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MENOS É MAIS
Asqueroso, não assombroso
Prezado Sr. Muniz Sodré, sobre seu texto "Jornalismo de histórias de vida", se me permite dois apartes, aqui vão eles. Primeiro: gostaria de trocar a palavra "assombroso" por "asqueroso", pois foi exatamente assim que senti ao ler tal texto. Uma mistura de revolta com enjôo. Quanto ao segundo aparte, no parágrafo que diz "(...) histórias de vida pertinentes à melhor compreensão do horror cotidiano", eu diria: "histórias de vida pertinentes à melhor constatação do horror cotidiano", dado que o horror cotidiano é de todo incompreensível. Obrigada pelos seus escritos.
Martha De Gennaro
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CORREIO BRAZILIENSE
Morto e enterrado
Como cidadão e leitor de jornais, muito me incomoda a postura "neutra" do Correio Braziliense, jornal de maior circulação no Distrito Federal, a respeito das denúncias envolvendo o governo do Sr. Joaquim Domingos Roriz. Quando ocorreu a mudança na direção do jornal, foi pedida aos leitores paciência, que nenhuma mudança haveria na linha editorial. Entretanto, ocorreu claramente um "silêncio" do jornal sobre os desmandos no GDF. As notícias de corrupção, embora alardeadas por vários outros veículos de mídia de circulação nacional, não recebem espaço maior do que algumas notas no Correio.
Obviamente, a direção do jornal adotou uma postura de "neutralidade" incompatível com a função básica do jornalismo: noticiar. E noticiar significa (ao menos para este leigo) ir às fontes, procurar as causas, investigar e informar ao leitor. O Correio Braziliense, que na década passada angariou o respeito nacional por sua linha editorial, está se negando a desempenhar seu papel de imprensa e deixando alienados da realidade local os cidadãos brasilienses.
Nesta mesma semana, uma nota na revista Veja trouxe a público a investigação que a força- tarefa federal está realizando sobre uma alta funcionária da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, comparando a tal funcionária ao notório Silveirinha. Deve ser lembrando que este senhor mereceu páginas e páginas de atenção da mídia nacional, inclusive no Correio. Com que então o jornal mais lido pelos brasilienses não perseguiu a notícia e trouxe a público a "nossa Silveirinha"?
Infelizmente, o Correio Braziliense, como órgão informador, está morto e enterrado. Esperemos que surjam outros órgãos de imprensa tão competentes como esse "jornal" um dia foi.
Cristhian dos Santos Camilo, Brasília
JORNALISMO NO PARÁ
A serviço do bem
Quando a lei é aplicada com o intuito de emudecer a voz verdadeira e livre do povo, a ação marcha contra a vida em sociedade. Impor silêncio acerca de quem se julga acima da lei, dos homens e de Deus, é fazer o caminho de volta e tornar-se mais primitivo que Bush. Nesta hipótese, o crime organizado pode ser festejado, uma vez que a liberdade de pessoas honradas, fica ameaçada. Não há justiça no Judiciário, isto é fato consumado. Porém, é essencial que haja ao menos vergonha, escrúpulo e honradez. Sem essas qualidades, ele desmorona no abismo da incongruência, do despotismo legal, da arrogância bestial temporária.
Os temas de interesse público reclamam porta-vozes a fim de propagá-los. Se uma sentença impede a difusão da verdade; se os arranjos jurídicos produzem esse vexame calamitoso, já passou do tempo de mudar. O magistrado tem de estar a serviço do bem, da moral e do estado de direito, e não da sua vontade soberana, orgulhosa. O Poder Judiciário não pode se fazer faccioso ou inútil, e muito menos, deploravelmente prejudicial.
Francisco Assis de Freitas
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Empecilhos ao direito de cobrar – Lúcio Flávio Pinto
IMPRENSA BRITÂNICA
Juventude sem jornais
Como leitor residente em Chicago há mais de 25 anos, tenho observado o mesmo fenômeno descrito por Beatriz Singer: os jovens pouco lêem jornais, a não ser a seção de esportes e as histórias em quadrinhos. No condomínio em que moro, jornais à porta dos apartamentos quase só os encontro defronte a moradias de pessoas de terceira idade. A televisão e a internet são as principais fontes de informações da juventude. Por outro lado, poucos jovens se dão ao trabalho de aprender a avaliação crítica do que encontram na rede, talvez por não ser fácil. O que me atrai na imprensa são os artigos profundos, que esmiúçam as notícias e apresentam análises mais detalhadas do que a TV, pois dispõem de mais tempo para isso.
Erlo Roth
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