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INFLAÇÃO
Agüentem as conseqüências

Não vejo a imprensa focalizar a disparada da inflação e seus efeitos sobre a massa da população. Seria bom a turma reler economistas como Celso Furtado e Ignacio Rangel, para tornar a lembrar que a inflação é um tributo pesado imposto pelos detentores do poder econômico aos que estão por baixo e só consomem.

Há um viés nessa história que os pauteiros esqueceram: a disparada da inflação é uma vingança de classe contra os que ousaram votar na mudança do modelo. Os 62% que votaram no Lula são majoritariamente pobres que estão pagando diariamente "no mercado" o preço da sua ousadia. Desde agosto, aliás, os preços tiveram altas desmedidas que não correspondem a aumentos dos custos de produção. Com a remarcação dos preços, os donos do poder econômico estão dizendo à maioria da população: "Quiseram a mudança, agora agüentem as conseqüências."

Geraldo Hasse, jornalista, São Paulo

 

CENSURA EM JUNDIAÍ
Dignidade inegociável

Sou jundiaiense, sou jornalista e, infelizmente, tenho que concordar. Trabalhei em alguns dos órgãos de imprensa de Jundiaí, e o que mais me marcou foi a TV Educativa de Jundiaí, na qual criei e levei à frente, em conjunto com a publicitária e apresentadora Taís de Camargo, um jornal matinal, chamado Jornal da Manhã. O programa, que redigíamos, produzíamos e apresentávamos (nós dois éramos a "equipe" do jornal), incluía uma análise de manchetes dos principais jornais, e começou a ser boicotado pela direção da emissora, até que foi encerrado e nós dois demitidos.

Obviamente, tudo isso por conta das críticas que fazíamos, inclusive à administração municipal. Esse é apenas um exemplo, dos muitos que eu poderia citar, que mostram que Jundiaí, em termos de imprensa, ainda é um lindo campo cheio de ovelhinhas quietinhas e cabisbaixas, pastando segundo a vontade de seus "pastores"...

Mas, felizmente, em meio a essa gosma toda, existem os jornalistas que concordam que é melhor ficar sem emprego do que ganhando às custas de vender sua própria dignidade.

Marco Antonio Carrero

 

INTERNET GRÁTIS
Quais são as empresas más?

Será que um provedor grátis dá mais lucro do que os que cobram suas tarifas? Temo que sim. O números de assinantes seria maior e os comerciais e serviços mais procurados. O que dá lucro não é coisa do capital, e geralmente especulativo, em seus negócios? Penso que a internet, embora mundial, tem nos provedores as suas transnacionais, mas com uma origem qualquer em certos países. Há, pois, essa contradição. Mas é globalização.

Imagino que a internet é a única rede democrática que temos e que deve ser bem preservada. Os provedores são empresas como as outras do Primeiro Mundo, apenas do lado da democracia.

Há coisas boas e más. As más são os lucros especulativos dos provedores grátis? Sempre se pode pagar algo razoável para ter um serviço privado. Enquanto não for estatal. Internacional e socialista...

Fernando Dias Campos Neto

 

MÍDIA & MERCADORIA
Overdose de depressão

Parabéns, Marcelo Salles! Mais uma vez, você nos coloca em debate com questões fundamentais no plano da ética jornalística. Sua proposta de terapia alternativa e a narrativa que embasa a necessidade de um tratamento urgente nos remete a outra discussão bem próxima: a do excesso de convites à depressão que recebemos dos noticiários diariamente. Vivemos uma nova fase... depois do jornalismo mundo-cão, estamos na fase do jornalismo depressivo. Não que ele tenha de informar que o mundo é cor-de-rosa, mas o que se vê na TV, ouve-se no rádio e lê-se nos jornais é algo similar às quatro trombetas do apocalipse soando ao mesmo tempo. E isso tem um efeito desestimulante... ou de estímulo à apatia geral, uma vez que nada presta, nada funciona, governos são corruptos (e a grande maioria justifica isso) ou manipulados, a violência dispara, a educação não compensa e por aí vai.

São mensagens que afetam diretamente o potencial organizativo na sociedade. Ou não é mais ou menos o que acontece nos centros acadêmicos de sua universidade, aquela pergunta "de que adianta"? É urgentemente necessária uma terapia alternativa ou a imprensa grande, como você e o Arbex – em seu Showrnalismo – dizem, matará a opinião pública com sua overdose depressiva. Que mais estudantes, em sua faculdade e nas demais escolas de Jornalismo, tenham essa visão crítica.

Thea Tavares, jornalista, Chapecó, SC

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