26/08/2003 7/11

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EXCESSOS & OMISSÕES
Banestado, MST, estranhezas

Outro dia assisti a um depoimento incrível na TV Senado, a respeito do escândalo Banestado, do procurador Luis Francisco. É escândalo para ninguém botar defeito. E vem a pergunta: não é estranho que a grande imprensa pouco se pronuncie sobre tão grave acontecimento, ao passo que qualquer invasãozinha do MST, por exemplo, seja primeira página? Outra coisa: a TV Senado não deveria ser aberta (quero dizer, independente de cabo ou satélite) para atingir um público maior?

Roberto Emery Trindade

 

Para a maioria, sonho

Apenas um pequeno "reparo" ao artigo. Certo que a tecnologia atual permite que pela internet sejam distribuídos os mais diversos produtos, como estações de rádios, filmes etc. Certo também que os aparelhos vendidos têm configuração antiquada, a exemplo do toca-fita embutido.

Pelo menos no Brasil, porém, dispor de internet em casa é um sonho para a maioria dos brasileiros, e a coisa não vai ser resolvida em curto espaço de tempo. Em primeiro lugar, para se ter acesso a esses conteúdos, como rádio e filmes, é necessária uma conexão de banda larga. Os que se utilizam de conexão discada sabem muito bem do que estou falando.

Neste caso, dada a infra-estrutura de comunicações de que dispomos, bem como a escassez de investimentos nesta área, o sonho ainda permanecerá por muito tempo. Talvez para uma reduzida minoria no Brasil e para muitos nos EUA, a realidade seja diferente. Temo que por muito tempo ainda nosso povo necessite da configuração atual para ouvir música, rádio etc.

Antonio Carlos Mascaro

 

Latifúndios da mídia

Assino embaixo tudo o que o Dioclécio Luz escreveu em sua carta ao Tales, um dos muitos representantes da mídia compromissada em manter os latifúndios da comunicação. Fazemos parte da redação do EstAÇÃO HIP HOP, jornal mensal que circula nas periferias desse Brasil com tantas injustiças e que sobrevive graças às correrias dos manos que neles estão envolvidos.

Adunias da Luz

Leia também

Linguagem truculenta – Dioclécio Luz

 

Censura na arte

Tenho lido nos jornais que a censura tem voltado a tomar conta da arte. O polêmico diretor teatral Gerald Thomas baixou as calças na sua estréia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e será processado por isso. No interior paulista, em São José dos Campos, uma peça de teatro é censurada por o título se referir ao órgão genital masculino. Até quando nossa república vai ter isso? Já estamos no século 21, e a liberdade de expressão não é respeitada. Quem não quiser assistir a peças ou ler livros ou sites com temas sexuais ou outros tabus que não leia. Devemos respeitar quem não gosta, mas quem quer ver que veja sem nenhum incômodo. Temos que respeitar os direitos de todos para que sejamos respeitados em nossos direitos.

Gerald Thomas ou o autor da peça O diálogo do pênis são criadores e cabe a eles discutirem e proporem o novo. Neste caso já não é tão novo assim, pois desde os anos 60 já se vêm desenvolvendo atividades culturais nesta linha. Nos anos 90, em São José dos Campos, os editores do jornal Litter, editado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, foram vítimas deste mesmo tipo de acusação. No caso, usavam o apoio de uma instituição pública – que não é o caso das produções citadas acima. Precisamos de um povo que aprenda a conviver com as diferenças; como diz o poeta Reinaldo de Sá, não estamos mais numa província do século 18, e sim em pleno século 21. A liberdade e a democracia servem para todos, com diferenças e igualdades.

João Carlos Faria, São José dos Campos

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