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ECOS DE MOMO
Desligue o televisor!

Magnífico o professor Sodré! Infelizmente, a grande maioria da nossa gente não sabe identificar o que é lixo e o que é útil, por uma grande falha no sistema educacional. Quem só teve enlatados estragados para consumir não sabe apreciar coisa melhor; não pode apurar seu paladar. Assim acontece em relação aos programas de televisão.

Além do mercantilismo, existe a falta de criatividade e o total descompromisso com a cultura. Até a nossa música foi banalizada. São sempre os mesmos cantores, os mesmos requebros, os mesmos ritmos, os mesmos chavões... Onde estão Caetano Veloso, Nana Caymmi, Leila Pinheiro, Djavan, Paulinho da Viola, Emílio Santiago? Onde os teatros de Sérgio, de Fernanda? A banalização, a erotização, a baixaria, a violência, a farsa são os ingredientes utilizados sem qualquer escrúpulo, sem respeito, em diversos programas de televisão. Diante disso, e porque todos acham que tudo podem, só nos resta uma escolha: desligar o televisor!

Zaira Machado

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MÍDIA E SAÚDE
Falácias sobre a dengue

Triste o papel da mídia na construção da idéia de que a dengue é apenas uma febre de verão que ataca os cariocas em ciclos porque deixamos pratinhos embaixo das violetas. Perdi uma amiga na falácia do enfarto, que os médicos teimam em registrar no atestado de óbito. O corpo que nos trouxeram para vestir parecia de outra pessoa. Pensei que o enfermeiro errara de maca. Era evidente que ela morrera de choque, com o derrame de todos os líquidos entre os tecidos. Mas o atestado dizia enfarto fulminante e para escrever isso levaram horas.

Há uma falácia da medicina e outra da mídia. Cadê as pautinhas básicas? Afinal, o que é, como tratar e como se morre de dengue? Tudo que se publicou até este ano iludiu a população e minimizou a peste. Destaque para a excelente entrevista que Flavio Pinheiro publicou no NO. (ver em <www.no.com.br/revista/noticia/58520/1014087680000>). Com outra que Lucia Leme fez na TVE na semana passada, são as únicas referências confiáveis. As únicas que não tiveram medo de declarar a ignorância da medicina e das autoridades diante desse mosquito.

A mídia não economiza palavras e imagens sangrentas quando é para falar da violência das cidades. Ou das guerras dos outros. Mas teima em vender uma imagem cor de rosa desta que é uma das piores doenças transmitidas por mosquitos.

E a grande mídia não explicou direito, até agora, por que ainda temos epidemias tropicais e equatoriais no século 21 (ler no NO. "De como o Aedes egypti reinfestou o Brasil", de Sergio Goes de Paula, em <www.no.com.br/revista/noticia/58884/1014327888000>). Falha do poder público, falta de carro e pozinho (que é lavado na primeira chuva) é falácia. Quero mais.

Ana Lagoa

 

RACISMO
Denúncia do apartheid

Gostaria de parabenizar o procurador Eugênio José Aragão pelo brilhante artigo intitulado "O governador e o Tribunal Penal Internacional". Sem dúvida, foi o único a manifestar compreensão da gravidade do ato praticado pelo governador, o que nossas autoridades preferiram ignorar ou minimizar. Eu, como cidadã e integrante da raça negra, desde o primeiro momento enxerguei como de extrema gravidade aquelas 16 palavras que choram (segundo Roberto Pompeu de Toledo) exatamente por terem sido proferidas por um governador. Mas não havia lido nem ouvido nada que corroborasse minha forma de pensar até domingo, quando me deparei com o artigo do procurador publicado no Correio Braziliense.

Parabéns, procurador, com certeza o Estado está investindo muito bem em mantê-lo aprofundando seus estudos, pois, como se vê pelo artigo, o retorno será de fundamental importância para a construção da nossa democracia, que passa, sem dúvida, pela eliminação do verdadeiro apartheid em que vivemos.

Faz-nos sentir menos abandonados na luta pela igualdade racial saber que existe uma inteligência como a sua a pensar e a construir teses em defesa dessa causa.

Maria Raimunda Mendes da Veiga

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