9/11

Envie para um amigo  Procure no arquivo

MÍDIA E DROGAS
Rádio glamouriza consumo

Estou escrevendo para parabenizar a RBS TV de Porto Alegre pela excelente reportagem exibida no programa Tele Domingo falando sobre o aumento do consumo de drogas no litoral. Parabéns ao repórter Júlio César Santos e ao seu cinegrafista por terem coletado imagens contundentes de pessoas sob o efeito de drogas no meio da rua, em boates e bares. Foi um trabalho jornalístico de alto nível, mais uma vez.

Agora, me chama a atenção de maneira chocante o índice apresentado na reportagem, que aponta um aumento de 40% no consumo de drogas, neste verão, nas praias gaúchas. Na subseqüente entrevista realizada pela apresentadora Rosane Marchetti com a juíza convidada ao Jornal do Almoço, um dos motivos apontados foi a "falta de limites" permitida pela família e pela sociedade como um todo. Mas eu apresento outro motivo a vocês. Com certeza, a postura da Rádio Atlântida em promover músicas com refrões que incentivam e glamourizam o consumo de drogas tem a ver com isso. A Atlântida é uma FM com enorme penetração e influência no público jovem, portanto a prática de rodar à exaustão na programação músicas com recados como "fuma, fuma, fuma... fuma na boa, só de brincadeira", "ah, eu tou sem erva" e "vou fumar um baseado" tem direta relação com o aumento drástico do consumo de drogas pelos jovens nas praias. É uma pena que este assunto esteja sendo tratado de maneira estreita e simplista pela própria rádio, que ignora a sua responsabilidade social e faz questão de promover exemplos adversos porque "fazem sucesso" (sucesso plantado, diga-se de passagem...). Creio que cabe à própria RBS avaliar o problema e assumir a responsabilidade que a Atlântida vem tendo em colaborar para uma banalização do consumo de drogas entre os jovens.

Sendo assim, esteve correta a postura da Rede Globo em omitir que Guga subiu ao palco do Planeta Atlântida, mas sim de um "show de Lulu Santos em Florianópolis".

Eduardo Santarém, jornalista e gerente de Comunicação

 

Série glamouriza traficante

Tentem decifrar esta. O objeto de estudo é o seriado Turma do Gueto, exibido nas noites de segunda-feira na Rede Record. A proposta é entender qual a verdadeira função do personagem Jamanta, um traficante ("o maior do pedaço", conforme o site <www.turmadogueto.com.br>) retratado na trama. Jamanta alterna seqüências onde expressa a maldade de um comandante do tráfico de drogas de uma favela, agredindo, impondo sua autoridade, comprando e vendendo entorpecentes, com cenas em que a figura do bandido abre espaço para um grande coração.

Se prestarem atenção em alguns capítulos, verão que, além de traficante de drogas, ele é o mais bondoso líder comunitário do local. Ajuda aos pobres, elimina as pessoas que fazem mal aos moradores do gueto, dentre outros atos de caridade. A pergunta que fica é a seguinte: o personagem Jamanta retrata o lado negativo da figura do traficante na sociedade brasileira, ou reforça o papel fundamental desta classe para os pobres do Brasil?

Marcelo Daniel, estudante de Jornalismo Unesp-Bauru

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe