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Edição de Marinilda Carvalho

A Globo matou Tim Lopes? Mel matou Tim Lopes? A polícia matou Tim Lopes? FHC matou Tim Lopes? Ou foi o FMI? Tim Lopes cometeu suicídio? Ou encontrou o que procurava? Era um louco? Era um herói?

A execução de Tim Lopes suscita todo tipo de explicação, mais e menos esdrúxulas – seja dos leitores, seja das autoridades. Enquanto isso, os traficantes deram um tempo nos tiroteios, pelo menos aqui em Santa Teresa. Deve ser a Copa do Mundo. Agradecimentos sinceros à família Scolari!

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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CASO TIM LOPES
Todos querem liberdade

Nossos jornais e telejornais não se preocuparam muito com a causa do assassinato desse grande jornalista brasileiro. A Rede Globo restringiu-se a elevar Tim ao patamar dos deuses, reforçando assim a imagem mitológica do jornalista-herói. Aquilo que Geraldinho Vieira chama de "complexo de Clark Kent". Ele subiu o morro, sim, mas o fez porque suas fontes confiavam que seriam preservadas. Quando decidiu usar dos artifícios de araponga, Tim assumiu os riscos de ser descoberto. Como jornalista experiente, deveria saber das conseqüências de uma traição no meio que investigava, tinha amizade com as fontes e se deparava com os riscos todos os dias. Descobriram a câmera e o mataram, pois esta é a Lei, o Estado e a Justiça dos oprimidos. Cansados da onipotência dos mais abastados, do seu espaço fazem suas vontades, já que não as teriam em qualquer outro lugar "civilizado".

Não se entra num morro como se passeia num parque. Tim tinha que ter uma relação muito estreita com os "marginais", amizade mesmo. Ele pecou em usar um equipamento que já havia usado antes. Não foi a primeira, nem a segunda vez que andava por aquelas paragens filmando o que não poderia aparecer. As fontes sabiam que era ele aquele que andava mostrando suas intimidades. E convenhamos, intimidade ninguém gosta de sair mostrando por aí, muito menos quando vem de uma pessoa em que você confia. É traição. Quando se trai se mata! Todos os Estados soberanos não a toleram, nossas esposas provavelmente não tolerariam e sabemos muito bem disso.

Tim confiou demais em suas fontes. Esse é um erro muito recorrente entre os jornalistas: achar que se está integrado num meio que não é o seu. Assim como os "políticos", os "marginais" também usam o jornalista como massa de manobra, se estão prejudicando suas ilegalidades, matam! Não há respeito, nem ilusão.

Gustavo Lucas de Oliveira, jornalista em Brasília

 

Nem todos querem liberdade

Sem desmerecer a gravidade do acontecimento, é notável a repercussão do assassinato do repórter da Rede Globo. Seria assim se fosse de outro canal? O senhor Tim Lopes foi à noite a um lugar perigoso, com câmera escondida, buscando uma notícia para ser apresentada com sensacionalismo em algum programa da Globo, e deu no que deu! Ou será que ele pensava que apresentando o crachá da Globo as pessoas que se sentiram ameaçadas por ele o deixariam à vontade para realizar o trabalho?

Pergunto, há liberdade de imprensa? Há liberdade? Onde no mundo há liberdade? O que é afinal liberdade? Lembrando o poema de Cecília Meireles: "Liberdade, palavra que o sonho humano acalenta/Que não há quem explique,/Mas não há quem não entenda." Eu considero o contrário. Liberdade, palavra criada para manipular as massas, que não há quem não explique, mas não há quem entenda.

Carlos Henrique

 

Quem finge denunciar

Sobre o artigo de Gilson Caroni Filho, "de quem finge denunciar" é perfeito. Esta é uma reflexão que dá pano pra manga, muito pano e muitas mangas. Michel Foucault profetizou tudo isso e tudo o mais que acontece e que está para acontecer. Parabéns.

Ana Oliveira

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Investigação ou espetáculo – Gilson Caroni Filho

 

O preço da omissão

Que luto enorme, ver um profissional no exercício de suas funções ser supliciado de modo tão bárbaro! A meu ver, o governo FHC tem a ver com isso! Enquanto se autopromove no pagamento dos juros da agiotagem estrangeira e faz vista-grossa para o social, o crime organizado toma conta de tudo, e temos esta inversão: o sacrifício da cidadania, de pessoas como Tim Lopes, inviabilizadas para sempre do cumprimento daquilo que sua consciência profissional lhes ditava; assim a sociedade civil constituída recebe mais baixas, em perdas irreparáveis! Por culpa do descaso no social, pelo policial impotente ante armas modernas do crime organizado, que tende a organizar-se cada vez mais se não se investir numa melhor formação da polícia em todos os níveis, polícia técnica, investigativa, cidadã e bem paga!

O que mais me impressionou foi a brutalidade com que o mataram, e o golpe sofrido por todos, principalmente os familiares! Lembrou-me a morte de outro jornalista, cujo nome jamais esquecerei: Nestor Duarte, sentenciado sumariamente numa delegacia de polícia. Não há limites, em execuções conduzidas por psicopatas! E como é indigno morrer assim sem critério, em mãos de pessoas que já abdicaram do respeito próprio e do ser humano!

Neste preciso momento, acredito que chegamos ao propalado estado de barbárie: infelizmente nutrido de cima, quando se instala no país uma cruenta guerra civil, sem fins civilizados, com as cidades inteiramente dominadas pelo tráfico, a conexão das drogas, cuja rota é nossa cidade, em rastros de fria degradação dos costumes, daqui e dos países que produzem e compram drogas!

Como o país decaiu a tal ponto? Como a cidade oferecida ao turismo é desvirtuada! Como criar uma polícia mais aparelhada, como propiciar o direito de comunidades carentes disporem do necessário policiamento, como se pode educar filhos em tão perverso e cínico campo de arbítrio?

De dívidas externas estamos cansados, pois mal são pagos os juros, a agiotagem nos acena com mais e maiores "créditos". Pagos pela omissão governamental de priorizar o supérfluo, em detrimento dos excluídos e da sonegação da cidadania às populações carentes! Todos pagam um alto custo: os ricos investem em aparatos sofisticados de segurança pessoal e os outros vivem à mercê de seqüestros e balas perdidas.

Como desarmar um tráfico de drogas que vêm das nossas fronteiras abertas e geram tais monstros? Como chegar-se à paz social? Quando a segurança será a principal urgência, quando chegará a vez da escola? Como as mães podem trabalhar sossegadas sabendo que suas crianças estão sendo aliciadas para o crime bestial sem limites? Falta governo, falta sensibilidade, quando em oito anos as coisas caminham vertiginosas a tal ponto. Para estar bem com credores, para omitir-se ante a corrupção instituída de senadores- candidatos, é duro ver-se o preço social da omissão!

Alice Franca Leite, professora universitária aposentada


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