Edição de Marinilda Carvalho
Nesta edição, cartas com sabor de picadinho. O leitor não se deteve num só prato: provou vários assuntos, de Roberto Marinho (ainda) a software livre (sempre), do blecaute em Nova York ao aquecimento global, da censura nas artes à saga de um doutorando, da agressão à prefeita à "janta" em palácio.
Alguns glutões demonstram fome voraz, e enviam cartas pantagruélicas! A boa leitura adverte: evitemos indigestão...
A todos, bom apetite!
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. E se reserva o direito de solicitar ao remetente o número de seu telefone para eventuais checagens de informação. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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ROBERTO MARINHO
Esclarecimento da Globo
Gostaria de aproveitar a análise feita por Luiz Antonio Magalhães [veja remissão abaixo] para esclarecer alguns pontos que acho fundamentais:
1) É política da TV Globo corrigir toda informação errada a seu respeito. Se isso é trabalhoso e volumoso, deve-se à parte da imprensa que acolhe versões sem pesquisar a realidade. Não questionamos teses e opiniões, mas rebatemos erros factuais. Vale registrar que não foi somente Época. Folha e Veja também concluíram que era melhor não dar nota de redação contestando as correções.
2) Não houve nenhum ‘‘festival de cartas" às redações. Foram apenas três cartas, para Folha, Época e Veja.
3) Diferentemente do que diz o texto, em vez de constrangimento, sentimos orgulho por trabalhar numa empresa jornalística cuja direção, ao discordar do que é publicado num veículo de sua propriedade, no lugar de uma atitude autoritária, recorre ao mesmo expediente democrático usado para concorrência: um legítimo pedido de direito de resposta. Essa atitude traduz um dos princípios do Dr. Roberto, que sempre acolheu nos seus jornais profissionais sem patrulhar ideologias. Um dos valores enaltecidos até por seus adversários mais radicais.
4) Quanto ao que o articulista chama de peroração, fazemos o mesmo convite que foi feito aos demais órgãos – que preferiram apenas acolher sem réplica as nossas contestações – para que venham conhecer nossos arquivos. Poderão verificar que não são apenas informações da Central Globo de Comunicação, mas a realidade dos fatos distorcidos nas reportagens questionadas. Não é história oficial da Globo, é a verdade sobre como a Globo procedeu nesses episódios. Atenciosamente,
Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação
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Globo
puxa a orelha da... Globo – Luiz Antonio Magalhães
História do império
Há publicações das quais a gente não pode perder um número. Somente ontem, lendo a seção de cartas, me dei conta do belíssimo artigo do professor Gilson Caroni Filho, "Epifania editorial". Com 15 dias de atraso li aquele que terá sido o mais belo dos artigos sobre a recente história do império global. A cada publicação dessas, o slogan do Observatório é reafirmado: "Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito."
Beatriz Avner
Aí é demais
É comum se ouvir dizer que, no campo das artes, principalmente, o sujeito só tem seu mérito reconhecido depois de morto. Não é totalmente verdade. Afinal, o Prêmio Nobel não é distribuído à revelia, e os grandes homens e as grandes mulheres não vivem fora das sociedades e da realidade. (...) Entretanto, depois que o santo morre, aumentam os seus milagres. E assim, quando morre uma pessoa que já era consagrada enquanto viva, todo mundo tem uma história fantástica com o falecido para contar. Umas verdadeiras, outras não. Rapidamente o defunto se torna, na boca do povo, "uma pessoa à frente do seu tempo" e por trás dos adjetivos elogiosos (alguns muito criativos, aliás) se esconde não sei se a ligeira intenção de receber algum quinhão da herança ou uma simples manifestação de insanidade coletiva, ou os dois.
(...) Eu gostaria de saber, por exemplo, por que é que o Chacrinha é considerado um gênio da televisão. Se é, por que o Bolinha não pode ser? Será que o Faustão também vai virar gênio depois que morrer? Realmente é indiscutível que Roberto Marinho, morto este mês, foi um visionário. Foi também um empresário astuto que usou a Rede Globo como instrumento de manobras políticas tortuosas. Mas não vamos citar a edição do Jornal Nacional na antevéspera do segundo turno da eleição presidencial em 1989, feita sob a sua supervisão, e nem pensar nas intimidades que manteve com o poder ao longo dos governos por um único e sagrado motivo: não se deve falar mal dos mortos.
Mas "pai da democracia", convenhamos, já é demais.
Fernando Machado Borges de Lima, estudante de Jornalismo
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