande imprensa.
Não podemos esquecer o grave erro cometido pela imprensa no caso da Escola Base, em que pessoas inocentes foram denunciadas e julgadas culpadas pela mídia, e, tempos depois, absolvidas pela Justiça. Não podemos promover um linchamento público de cidadãos, todos pais, com famílias que deveriam ser preservadas e protegidas contra falsos testemunhos. São mulheres e crianças que não podem ter suas vidas comprometidas pela forma irresponsável de alguns jornalistas que se julgam no direito de determinar quem será o apedrejado da vez.
Precisamos reavaliar a função e os critérios do chamado "jornalismo investigativo". A arrogância e a atitude tendenciosa de muitos colegas comprometem totalmente o ideal de imparcialidade e objetividade que devem nortear nossa atuação profissional. Falsas denúncias podem levar a imprensa a cometer graves erros e atos de extrema injustiça.
Julgo extremamente necessário que o Observatório da Imprensa aborde o assunto, buscando promover a reflexão e a atuação conseqüente da imprensa.
Gustavo Matos
Eduardo Jorge, nova vitória
O juiz da Vara Cível do DF, João Marcos Guimarães Silva, condenou a revista IstoÉ a pagar indenização por danos morais a Tarcísio Jorge Caldas Pereira, irmão de Eduardo Jorge, pela publicação – dentro da cobertura do "caso EJ" – de matéria ofensiva a ele. Esta é a segunda condenação da IstoÉ neste caso em uma semana.
Eduardo Pereira
A Globo e seus dois pesos
Definitivamente, o jornalismo global se comporta com total incoerência. Acabo de ouvir Ana Paula Padrão noticiar a solução de um seqüestro (graças a Deus) de três meninas moradoras do Morumbi. Elas ficaram no cativeiro por 12 dias. Foram raptadas quando iam para a escola. Agora me explica: por que nem o nome do empresário (disseram por alto que era um grande executivo da área de comunicações) foi informado? Divulgar seqüestro, segundo a Globo, não é (ou era) uma forma de auxiliar as investigações? Alguém lembra da nota oficial lida pelo Bonner a respeito?
Para Patrícia Abravanel o estardalhaço pode ser feito, enquanto outros executivos gozam do sigilo. É o jornalismo da conveniência.
Também, o que se pode esperar quando uma competição de fastriatlo ou um desafio de futsal com o Japão viram matéria de dois minutos no Jornal Nacional? Autoritarismo publicitário e de favores, disfarçado de imprensa. Ainda bem que o controle remoto fica à mão.
Luiz Antônio de Sousa da Silveira, Rio de Janeiro
Caros Amigos tendenciosa
Creio que ninguém tem dúvidas da manipulação da mídia. Todos sabemos que existem interesses e que estes modelam a forma dos fatos anunciados pelos canais de comunicação. Basta que se leia em dois jornais a mesma notícia ou se assista a dois telejornais para se perceber isto.
Mas um artigo sobre o tema de manipulação escrito por José Arbex Jr. no mínimo é uma piada. É o roto falando do esfarrapado. A revista Caros Amigos é especialmente tendenciosa. É o melhor exemplo de distorção da verdade. Compara-se apenas a uma certa revista editada por uma facção da Igreja Católica, mas com uma diferença, Caros Amigos é vendida (e cara), a outra e distribuída gratuitamente.
José Arbex Jr. diz em seu artigo que recebeu denúncias, que recebeu uma fita de um suposto policial, também incógnito, toma isso como verdade e escreve. Denúncias nem sempre retratam a verdade, fitas podem ser editadas, como aquelas da Guerra do Golfo. Fala que Josias de Souza, em maio de 2000, fez uma denúncia infundada sobre corrupção no MST, mas não considera, nem procurou saber, as razões da extinção do Projeto Lumiar, dos processos (desvio de dinheiro das cooperativas) que até há pouco ainda estavam (ou ainda estão) tramitando na Justiça.
A ação da Polícia Militar no cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse em maio de 1999, de que fala Arbex Jr., foi amplamente noticiada pela imprensa, as imagens foram mostradas exaustivamente na TV local. Só Arbex Jr. não as viu, ou não as quis ver, ou talvez, seus imparciais informantes esqueceram de contar-lhe. José Arbex Jr. é o pirata da notícia: lê com um olho só. Belo jornalista. Ele faz a notícia como quer, como agrada aos leitores de Caros Amigos.
Antonio C. Coelho
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