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FOLHA EM JUNDIAÍ
Dois pesos (medidos pelo FMI)

Telefonei para a Folha Campinas, para perguntar por que demorou tanto para divulgar a notícia e os documentos pedindo a cassação do prefeito de Jundiaí, que estão rolando há mais de dois anos na Promotoria (que eu saiba, são públicos). Qual não foi minha surpresa quando o redator da Folha Campinas afirmou, concordando comigo, que Jundiaí não tinha mesmo cobertura jornalística da Folha por falta de jornalistas, e me sugeriu que, alem de reclamar disso ao ombudsman, que pedisse também para aumentar o quadro de repórteres para cobrir de fato esta região tão rica em anunciantes.

Infelizmente, não tive tempo de fazer uma carta ao ombudsman. Parece que há um desequilíbrio de repórteres: não há repórteres em Jundiaí, mas sobra em Santo André. O redator campineiro estava errado. O problema é administrativo, e tem a ver, acho, com a democracia: o jornal precisa ser mais democrático na distribuição dos jornalistas.

O prefeito de Jundiaí, em quem votei, está denunciado pelo Ministério Publico, e isso não é noticia para a Folha. Contra o falecido prefeito Celso Daniel, mais vivo do que nunca, pretendem abrir processo. Viva o FMI! Viva a imprensa brasileira, que apesar de tudo publicou este meu protesto.

Alberto Figueiredo

 

QUALIDADE NA TV
Programas rasteiros

São dezenas de programas cujo nível é o mais rasteiro possível. Só para citar alguns, João Kleber, Luciana Gimenez, Xuxa, Gugu etc. Só há uma solução: uma legislação que, em caso de flagrante desrespeito à dignidade da pessoa, retire o programa do ar (de preferência, a emissora) por, inicialmente, uma semana, e assim, gradativamente.

Ary Donato

 

LEITURAS DE VEJA
Duplo sofrimento no dentista

Enviei à Veja a mensagem abaixo.

Fernando Autran

"Senhor Redator,

Reclamei com o meu dentista: além de me fazer sofrer na famosa cadeira, submeteu-me, na sala de espera, à dramática opção de escolher entre Caras e Veja qual a ‘revista’ que me forneceria algumas informações enquanto aguardava a pequena e aterradora injeção de anestesia. Confesso que, de início, motivado pelo fato de ter Veja como única alternativa, fiquei tentado a descobrir na concorrente de vocês quem estava namorando quem e qual o vestido que dona fulana usou na festa tal. Mas a capa da Argentina foi mais forte, deixando-me perceber, de pronto, que ali tinha coisa. Mesmo vacinado contra o tipo de ‘jornalismo’ (com aspas, por favor) que vocês praticam, decidi verificar como o governo está fazendo a campanha do candidato José Serra em publicações desse nível. Foi então que fiquei sabendo:

1 – Na Carta ao Leitor, que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de não ter exercido nenhum cargo no atual governo, é o grande responsável pela crise que o país atravessa. Ele só não é o único responsável porque recebeu a ajuda, quem sabe involuntária, de um tal de Karl Marx, apesar desse referido senhor, como vocês tão bem informam aos seus incautos leitores, ter falecido em 1883;

2 – Em uma carta de um leitor, a primeira da seção, certamente selecionada por acaso, que ‘precisamos de alguém que nos mantenha no caminho traçado pelo melhor de todos os nossos presidentes: Fernando Henrique Cardoso’;

3 – Na seção Radar, que ACM e o candidato Ciro Gomes andam se falando muito ao telefone. ‘Devem estar roucos. Ou de ouvido doendo’, sugerem vocês, completando: ‘Com Lula, ACM também já teve algumas conversas – mas, em público, eles preferem negar esses telefonemas’. Pela maneira como a nota foi redigida, deduzi que o ex-senador nunca falou com o ‘melhor de todos os nossos presidentes;’

4 – Na seção Holofote, com a chamada ‘Collor e Ciro juntos’, que o candidato Ciro Gomes (sobre quem as publicações de baixo nível procuram sugerir uma semelhança com o ex-presidente) terá Collor em sua campanha;

5 – Na seção ‘Veja essa’, em citações de terceiros, certamente também selecionadas por acaso, que ‘O Brasil está condenado a eleger José Serra ou a mergulhar no caos’. (Ah, que saudades da antiga e combativa Folha de S. Paulo!) E ainda que ‘O vencedor vai suceder Fernando Henrique, estadista brilhante, para dirigir um país que não pode ser descrito como mais um da América Latina, mas como um continente dentro de um continente’.

Quando comecei a procurar a pancadaria em cima do candidato Garotinho, chegou a minha hora de tratar dos dentes. Deu tempo apenas de pegar o e-mail de vocês e anotar as barbaridades acima. Agarrando-me na cadeira do dentista, com a boca escancarada e ouvindo aquele barulho infernal do sugador de saliva, ainda encontrei raiva, e cidadania, para constatar: ‘ E esse pessoal da Veja ainda dorme!’

Atenção: por não confiar nessa revista, não autorizo a edição de parte deste texto. Redigi o mesmo indignado, com o único objetivo de expressar a minha revolta. Não tenho nenhuma pretensão de aparecer. Portanto, reservo-me o direito de exigir que não se utilizem do poder de manipulação que possuem para ‘pinçar’ parte do que escrevi. Autorizo, aqui e expressamente, a publicação integral deste texto, por essa revista ou por quem dele tomar conhecimento, assumindo total responsabilidade por ele, uma vez que está assinado. Fernando Autran"

 

MÍDIA ESPORTIVA
Guga não interessa à ESPNi

No artigo "Para a mídia, vitória não valeu", a autora escreveu:

"** Trocando de bola: Guga deveria processar a ESPN Internacional – que poderia assumir logo que é na verdade a ESPN Argentina. Detentora dos direitos de transmissão dos Abertos de Tênis, a emissora fez questão de não apresentar ao vivo nem um joguinho sequer do tenista brasileiro."

Sejamos honestos. Como a coisa tá feia pra todos os canais a cabo desde que a Argentina foi pro buraco, este ano eles pegaram as imagens da transmissão da ESPN 2 para os EUA. E nos EUA eles não estão preocupados com o Guga, aliás, nem com o tênis masculino em geral. O que dá audiência lá é o tênis feminino, porque é onde as americanas (as irmãs Williams e Jennifer Capriati) mandam. Moral da história: passou muito do tênis feminino (não dá pra levar a sério um esporte em que a jogadora mais famosa nunca venceu um torneio, mas é a campeã da propaganda); do tênis masculino passou muito dos americanos, incluindo o Sampras, que não ganha nem resfriado no saibro, e o resto é o resto – incluindo Guga.

Ano passado, por exemplo, com a transmissão própria da ESPN América Latina, vimos todos os jogos do Guga. E acho que passou um jogo, sim, ou mais de um? Não me lembro, mas que passou, passou.

Cesara Cardoso

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