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Edição de Marinilda Carvalho
A unanimidade nem sempre é burra. Nesta edição, os 26 leitores que comentam a insana invasão do Iraque pelas tropas anglo-americanas não só condenam a teimosa unilateralidade dos EUA e da Grã-Bretanha, como criticam duramente a cobertura invertebrada de nossa mídia, que repete como papagaio treinado as diatonias da imprensa americana.
Os leitores se queixam, indignados, de expressões como "tropas aliadas" ou "americanos assassinados". "Tropas aliadas de quem, cara-pálida?", pergunta a leitora cheia de razão: uma apresentadora da Globo News chegou a informar, após a exibição do tape da TV árabe com imagens de prisioneiros americanos, que "quatro teriam sido executados". Pergunta-se: de onde tirou a apresentadora tal informação? Da Fox News do conservador hidrófobo Mr. Murdoch, em cuja página há banners tipo "Operation Iraqi Freedom"? Ou do NewsMax.com do hidrófobo conservador reverendo Moon ("serviço de notícias online que defende os valores americanos")? "Menos, senhores jornalistas, menos!", pede um leitor.
Resta festejar, neste momento fúnebre, o belo serviço da rede portuguesa RTP na cobertura da invasão, "a primeira a mostrar a primeira bomba jogada em, como eles dizem, ‘Bagdade’, com o fantástico repórter Carlos Fino (que faz jus ao nome, tamanha a elegância de sua narração)", encanta-se uma leitora.
Que a próxima edição já possa festejar o fim deste espetáculo macabro.
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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MÍDIA & GUERRA
Portugal deu antes
Eu vi! A segunda guerra do Golfo começou antes na RTPI, a rádio e TV pública de Portugal, antes do que na CNN, na Reuters ou al-Jazira, BBC, Globo, Bandeirantes, SBT etc. E só vi porque a nossa TV Cultura finalmente abriu espaço para o áudio e as imagens dos irmãos do além-mar. Acostumados a desbravar outras terras, lá estavam em Bagdá os repórteres portugueses ao vivo, via videofone. A RTPI não só mostrou os bombardeios antes como confirmou com Washington, mais uma vez antes da CNN, o início do ataque. Enquanto isso, o repórter brasileiro ao vivo mais próximo do conflito falava de um hotel na Cidade do Kuwait.
Estupefatos mesmo estavam os valorosos jornalistas da Cultura, que insistiam em traduzir nossos irmãos lusitanos, como se nós espectadores não pudéssemos entendê-los, além de duvidar das informações que chegavam antes. Como se a notícia só for notícia se der na CNN, se for enviada pela Reuters (lembram quando a Reuters mentiu sobre os brasileiros fazendo fila nos bancos para tirar dinheiro antes do anúncio de um plano econômico?).
Sugiro que a nossa Rede Pública de Rádio e TV utilize mais os trabalhos dos nossos irmãos portugueses. Quem pode ver a RTPI no cabo já se acostumou com excelentes coberturas de guerras recentes: Kosovo, Timor, conflitos africanos etc. Ah, e podem deixar o gajo falando em português mesmo. Nós entendemos.
Carlos Delgado, jornalista, Curitiba
Aprender com Portugal
Portugal está ensinando ao Brasil e ao mundo como se deve fazer um verdadeiro e bom jornalismo! Estou me referindo à impecável, irretocável e perfeita cobertura que a RTP tem dado à guerra no Iraque. A RTP furou todo mundo (incluindo o pobre Brasil e até as duas CNNs e a BBC), tendo sido a primeira a mostrar a primeira bomba jogada em, como eles dizem, "Bagdade", com o fantástico repórter Carlos Fino (que faz jus ao nome, tamanha a elegância de sua narração). As transmissões são "em directo de Bagdade por videofone RTP", que mostram todos os "bombardeamentos", visto que Carlos Fino está a menos de um quilômetro dos ditos "bombardeamentos".
O ataque maciço de sexta-feira foi brilhantemente narrado pelo repórter português que, de burro nada tem! Ele chegou a fazer referência aos pássaros que passavam por perto da varanda do quarto do hotel onde está, em pleno bombardeio! Ele e os demais jornalistas internacionais (mais de 300) observam os fatos desse hotel. Sim, o mundo enviou mais de 300 jornalistas a Bagdá (ou Bagdade), incluindo a TV chilena. Veja só!
Agora, eu pergunto: onde estão os jornalistas brasileiros? Nem a todo-poderosa Rede Globo tem jornalista em Bagdá! A Globo limitou-se a enviar repórteres a Nova Iorque, Washington (para quê?) e Kuwait. Já a RTP tem o brilhante Carlos Fino em "Bagdade", outro na Turquia e outro no Kuwait, fora o pessoal enviado aos Estados Unidos. Estão dando um verdadeiro banho em todo o mundo... até na CNN International e na CNN En Español!
Estou vendo a cobertura da RTP, além, é claro, de dar uma olhadinha nas duas CNNs. Da cobertura do Brasil eu quero distância. A Globo e as demais estão se limitando a utilizar imagens da CNN Internacional. Assim até eu cubro a guerra daqui de meu escritório! Fácil, não? Detalhe: a RTP está fazendo uma cobertura precisa e elegante, sem o sensacionalismo e o sentimentalismo barato utilizado por algumas emissoras brasileiras. Pelo visto, temos muito o que aprender com Portugal! Será que é mesmo o português o burro de todas as anedotas contadas pelos brasileiros?
Vera Gomes
Bombardeio devastador
Uma revista tem direito a ter opinião. Mas não pode confundi-la com tentativa de manipular o leitor. Não é de hoje que Veja obedece a forças que pretendem uma democracia de fachada. Esse "Sangue seco de Veja", de Gilson Caroni Filho, é irrepreensível. Não há como contestá-lo. Sobra à Veja uma chance de autocrítica, nada mais. O bombardeio foi devastador.
Fátima Silva
Assinatura esquecida
O excelente "Sangue seco de Veja" me levou a demover meu filho da idéia de fazer uma assinatura de Veja. Leiam coisa melhor, disse, com a autoridade dos argumentos do artigo. O Observatório está de parabéns por publicar artigos que põem o dedo na ferida.
Célia Monteiro, pedagoga, São Paulo
Assinatura cancelada
Há tempos eu esperava uma análise como esta do Observatório sobre a posição da revista Veja sobre a guerra. Eu era assinante e resolvi cancelar minha assinatura, pois não gosto de ser tratado como otário. Porém, minha esposa ganhou 4 edições da revista e não cancelou, o que nos obriga a recebê-la por mais um ano. Enquanto a tortura não acaba eu leio as barbaridades que estão ali. Por causa disso, toda semana envio e-mail a eles reclamando de sua postura. Não que isto vá mudar a atitude da revista, mas pelo menos eu tento mostrar que não sou daqueles leitores cordeirinhos que escrevem toda semana dizendo que "a reportagem tal foi fantástica".
Caro Gilson Caroni Filho, além de tudo o que você escreveu, quero lembrar também como a revista frita os franceses na sua seção de frases, ridicularizando-os, e não coloca uma única frase contra os americanos (e olha que ouvimos dezenas de milhares de frases contra a postura dos americanos, e poucas contra os franceses – partindo de americanos).
É nojento e patético, mas vou incomodá-los até o fim desta indesejável assinatura e depois nunca mais quero ver esta revista hedionda na minha frente. Vou assinar IstoÉ.
Alexandre Soares Cavassin, Curitiba
Veja e Mino
"Talvez Veja venha a ser um dia uma publicação séria e democrática". Já foi. Lembra-se do tempo do Mino Carta?
Humberto Crivellari
Parabéns
Ótima matéria! Parabéns!
Arno Rochol
Mais parabéns
Parabéns. Sugiro analise do Hoje: "... iraquianos foram mortos"; "... foram assassinados dois soldados americanos"... Assassinados? E quanto à vingança americana, nada? "Chocar e apavorar" é vendeta. Parabéns novamente pela análise. Paz,
Flavio Torres Corso
Menos, senhores jornalistas!
No jornal Hoje da Globo, Sandra Anenberg teve de ler a seguinte notícia: "Dois soldados aliados foram assassinados por forças militares do Iraque que estão fazendo inesperada resistência às tropas que caminham para Bagdá." Menos, senhores jornalistas! Menos!
José Renato M. de Almeida, Salvador
Moral duvidosa
Notícia da Reuters publicada pelo UOL me deixou revoltado: diz que Donald Rumsfeld condena o Iraque por violar a Convenção de Genebra. Entretanto, não cita o fato mais ridículo: como podem os EUA terem moral para condenar o Iraque por alguma coisa, se foram eles mesmos que iniciaram a guerra sem autorização do Conselho de Segurança da ONU?
Ricardo Grützmacher
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