AQUECIMENTO GLOBAL
Será o cosmo "de direita?
É um artigo muito estranho. Inicia dizendo ser impossível não associar a onda de calor da Europa com o aquecimento atmosférico provocado pelo efeito estufa, e que o papa ilustra as primeiras páginas por fatos assustadores previstos pela maioria dos modelos que tentam prever as mudanças climáticas, mas conclui a seguir que esses modelos são incapazes de dizer com segurança absoluta quais mecanismos atuam sobre o aquecimento (?) atmosférico e identificar se são naturais ou causados pelo homem.
Logo apresenta um rol de temperaturas que deveriam ser surpreendentes, senão impossíveis, uma menção ao conservadorismo da Igreja Católica em assuntos da esfera sexual e da reprodução, passando por uma crítica à parte da imprensa que não concorda com o alarmismo ambiental, terminando por colocar o presidente americano G. Bush na discussão como um porta-voz dos conservadores que supostamente só têm interesse em fritar a terra em CO2.
Este tom contrasta em absoluto com as notícias disponíveis na internet de várias fontes, de estudiosos que estão sinceramente preocupados com o clima da Terra, seu passado e a possibilidade de prever suas alterações. (...) No caso da Inglaterra, onde as temperaturas mais altas foram registradas, fenômenos locais foram muito mais importantes que fenômenos globais (medir temperaturas dentro de cidades ou próximas a atividades humanas – o Aeroporto de Heatrow, por exemplo – que produzem calor, é a maneira mais comum e mais fácil de falsificação. Aliás, nem mesmo regionais tais fenômenos foram, tendo em vista que cidades próximas apresentaram temperaturas muito mais amenas http://www.vision.net.au/~daly/index.htm. A hipótese de um aquecimento global deveria também contemplar um inverno mais quente no hemisfério norte, e não foi isto que vimos <http://www.helsinki-hs.net/news.asp?id=20030108IE1>. Na Áustria foi registrada a mais alta temperatura desde 1768, o que se por um lado significa que o clima pode ter esquentado, também significa que ele já foi mais quente. E não há como culpar a atividade humana pelas altas temperaturas de 1768.
Mas tudo leva à questão seguinte: a temperatura da Terra vai aumentar no futuro? Ninguém sabe, mas é muito provável que sim, e depois vai diminuir novamente, pelo menos se nossa conclusão for baseada no que sabemos do que vem acontecendo nos últimos milhares de anos. E outra questão também é relevante. O aquecimento global pode ser benéfico à humanidade? Aparentemente sim, pois vastas áreas férteis hoje impossíveis de arar ou cultivar se tornariam disponíveis <http://www.globalwarming.org/science/trends.htm>. Não podemos esquecer que existem relatos de que a Groenlândia (Greenland, Terra Verde), hoje quase que completamente coberta por gelo, já foi apropriada para a agricultura <http://www.greenland-guide.gl/leif2000/history.htm>. (...)
Jornalistas e cientistas, quando em ambiente de extrema competitividade, como é o caso dos países industrializados, têm em comum o fato de serem muito cobrados quanto a resultados. Cientistas têm que mostrar produção, sob o risco de perder bolsas de estudo, ajudas de custo e até o próprio emprego. Isto somado a outros fatores freqüentemente leva à prática de uma falsa ciência, ou melhor, de disfarçar opiniões e palpites com uma veste científica, o que para leitores desavisados pode ser traiçoeiro.
Verdades são produzidas e desmentidas num ritmo alucinante, o que leva algumas pessoas a se organizar para separar o que é sério daquilo que não merece credibilidade <http://www.junkscience.com/> e <http://www.str.com.br/principal.php<. Já os jornalistas têm que diariamente produzir a notícia, o que ocasionalmente leva à simples fraude <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/mo120820034.htm> e mais freqüentemente ao sensacionalismo <http://www.news.scotsman.com/index.cfm?id=888392003>. Nos principais jornais brasileiros as notícias relacionadas ao aquecimento global estão ainda restritas aos espaços dedicados à ciência, e não às páginas mais importantes, mas como temos o hábito de copiar maus hábitos, isto pode mudar.
Quem não lembra das noticias alarmantes de anos atrás, quando se julgava que uma nova idade do gelo estava prestes a começar <http://www.globalclimate.org/Newsweek.htm>? Não me surpreenderia se os alarmistas que antes assustavam seus leitores com a hipótese de morrer de frio fossem os mesmos que hoje os assustam com a hipótese de virar cozido.
O autor, ainda fazendo ironias impertinentes ao papa (como saber a opinião do papa sobre atividade vulcânica?), sugere que acreditar que o aquecimento global seja natural é conseqüência de posturas ideológicas. Mas esperem aí, as bem registradas idades do gelo, que periodicamente congelam boa parte da Terra, são resultado de alguma postura ideológica? A Terra não vem esfriando e esquentando independentemente do homem, ou de ideologias, desde sempre? Quem introduziu a ideologia na questão climática? O papa?
Estudos mais recentes começam a mostrar que até ciclos cósmicos estão relacionados com a temperatura de nosso planeta <http://www.revue-politique.com/7,article,rp200307,29,0000x0000p0003.htm>. Será o universo ideológico? Terá o universo uma postura ideológica conservadora? Será o cosmo "de direita?
Acreditar que fontes alternativas de combustíveis sejam hoje a solução é ingenuidade. Além de pouca, a energia fornecida por estas fontes são muito caras, e freqüentemente poluem tanto ou mais que o petróleo, por exemplo. Basta ver um "campo de ventiladores" que são as usinas eólicas, como na propaganda televisiva do Ford Ka, para se entender a poluição visual e sonora gerada. Pássaros morrem aos milhares vítimas das lâminas dos cata-vento. E sim, elas também produzem calor. Uma célula foto-elétrica leva mais de 70 anos para produzir a energia que foi gasta para fabricá-la. As fontes alternativas de energia nos dias de hoje só têm aplicação em lugares remotos, afastados das linhas de transmissão elétrica. E as fontes de energia renováveis são um retrocesso, pois o álcool é, de certo modo, apenas a sofisticação de uma das maneiras mais antigas e mais "sujas" de se obter energia: a queima de madeira.
Não sei dos motivos da saída de M. Tuffani da revista Galileu, julgada pelo autor como oportunismo dos executivos da Globo interessados em lucro, nem estou aqui para defender a Globo. Mas acreditar que executivos ambiciosos são uma ameaça à educação científica e que jornalistas com posturas éticas semelhantes às do autor sejam benéficos ao avanço da ciência é o mesmo que achar que a economia de mercado é incompatível com o avanço científico. Basta olhar para os países com maior avanço científico para se dar conta de que isto é falso, não tem fundamento (científico).
A compreensão das questões relacionadas ao clima precisa de ciência séria, e de cientistas sérios (http://www.greenspirit.com/lomborg/, por exemplo), não de ativistas ambientais interessados em criar dificuldades para vender facilidades, ou em dar soluções para problemas que não existem. Deixadas estas questões nas mãos dos ambientalistas, propostas ridículas como a criação de um imposto sobre os gases produzidos pelo gado, a ser pago pelos proprietários <http://www.nbr.co.nz/home/column_article.asp?id=6368&cid=20&cname=> na Nova Zelândia, poderão ser levadas a sério pelos eleitores. Acreditar que a produção de gases do efeito estufa pela sociedade industrial provoca o aquecimento global é desconsiderar que a produção destes mesmos gases por todos cupins da Terra já foi estimada em 10 vezes maior. Por tudo isso, não é a toa que Niger Innis, porta-voz do Congresso da Igualdade Racial [Congress of Racial Equality, de Nova York] chama o Greenpeace de "uma poderosa elite de ativistas do primeiro mundo cuja agenda agressiva coloca as pessoas em último lugar".
Ao pretender que se mude o comportamento da humanidade toda, ou que se use a mídia para a mudança do tal paradigma, sem evidências científicas, o autor mostra sem disfarces sua real intenção, isto é, usar a ciência ambiental para fins ideológicos, e é evidente que o autor se torna culpado das acusações que faz ao papa, à mídia, aos empresários capitalistas e ao presidente americano.
Jorge Valentim Filho, Rio de Janeiro
Ulisses Capozzoli responde
Jornalistas, como no mito de Sísifo, estão condenados a escrever, eternamente, a cada dia que nasce. Fazemos isso sem a preocupação de agradar a quem quer que seja. Eventualmente, recebemos críticas e as respondemos, se julgamos procedentes. Nos dias que correm, no entanto, nem as críticas que de alguma forma nos consolariam valem minimamente a pena. O niilismo nietzschiano é a própria realidade. (U.C.)
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SAGA DE DOUTORANDO
Li na íntegra
Pedro, você conseguiu o que queria. De todos os textos do OI de hoje, só o seu eu li na íntegra. Pode procurar uma história, que certamente será um bom livro – para viajar e sonhar. Saudações da colega,
Fabíola Oliveira
Jornalismo mágico
Bonita crônica, sensível, bem-escrita, atraente, aliás como convém a um jornalista literário. Ou não será crônica e sim um retrato de vida? Um retalho autobiográfico? Uma fotografia digital de um futuro romance de "jornalismo mágico"?
Paulo Roberto de Almeida
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