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BIG BROTHER & CASA DOS ARTISTAS
Um futuro a formatar

Estamos no terceiro milênio e perdidos em nossas esperanças e lutas. Pode-se dizer, sem rumo e sem coragem para a construção de nossa história. O sentimento que nos consome não passa de um "vazio", alternado por uma curiosidade e uma futilidade mórbidas, mas que vão, aos poucos, alimentando nossas ansiedades. E assim a vida vai passando. O programa Big Brother faz sucesso em diversos países do (primeiro) mundo. Chegou ao Brasil, com um espaço extraordinário na mídia. Pode-se afirmar que sua exibição tenciona, entre outros objetivos, achatar cada vez mais a "massa" da qual somos integrantes, não importando sequer o nosso grau de escolaridade ou classe social.

Aos verdadeiros donos do "quarto poder" e todos os seus "sócios" não interessa que a população seja consciente e conhecedora dos problemas do nosso país. Interessa que seja passiva, obediente e que, nas eleições, cumpra o seu papel na eleição dos sucessores dos que ocupam o poder político ao longo dos anos.

Mas a história poderá ser diferente. Cabe a nós formatar o futuro para que outras gerações possam se orgulhar do que construímos. Para isso, temos que resgatar nossa dignidade, estudando, pesquisando, lutando, debatendo e votando com seriedade. Às vezes um rosto menos atrativo e com pouco ou nenhum espaço na mídia é justamente o que representará melhor nossos reais interesses. Basta pesquisar. O dia em que tivermos consciência para boicotar programas de TV que nada acrescentam ganharemos um tempo precioso para dedicar a outras atividades que freqüentemente ficam de fora de nossas vidas por absoluta "falta de tempo". É uma questão de opção.

Jussara Malafaia

 

TV avacalhada

Vejo que há uma grande discussão sobre a pertinência de programas como Casa dos artistas e Big brother. Particularmente, acho que a TV em geral está avacalhada. Fico me perguntando se a TV reflete o comportamento da sociedade ou se o provoca, se o constrói. Tenho uma tendência a acreditar mais na segunda hipótese. Nesse caso, certos programas são um ato de violência contra o cidadão. Esta semana o Estadão publicou artigo de Álvaro Lazarini, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que em minha opinião reflete muito bem o caos que tomou conta de nossa sociedade. Gostei muito do artigo e acho que vale a pena continuar promovendo a discussão sobre o papel da imprensa, especialmente da TV, sobre o comportamento coletivo.

Mônica Berton, servidora pública federal

 

O mais vil dos negócios

A frase "cada povo tem o governante que se merece", poderia aplicar-se à imprensa. Porém, seria injusto com esse povo sofrido, sem incentivo nenhum, com as pessoas simples que nunca tiveram outra opção de cultura (!?) ou lazer, a não ser a TV. A maior nível educacional, maior responsabilidade. É claro que a culpa pertence a esse arremedo malfeito de imprensa, e que temos o desgosto de sofrer. Há muito tempo, um dono de jornal disse mais ou menos assim: "O jornalismo pode ser a mais nobre das profissões ou o mais vil dos negócios." Acho que dispensa comentários no que se converteu aqui.

Víctor Manuel Oporto Lopez

 

Reflexos da contradição

Concordo plenamente: existe uma tendência social evidenciada em grande parte da sociedade capitalista americanizada, a do voyeurismo. Mas penso que devemos nos perguntar o porquê deste prazer de olhar a "intimidade", de famosos ou pretendentes a tal. Na verdade, o voyeurismo sempre existiu e sempre existirá, e não me restrinjo aqui simplesmente a ver o ato sexual ou partes do corpo, mas a um prazer mais amplo – o de observar e admirar. Por que o voyeurismo atinge os meios de comunicação do mundo todo?

Penso que esta marca social atual representa uma busca popular do real, do autêntico, da essência – apesar dos reality shows de nada, ou quase nada, terem de real, autêntico ou essencial. Apresentam-se como um desejo, com toda a gama de superficialidade e culto ao aparente, características de nossa sociedade capitalista. Representa um retorno, uma contramão em direção à essência. Quantos de nós não estamos cansados da escravidão do status, da competência, da aparência etc., para sermos "aceitos" socialmente?! É a cultura do exibicionismo, do prazer de mostrar. Na verdade, estamos tentando equilibrar a relação exibicionismo vs. voyeurismo.

Por que a busca da essência em programas que de nada têm de reality, mas são pura aparência? Esta busca da realidade também é vendida, e muito bem comprada. É a contradição de nossa sociedade. Ela compra um produto para fugir do superficial, do fingido, que na verdade é o fingimento e a superficialidade. É o poder do marketing negativo. A venda pela venda. Será que o povo realmente quer ver realidade? Penso que a maioria não a quer! Ou aqueles terríveis filmes da série Faces da morte já teriam conquistado o Oscar em Hollywood.

Falando na Meca (financeira, e não artística) do cinema mundial, ela também tem refletido este desejo em direção ao fundamental. Seja explicitamente, como em Clube da luta e Beleza americana (entre outros), ou inconscientemente, como a série de filmes de destruição, física mesmo, da sociedade capitalista, quando não de seu quintal – o resto do mundo, como eles gostam de pensar. Por que tantos filmes de destruição, mesmo com vitória dos mocinhos da democracia? Certamente esses filmes são movidos por este desejo de destruição da sociedade americana de aparências. Está todo mundo cansado de tudo isso. Este desejo, tão expresso por eles, inspirou a sociedade provavelmente mais essencial (até demais, no meu modo de ver, já que restringe o acesso à cultura, ao lazer e à liberdade de escolhas pessoais) que existe no mundo de hoje, a sociedade talibã.

Tiazinha, Feiticeira, Kleber e Bruno talvez sejam o ponto "ideal" para a mídia e grande parcela da sociedade satisfazerem seu desejo de realidade e essência, sem se chocar com o mundo real. Será que só existe esta forma de satisfazermos este desejo? Vamos refletir.

Alan de Paula

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