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TARSO GENRO
Só para eruditos

Em recente artigo publicado no Correio Braziliense (3/2/2002), com o título "Entre Max Weber e Carl Schmitt", Tarso Genro, atual prefeito de Porto Alegre e membro atuante da executiva petista, com um olho voltado para o denominado Encontro dos Excluídos – em realização na cidade sob seu controle político, em oposição ao Fórum Econômico Mundial, então desenvolvendo-se em Nova York – e o outro direcionado ao Palácio Piratini, busca explicar a crise mundial desencadeada pela crescente Era da Globalização. Para tanto, apóia-se em seu conhecimento das idéias dos alemães Max Weber (economista e sociólogo) e Carl Schmitt (jurista), falecidos, respectivamente, em 1920 e 1985, e, paralelamente, tece considerações sobre a propalada "democracia moderna" e a "desejável", prometida por líderes do chamado Primeiro Mundo e alguns poucos do Terceiro, caso de FHC.

E assim agindo Tarso Genro entendemos que, se por um lado as idéias ali expressas resultam em bela peça de retórica e o colocam em meio à "inteligentzia" do Partido dos Trabalhadores, em contrapartida, por incapazes de atingir a massa de leitores e eleitores brasileiros, o arrastam apenas, se tanto, para o seleto mundo de não menos conhecido companheiro de agremiação, o prolixo senador Eduardo Suplicy.

Enfim, diante das ponderações ora feitas, que não se julgue que consideramos pomposo e inútil (sob ponto de vista pragmático) o artigo do senhor Tarso Genro. Entretanto, ao inserir-se e manter-se no seleto mundo dos formadores da opinião pública, e ao buscar aproveitar-se da mídia presente ao Encontro dos Excluídos e, desse modo, quem sabe, alavancar sua candidatura ao governo gaúcho, como se propala, ousamos crer que sim. Porquanto, à exceção dos cabeças-pensantes de seu partido, de alguns integrantes da comunidade acadêmica e uns poucos leitores privilegiados – sobreviventes, em um universo de analfabetos e semi, cujo índice de leitura não alcança um livro por ano! –, suas palavras passarão ao largo do público-alvo dos desacertos da globalização implantada pelas (e para as) grandes potências.

Por último, para melhor compreensão do literato texto do senhor Tarso Genro, faz-se necessário, antes de mais nada, uma prévia e dedicada leitura da obra de Max Weber, criador da chamada "sociologia compreensiva", falecido logo após a debacle da Alemanha na Primeira Grande Guerra, e, naturalmente, a do controvertido ex-aluno de Weber, o jurista Carl Schmitt. Este último, considerado o mais importante constitucionalista do século 20, ao sabor do momento e acontecimentos: ora acirrado crítico do liberalismo, do sistema parlamentar (sob certos aspectos), ora defensor do poder absoluto do Executivo (da ditadura?), filiado ao partido nazista e anti-semita porém, paradoxalmente, expulso e preso sob a acusação de manter amigos judeus e ser católico!, e ao fim da guerra novamente preso e mantido no cárcere até ser absolvido pelo Tribunal de Nuremberg; o que não o livrou de ser expulso e impedido de retornar à cátedra. Mesmo assim, graças à excepcional longevidade (viveu quase 100 anos), mantendo incólume seu temperamento e trabalhos em defesa do Poder Executivo; mesmo que sob a égide totalitária!

José Maria Leitão

 

OBRIGADO, OBRIGADO
Além das contas do mês

Sempre que possível leio os artigos de Alberto Dines. Gosto muito de sua forma clara e objetiva de escrever. Gosto também do programa Observatório da Imprensa – a análise das notícias, os comentários dos participantes. Lamento que apenas uma minoria de brasileiros esteja interessada em ler, ouvir, observar as notícias nos meios de comunicação procurando vê-las, desapaixonadamente, com espírito crítico.

Como a fome tem pressa, o emprego não espera retardatários e as contas, ainda que tardem, não falham, a observação da maioria absoluta, infelizmente, ainda é observar as contas a pagar no fim do mês. Continue a batalhar, de olho na notícia, prezado jornalista. O bom professor luta em sua sala de aula para despertar o interesse pela formação e o profissionalismo de seus alunos. Um despertar, mais um professor a lutar por melhores dias no país.

Claudia Nunes

 

Formação de pensadores

À equipe do programa Observatório da Imprensa, meu profundo agradecimento pela seriedade e a crítica jornalística, que visa a formação de pensadores na "massa" tão cansada de banalidades e omissão por parte de profissionais esquecidos de sua grande missão: ousar diante da máquina capitalista, contribuindo para uma sociedade de valores, pois antes de sermos jornalistas temos de ser cidadãos.

Cássia da Silva Relva, estudante do agora chamado "jornalismo idealista"

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