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MAIS! E MENOS
Dumont derrubado
É com muita alegria que recebo a sua crítica – uma que se junta a muitas outras recebidas ao longo dos últimos dias – acerca da matéria a respeito da crise da aviação em seu centenário. A verdade é que, como disse um amigo meu, alguns mitos custam a morrer. Fico feliz de fazer minha contribuição para derrubar uma lenda, nascida inadvertidamente (quando do vôo de Dumont em 1906, ninguém na Europa sabia dos experimentos dos Wright na América) e alimentada, especialmente no Brasil, com fins propagandistas, num país por tanto tempo assolado pelo populismo e pelo nacionalismo exacerbados, como foi este durante a era Vargas e a ditadura militar.
No mundo todo, inclusive na França, país que teria quase tantos motivos quanto o Brasil para defender a primazia de Dumont, não há muita discussão sobre quem inaugurou a era da aviação. Claro, como já me apontaram outros leitores, há sempre um historiador ou aeronauta que defende o inventor brasileiro, aqui e no exterior. Mas o mito é mantido apenas com base em debates de natureza técnica e preciosista, e está atualmente contido majoritariamente no Brasil – um resquício da já citada máquina de propaganda estatal que ainda hoje contamina o ensino fundamental, apesar de todos os avanços.
Daí a considerar que haja uma verdadeira polêmica em torno do assunto, a distância é enorme. E assumir isso como verdade significaria também dizer que há alguma dúvida sobre a ocorrência do Holocausto, com base em alguns "historiadores" que existem por aí, ou que há evidência arqueológica para a presença de extra-terrestres no planeta durante a pré-história humana, como Erich von Daniken ou Raël gostariam de fazer crer. Recuso-me a subscrever tal atitude supostamente "jornalística".
O dever jornalístico, em meu entendimento, não consiste apenas em apresentar um amálgama de versões de um fato (embora essa visão estreita ainda seja levantada como bandeira por várias publicações, algumas de renome, apenas como um pretexto para obter chamadas sensacionais amparadas pela premissa de que "jornalistas não julgam; reportam julgamentos alheios"). Mais do que isso, cabe ao jornalista exercer a função de historiador de seu próprio tempo, refletindo, processando, traduzindo o pensamento contemporâneo e, mais que isso, sendo influenciado por ele, de modo a carregar para as gerações futuras (e não só para o leitor do dia) um material representativo da sociedade em que está imerso. E é falso, ou ingênuo, aquele que se acha capaz de fugir a essa inescapável atitude, sob a confortável e protetora capa da imparcialidade.
A primeira das suas citações à matéria do Mais! é consenso absoluto. Ninguém questiona o fato de os Wright terem voado primeiro que Santos Dumont, exatamente como está escrito. A segunda citação foi usada de forma distorcida em sua crítica. O senhor usa a frase "para os historiadores, a discussão sobre quem inventou o avião nem se coloca" fora do contexto para dizer que a matéria defende que não há debate em razão da suposta incontestabilidade da primazia dos Wright. O sentido da frase é outro, e cito aqui o contexto integral:
"Para os historiadores, a discussão sobre quem inventou o avião nem se coloca. 'Até Orville e Wilbur entendiam que o avião não era uma única invenção, mas uma série de invenções agrupadas', diz Peter Jakab, também da Smithsonian Institution." Pelo texto completo, fica claro que a discussão sobre o inventor do avião não se coloca porque é muito difícil dizer que se trata de um único invento, por um único inventor! Pelas aspas, os próprios irmãos Wright abdicam da posição que o senhor acha que estou advogando para eles!
Quanto à ausência de fontes européias e nacionais na matéria, não se iluda. Não é porque não estão citadas que não foram consultadas. Se tiver a chance, dê uma olhada nos arquivos da Folha e procure uma matéria minha de 19 de outubro de 2001, no Folha Ciência. Na ocasião, comemorava-se o centenário do célebre vôo do dirigível nº 6, de Santos Dumont, em torno da torre Eiffel – esse sim um feito sem precedentes na história aeronáutica mundial. Àquela feita, procurei abordar também o polêmico tema da primazia na invenção do avião, entre Santos Dumont e os Wright. E, se você der uma olhada rápida, vai ver que já falei com mais gente a respeito do tema, antes de fazer as afirmações que estão contidas na matéria do caderno Mais!. Não há qualquer falha no procedimento jornalístico, nem nas informações ali apontadas. Não há falta de fontes ou de "outro lado". Talvez as opiniões adversas não estejam personificadas, mas estão claramente representadas – e com o destaque que seria pertinente.
Qualquer análise estatística feita hoje entre historiadores do mundo todo daria extraordinária margem favorável aos Wright. A amostragem que tive em minha apuração (que, a rigor, já tem quase dois anos) mostra isso. Não há por que transmitir outra noção numa matéria, senão essa. Eu me sentiria faltando com a verdade se fizesse de outra maneira. Especialmente nas circunstâncias em que foi concebida a tão criticada reportagem. Para a ocasião, o centenário da aviação era apenas o gancho, útil para introduzir o tratamento de um tema de fato contemporâneo e muito mais polêmico – a atual crise na aviação.
Fiquei satisfeito com toda a repercussão que a matéria deu e com as respostas que obteve. Mas vou sentir que estamos realmente no caminho certo quando cessarem as discussões sobre quem inventou um aparelho que, a rigor, é produto da criatividade de dezenas de mentes brilhantes ao redor do mundo (incluindo os Wright e Dumont), foi primeiro operado pelos Wright em 1903, desenvolvido independentemente por Dumont em 1906 e aperfeiçoado por outros tantos nomes importantes na história da aviação durante os anos seguintes, para começarmos a mergulhar sobre uma questão que realmente dá calafrios: o modelo atual de civilização capitalista selvagem e neoliberal está acabando com o sonho da aviação para o cidadão comum? O avião está condenado a se tornar apenas um instrumento de guerra? Estou certo de que Santos Dumont concordaria comigo em que essa é uma discussão muito mais importante do que se ele fez ou não o primeiro vôo da história a bordo de um aeroplano. Cordialmente,
Salvador Nogueira Leite Ceglia
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Ciência pouco científica – Alberto Dines
AGÊNCIAS REGULADORAS
No passado era pior
Caro Rogério, é possível concordar com muita coisa do que você disse. Realmente nada é perfeito, sempre se tem de tentar melhorar. Porém, não se deve deixar de notar que: hoje telefone não é jóia, é coisa que todo mundo tem; tempo de poder econômico era o período "estatal", quando as estatais não respondiam a ninguém pelo serviço fraco e três empresas detinham 90% do mercado de equipamentos de telefonia; o principal problema é que, devido à miopia do governo passado, que infelizmente continua neste, a renda da população caiu; o novo governo está fazendo uma baita propaganda para ver se consegue tirar o pessoal que não indicou, a fim de colocar "técnicos" que sigam o mantra do novo governo.
Rodrigo Carvalho
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AUTO-AJUDA
Matéria ignorou processo
O trabalho de Marcelo Marthe na edição 1.777 de Veja, "Auto-ajuda que funciona", não fez nenhuma referência a Lair Ribeiro. Será que ele já sabia que este escritor/palestrante está próximo a responder por não ter cumprido um contrato comercial? Esta ação já está no Superior Tribunal de Justiça. Ver no sítio <www.stj.gov.br>, processo AG 444299. Onde se lê Meta Suporte Global... leia-se Dr. Lair Ribeiro.
Pedro Luis Mello Lopes
ANA MARIA BRAGA
De "novo amor"
A revista Caras apresenta na capa "Ana Maria Braga com novo amor". Que novo amor o quê! Isso é uma grande palhaçada que a Globo arrumou pra que acabem os boatos sobre a homossexualidade da apresentadora, e com isso não abalar o ibope do programa, se já não abalou. O preconceito imperou desavergonhadamente. Montaram uma novelinha mexicana de uma velha senhora praticamente na terceira idade em seus 53 anos com um garoto que tem tudo pra ser apenas um garoto em busca de exposição na mídia, que tem praticamente a metade (32) da idade dela.
Seria muita inocência acreditar que mudar de preferência sexual como quem muda de roupa seria bem aceito por um publico cujo perfil, imagino, pode ser definido como senhoras de meia idade que não trabalham, ou se trabalham são domésticas, conservadoras, que esperam o marido para almoçar em casa. Podem me chamar de preconceituoso. Não estou levantando bandeira contra homo, hetero ou bissexual, mas pessoas em grande exposição devem ter um certo cuidado em preservar a intimidade.
Gilbert Luiz Dellajustina
INTEGRALISMO
Continuo lamentando
Desculpe, cidadão, mas defender fascismo nas portas do século 21 é ridículo, e continuo a lamentar a publicação do seu e-mail no OI. Mas, como devemos ser democráticos, devemos também conviver com estes absurdos. E eu sei sim o que foi o integralismo no Brasil, mas não quero nem comentar sobre isso, pois minha participação nesse assunto se encerra aqui. Senhor Dário, por gentileza vá para a Itália do grande Berlusconi, e não nos importune mais.
Alexandre Soares Cavassin
Pregação ousada
Estas cartas ["Surpresa desagradável" e "Todos totalitários", ver remissão abaixo] foram retiradas do Observatório da Imprensa de hoje, 19/3/03. É impressionante como o primeiro ousa pregar abertamente uma política de extermínio dos integralistas ou fascistas. Provavelmente deverá ele incluir até outros grupos nesse meio... O caso é que, fossem cartas pedindo o extermínio de comunistas, homossexuais ou outro grupo politicamente correto nos dias de hoje, as pessoas poderiam até responder a um inquérito policial, ou melhor, acho que o Observatório nem publicaria...
Roberto Cavalcanti
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Cartas sobre integralismo – Caderno do Leitor
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