26/08/2003 6/11

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BLECAUTE EM NOVA YORK
Na maior cara de pau

O pior da cobertura jornalística sobre o blecaute no Nordeste dos Estados Unidos é que pontos sensíveis e de maior interesse não foram ditos, mas isto é uma forte característica de nossa imprensa globalizada. No início se falou de um raio, agora existe a possibilidade de um vírus de computador. Depois de toda esta cobertura da mídia a conclusão é nenhuma, a única verdade é que uma grande parte da população ficou misteriosamente sem eletricidade por várias horas. Nos últimos tempos têm ocorrido situações estranhas em solo estadunidense, por coincidência tudo está vindo no governo Bush. Será que este apagão foi mesmo falha técnica? Quem é da área de engenharia sabe que num sistema de transmissão elétrica existe uma compensação entre os diversos subsistemas se parte da rede entra em colapso. Assim, era esperado que outras regiões dos EUA suprissem a falta de eletricidade do tão estratégico Nordeste do país.

Agora, na maior cara de pau os incompetentes ianques, que se autoproclamam uma "superpotência", mostram um sistema de distribuição e de geração de eletricidade de Terceiro Mundo. Pelo menos em uma coisa eles são iguais a nós. (...) A mídia teve papel fundamental para criar esta aberração. Agora todos passam por mentirosos. (...) Sinto frustração por saber que meus heróis e as tão repetidas democracia e liberdade não existem mesmo. E repugnância em saber o mal que esta mídia nefasta tem feito em meu pensamento durante décadas. Hoje meu espírito está cheio de feridas e cicatrizes.

Luciano Arruda, engenheiro civil, Recife

 

Bolhas e partos

Minha filha, que mora em Nova York, mencionou que, uma vez na rua numa tarde ensolarada e quente, a multidão parecia calma e, acima de tudo, solidária. Ela voltou para seu apartamento a pé, numa caminhada de uns 9 km. A única conseqüência negativa que sofreu foi uma bolha no pé por não estar calçada com sapatos para tal. Esta atitude contrasta com a do apagão um quarto de século atrás, em que muitos se aproveitaram da escuridão para pilhar lojas e fazer arruaças. E nove meses mais tarde, as maternidades registraram um enorme surto de partos.

Erlo Roth, Hinsdale, Illinois, EUA

 

Dor de cotovelo

Infelizmente, uma (boa) parte da imprensa brasileira é como uma (pequena) parte dos nossos cidadãos: lamenta não ter nascido estadunidense – morre de dor de cotovelo. E mostra que, entre nós, tudo o que é relativo aos EUA é especial (tenho de reconhecer que eles, os americanos, são muuuito bons em propaganda ideológica). Lembro que apenas alguns poucos sites (de ONGs e outras entidades que não a imprensa), na época do aniversário de um ano da tragédia nova-iorquina, perguntaram por que não estava sendo lembrada, também, uma outra tragédia, ocorrida num outro 11 de setembro: a do ataque ao palácio do governo chileno – aqui na América do Sul –, que resultou na morte (ou melhor, no assassinato) de Allende e, por muitos anos, em ditadura...

Senhores, podem contar com isto: no próximo 11 de setembro (dentro de poucos dias, portanto), haverá muito mais EUA, muito mais NY, muito mais Trade Center ocupando espaço entre nós do que qualquer outro fato.

Romilda Raeder

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