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Edição de Marinilda Carvalho
Tenho acompanhado o movimento gaúcho Midi@Ética <http://www.zerofora.hpg.ig.com.br/index.htm>, de protesto contra o Grupo RBS, por se tratar, provavelmente, de um caso inédito no país, em que uma iniciativa solitária na internet ganha força surpreendente, chega às ruas e se espalha pelos três estados do Sul. Agora, há reuniões com mais de 100 pessoas, panfletagem corpo-a-corpo, cronograma de atividades, produção de camisetas e adesivos, e uma oficina já está sendo organizada para o 3º Fórum Social Mundial, em janeiro.
Assinaturas de Zero Hora vêm sendo canceladas às centenas, a direção do grupo se preocupa e tenta reagir. Por que tudo isso? Em vários artigos publicados no Observatório vimos queixas contra a ausência no jornal de notícias sobre fatos positivos do governo gaúcho, a par de um destaque excessivo aos fatos negativos. Numa das várias cartas sobre o assunto, nesta edição, o leitor Cícero Justo, de Porto Alegre, mostra a extensão dessa ausência com um exemplo concreto da postura do jornal. Diz um trecho da carta:
"(...) o Orçamento Participativo. Noticiado e elogiado no mundo inteiro, premiado diversas vezes por instituições insuspeitas de petismo, como a ONU ou o Banco Mundial, jamais recebeu da RBS qualquer divulgação. Até hoje, sequer suas reuniões são divulgadas por seus veículos, mesmo com 14 anos de governo petista em Porto Alegre. Pode-se dizer que o Le Monde Diplomatique tratou mais do OP do que ZH."
Esta é, sem dúvida, uma grande surpresa. Tal omissão pode explicar a velocidade com que o movimento ganhou adesões. Esse case ainda vai dar muita tese acadêmica...
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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ESCOLA BASE
Ainda uma pedra no sapato
Faço estágio no Jornal Nippo-Brasil, um semanário voltado para a comunidade japonesa. Ontem, recebi a missão de entrevistar Icushiro Shimada, um dos sócios da extinta Escola de Educação Infantil Base, palco do episódio que ficou conhecido como Caso Escola Base, em 1994. A matéria trata da decisão do STJ de aumentar a indenização por danos morais, em recurso movido pelos três ex-proprietários, de R$ 100 mil para R$ 250 mil. Um dos editores entregou-me um papel velho com o número do telefone e o endereço de Shimada. "Não sei se ainda é esse o número. Faz uns três anos que guardo esse papel", disse. Qual não foi a surpresa quando, no outro lado da linha, atendeu o próprio Shimada? Consegui a entrevista e cumpri a missão.
Hoje (dia 20), abri os dois principais jornais de São Paulo para ver qual foi a repercussão. Resultado: apenas matérias secundárias, quase notas! Será que a decisão do STJ é menos importante que "Luzes de Natal já estão brilhando na cidade" (Estadão C8)? Será ainda o Caso Escola Base a pedra no sapato da mídia brasileira?
Yuji Azuma
RBS NA BERLINDA
Lavagem cerebral
Ao ler artigos como os do Sr. Daniel Bender chego à conclusão de que as faculdades de Jornalismo praticam alguma forma de lavagem cerebral com seus alunos. "Pesquisa eleitoral com dados exóticos"? Essa é uma análise jornalística profissional?
Fico impressionado com a irresponsabilidade e as desculpas prontas, com certeza devem ser aprendidas na faculdade. "Pesquisas erram", diz ele. E jornais que publicam pesquisas erradas, não "erram" também? Se o jornal publica uma informação falsa isso é "erro", incompetência ou má-fé? Se um jornal publica pesquisa sem credibilidade ele não perde credibilidade também? Ah, quando o jornal acerta, ele é bom, quando erra, a culpa é da fonte...
Mas o máximo é o seguinte: "O instituto (sic) não veio a público dizer que a pesquisa foi manipulada. Tampouco a RBS sugeriu isto!" Seria maravilhoso, comovente ver o representante do Ibope vindo a publico dizer: "Desculpe-nos, nós manipulamos a pesquisa, nós admitimos isso." Manipulação de pesquisa eleitoral é crime eleitoral, prezado estudante desinformado...
Seguem-se absurdos : "Esperar que o jornalão gaúcho seja imparcial é ingenuidade demais..." Ingenuidade é assinar um jornal parcial. "As posições mais antipetistas são dos colunistas", logo a Zero Hora é um jornal imparcial escrito por colunistas parciais... Aliás, todos nós sabemos que nos jornais os colunistas escrevem o que querem (risos abafados de colunistas ao fundo...),
Finalizando: "Muitos integrantes do atual governo petista ‘entraram’ (ações judiciais não são "entradas", são propostas) com ações na Justiça contra a RBS e ganharam. Com justiça." Ou seja: os leitores do Movimento pela Ética na Mídia (Zero Fora) estão boicotando um veículo de comunicação várias vezes condenado pela Justiça, e isto é uma ameaça à liberdade de expressão.
Então tá...
Alexandre Feijó, advogado e historiador
Apenas consumidores exigentes
Tenho me espantado com a liberdade de interpretação (ou no lugar de uma tal inépcia haveria uma pontinha de má fé?) com a qual as pessoas lançam-se levianamente em argumentações. Um truque barato é colocar palavras na boca do antagonista e duelar com uma posição que o antagonista não tem. O Movimento pela Ética na Mídia (Zero Fora) não se anuncia como um grupo de petistas, mas e se for? Isso de modo algum desqualificaria a sua possibilidade de manifestação em torno de uma causa.
Mas o que interessa esclarecer é que o movimento está pregando cancelamento de assinaturas e boicote aos anunciantes. Não li qualquer documento do movimento afirmando que o objetivo é calar um jornal. Acho que a grande dificuldade ainda da sociedade brasileira é fazer valer seus direitos de consumidor: não consumir produtos estragados. Isso não significa destruir o produtor do produto estragado, mas obrigá-lo a conduzir-se de forma a atender um público consumidor que se faz exigente. Ponto para a sociedade que consegue isso. Lamentável a sociedade que vive calada.
O que se notou é que, na falta de um jornal decente e compatível com este estado (que seja completo, investigador, com aprofundamento, transparente ou imparcial – uma ou as duas opções), pode-se começar enfrentando um deles (por certo não será o único, mas o mais vivamente tendencioso) no sentido de fazê-lo saber que suas tramóias não vão continuar passando despercebidas e terão um preço. Deixamos de consumir. Antes dessa campanha do cancelamento continuava-se consumindo por um ceticismo sobre a eficácia das ações isoladas. Agora, não, agora a coisa tem surtido efeito.
A empresa tem sido atacada, como diz o estudante de Jornalismo, mas não gratuitamente. Tem sido atacada porque ataca, porque é injusta e porque ataca para garantir interesses, provavelmente esses mesmos que o estudante menciona. Mas ele deve ficar tranqüilo quanto ao seu futuro, se é isso que o incomoda: se o movimento continuar com esse sucesso, até ele se formar encontrará um estado a caminho de ter um ou mais jornais decentes para ele trabalhar.
Claro, isso se ele melhorar suas interpretações.
William Ricardes
Segundo o "deus mercado"
Obviamente, a opinião do Sr. Daniel Bender merece meu respeito. No entanto, permito- me fazer alguns comentários críticos ao artigo. Em primeiro lugar, o articulista vincula a existência do Movimento Zero Fora a pesquisas eleitorais divulgadas pela RBS. Diz que pesquisas – erradas – sempre existiram e continuarão existindo, e que o erro seria do Ibope, não da ZH. Cabe dizer que a insatisfação que temos vários de nós (eu entre eles), entre os cidadãos que vivemos no RS, e que motivou a existência do movimento, não se limita às referidas pesquisas. Pesquisas essas, é bom que se diga, que não erraram por pouco, e que não foram apenas do Ibope, mas também do Cepa (coincidentemente, divulgadas pela RBS), enquanto o Correio do Povo, outro jornal gaúcho, divulgou pesquisas próprias que acertaram os resultados.
Também convém lembrar que, em sua cobertura no dia 27 de outubro, a Rádio Gaúcha AM, da mesma RBS, divulgou pesquisa de boca-de-urna dando vitória a Rigotto com indisfarçável alegria, incluindo aí duras críticas à pesquisa do Correio do Povo. A pesquisa duramente criticado no ar pela Rádio Gaúcha acertou em cheio o resultado, enquanto a boca-de-urna exaltada pela Rádio projetou mais do que o dobro da diferença apontada nas urnas...
Mas as tais pesquisas e manifestações foram apenas parte dos fatos que motivaram a indignação coletiva. O articulista, assim como a própria RBS, em seus editoriais, tenta reduzir a insatisfação a esse aspecto. Enganam-se. O que motiva o movimento é a percepção da forma absolutamente parcial com que foi tratado o governo petista do estado. Não se espera que o "jornalão" seja imparcial, como diz o colunista. Creio eu, já há muito, que a imparcialidade não existe. Espera-se é que o jornal deixe claro a seus leitores seu ponto de vista, não pretendendo afirmar uma imparcialidade inexistente. E, de toda maneira, o fato de a imparcialidade não existir não significa que tudo é permitido numa cobertura de imprensa.
Embora eu não seja "estudante de Jornalismo", a RBS (e a imprensa em geral) adora proclamar sua "função social" em defesa da sociedade. Que tal praticá-la, divulgando informações importantes, por exemplo?
O que vimos nos últimos quatro anos foi uma campanha decidida daquele grupo empresarial contra o governo do estado. Campanha que não é apenas de seus colunistas, como dá a entender o artigo. Claro, nesses é mais exacerbada, chegando ao ponto de um deles chamar de "Goebbels" um secretário estadual, de bêbado o governador ou mesmo debochar da morte de um dirigente petista. Mas que pode ser notada pelo grande destaque dado aos aspectos negativos, do "esquecimento" ou discretíssima divulgação dos aspectos positivos, e até mesmo das fotos divulgadas dos dirigentes do governo.
O que, aliás, era exatamente o contrário do que ocorria no governo anterior, do Sr. Antônio Britto (aliás, ex-funcionário da empresa). Houve até uma gincana colegial que solicitou aos alunos a tarefa de conseguir um exemplar de ZH, naqueles quatro anos, que não tivesse a foto, sorrindo, do então governador. Não consta ter sido obtida...
Apenas um exemplo do procedimento: o Orçamento Participativo. Noticiado e elogiado no mundo inteiro, premiado diversas vezes por instituições insuspeitas de petismo, como a ONU ou o Banco Mundial, jamais recebeu da RBS qualquer divulgação. Até hoje, sequer suas reuniões são divulgadas por seus veículos, mesmo com 14 anos de governo petista em Porto Alegre. Pode-se dizer que o Le Monde Diplomatique tratou mais do OP do que ZH.
Diz ainda o articulista ser normal um jornal falar contra o governo. Talvez, mas esse não é o caso de ZH; basta para isso lembrar a já referida cobertura do governo Britto ou, quem sabe, o tratamento dado ao governo federal. Lendo ZH entre 1999 e 2002, concluiríamos que o governo petista era um desastre, que seria massacrado nas urnas; já o governo FHC pareceria ir razoavelmente... No entanto, o que se viu nas urnas foi diferente: o governo estadual perdeu as eleições por pequena margem, contra uma frente formada por praticamente todos os grandes partidos (PMDB, PPB, PFL, PSDB, PDT etc). Já o governo FHC teve seu candidato fragorosamente derrotado, nos dois turnos.
O Sr. Bender cita o "caso do Clube da Cidadania" e pergunta: "Qual veículo de comunicação não teria dado atenção ao assunto?" Para isso, basta ver a cobertura dada pelos outros veículos de comunicação do estado. Sim, Sr. Bender, existem outros no RS! E esses outros, embora dando atenção ao assunto, não fizeram dele bandeira de luta como a RBS fez.
Por fim, fica risível a preocupação do articulista por se tentar "calar uma voz que não reza a cartilha do partido do governo". Risível, sim. Com o termo "calar uma voz" parece que se fala de uma ação violenta dos poderosos contra um indefeso grupo empresarial. Ora, trata-se de um ainda modesto movimento, com poucos recursos, e que enfrenta um grupo empresarial com diversos jornais, canais de televisão, rádios AM e FM etc. no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com negócios "que vão muito além da comunicação". Ora, é como se criticar a formiga por tentar calar a voz do elefante!
Mas, se o Movimento pela Ética na Mídia crescer e tiver sucesso ainda assim estará jogando legitimamente. Afinal, cancelar assinaturas faz parte do direito do consumidor. Recusar-se a pagar por produtos que não lhe dão satisfação nada tem de subversivo, antidemocrático. Nem mesmo ignorância do bom senso, como acha o articulista. Isso está inteira e exclusivamente dentro da lógica do tão proclamado "deus mercado". Não é assim que deve acontecer no capitalismo desenvolvido? Se um jornal não me satisfaz eu não o compro. Se não satisfizer a muitos, e muitos não o comprarem, ele poderá quebrar. O "mercado" não é assim, competitivo?
Mais risível, ainda, é a parte final, a da "cartilha do partido no governo". Quanto a isso, não se preocupe o Sr. Bender pois, a partir de 1º de janeiro, poderá ele perceber se a RBS não estará decididamente ao lado do governo que ajudou a eleger e cuja vitória foi tão entusiasticamente saudada.
Cícero Justo, Porto Alegre
Meia mea-culpa
Na edição dominical de ZH de 17/11/2002, está o segundo capítulo da novela RBS, mea- culpa ma no troppo. A meia-página 14 traz a conclusão da comissão independente sobre a análise que fez do convite do grupo RBS para avaliar a divulgação das pesquisas eleitorais e para sugerir formas de aprimoramento deste instrumento em pleitos futuros. Mais uma vez o grupo RBS menospreza a inteligência de seus leitores e se agarra ao argumento das pesquisas eleitorais.
O que realmente levou à criação desta comissão independente? ZH esqueceu de toda a desinformação prestada nos últimos quatro anos sobre o governo do estado e a Prefeitura Municipal – cujos titulares foram eleitos democraticamente –, e tenta avalizar seus procedimentos editoriais através de pessoas merecedoras de credibilidade da nossa comunidade, insistindo no argumento das pesquisas eleitorais. E as omissões de verdades e fatos, onde ficam? E a dignidade de pessoas enxovalhadas por mentiras e visíveis armações?
Jornalistas, comentaristas e colunistas do grupo RBS, na ânsia em se livrar do governo "predatório" – para eles – do Sr. Olívio Dutra, teceram os comentários mais absurdos ao longo da campanha eleitoral. Exemplo: a maneira como o âncora da TVCom – Sr. Lasier Martins – anunciou o resultado da pesquisa de boca-de-urna no dia do segundo turno das eleições é "inesquecível", para não entrar no campo profissional. Quem comprou o produto/serviço pesquisa do Ibope e do Cepa/UFRGS foi o grupo RBS. Assim, somente este grupo deve cobrar destes "institutos" os erros cometidos. O serviço/produto que nós leitores compramos é o jornal ZH. E o Manual de Ética, Redação e estilo (RBS/LPM)? Subtraíram o capítulo que começa na página 13? Alguém do grupo RBS já leu? Ou, virou comida de traça? O referido manual não bastaria para seus jornalistas pautarem as matérias? Se fosse seguido, o grupo RBS não estaria pagando este "mico jornalístico".
O argumento pesquisas eleitorais deve ser substituído imediatamente por "avaliação de nossa linha editorial nos últimos quatro anos". Então, o que realmente há na meia-página 14 de ZH dominical? O título diz tudo: "Comissão independente sugere debate ampliado." O que o Sr. Nelson P. Sirotsky esperava, depois de colocar a comissão nesta "saia-justa"? O resultado do documento era no mínimo previsível. Afinal, todos os integrantes da comissão independente são imparciais. Não é por outro motivo que estão na comissão.
A opinião da RBS é óbvia. Tudo no mais perfeito "politicamente correto". Segundo a opinião do grupo RBS, este se coloca à disposição da sociedade rio-grandense para participar, apoiar e divulgar todas as manifestações responsáveis destinadas a qualificar as relações dos meios de comunicação com o público! Não poderia ter dito "nossos" meios de comunicação? Quem andou chutando o pau da barraca? Quem faltou com a ética, foram os outros meios de comunicação rio-grandenses? E o convite à população para participar do tal Seminário de Ética e Comunicação, por que não mereceu página inteira? Quem e quantos estavam lá? E, lá vem novamente o argumento pesquisas eleitorais! O único subsídio concreto que falta para o aperfeiçoamento dos procedimentos do grupo RBS chama-se verdade!
Quando um veículo chega a se expor desta maneira é sinal que há muito já se distanciou de seu verdadeiro papel numa sociedade democrática. Subliminarmente, o que a meia-página 14 da ZH traz é uma incontestável confissão de culpa! O que realmente falta ao grupo RBS? Ética. O grupo RBS quer ser ético. Então, qual é a ética do grupo RBS ao contratar o Sr. Pedro Parente? Será que alguns são mais éticos que os outros?
Equilíbrio de contrapontos e imparcialidade são a pauta certa. Opiniões antagônicas: espaços recíprocos. Quem deve interpretar as notícias é o leitor, e não o grupo RBS. A posição do grupo RBS pode se limitar aos editoriais.
Sr. Nelson P. Sirotsky, na carta que o senhor enviou aos ex-assinantes de ZH, datada de 1º/11/2002, que não recebi, mas à qual tive acesso – acho que sou um ex-assinante de 2ª categoria –, o senhor se colocou à disposição para esclarecimentos; mas, como eu não tenho seu telefone, seu e-mail e jamais serei recebido pelo senhor, uso este espaço para me comunicar com o senhor. Sendo assim, gostaria de dizer que o seu jornal continua manipulando os fatos. A prova é a chamada da página 14 da ZH dominical: "Pesquisas eleitorais: Grupo foi convidado a analisar o procedimento da RBS na divulgação de sondagens em época de eleições." Está claro como o senhor quer que os leitores leiam esta meia-página do seu jornal! Respeito profundamente o seu ponto de vista, mas gostaria que o senhor soubesse qual é a minha posição neste episódio. O senhor manipulará também a formação do fórum? O que o senhor quer dizer com "manifestações responsáveis?" Seriam, por acaso, todas as manifestações que estariam em consonância com os pensamentos e os interesses dos grupos que a RBS representa?
Walter Karwatzki Chagas
Empresa-padrão
A luta entre governo e meios de comunicação sempre existiu, o velho a favor ou contra, seja em nível federal ou estadual. Mas lembro que a RBS gera muitos empregos, seja nos setores de rádio, televisão, jornal, internet. Uma empresa criada por um homem que acreditou e lutou para realizar o sonho de sua vida: construir uma empresa que integrasse todo o Rio Grande do Sul, com noticia e entretenimento. Este homem se chamava Mauricio Sirotsky Sobrinho. A RBS, desde sua fundação, tem importante valor social, e um deles é a geração de empregos para profissionais de Comunicação e áreas técnicas de rádio e TV, profissionais do microfone etc. aqui do Rio Grande do Sul, que tem um mercado de trabalho muito pequeno. Uma empresa que investe em treinamento e tecnologia, que tem preocupação muito grande com a comunidade onde atua.
Então, estes que hoje bradam contra esta empresa, colocando à frente idéias políticas que nem sempre correspondem à verdade dos fatos, devem fazer uma profunda reflexão: é incontável o número de vezes que a RBS mobilizou a população em todo o Rio Grande do Sul e Santa Catarina em favor dos menos favorecidos, dos atingidos por tragédias e catástrofes e principalmente em favor daqueles que muitas vezes são esquecidos pelos ditos governos democráticos e populares, seja lá de que partido for.
Otacílio B. Araújo Junior
Daniel Bender responde
A Alexandre Feijó: por que as faculdades fazem lavagem cerebral em seus alunos? Como elas fazem isso? Seria ensinando conceitos e técnicas de jornalismo e comunicação? Seria pondo os estudantes em contato com profissionais da mídia? Certamente não, assim é inapropriado falar em lavagem cerebral. Quanto à pesquisa errada ou "manipulada" concordo com o Sr. Feijó de que publicá-la significa referendá-la. Mas, caso a RBS não divulgasse uma pesquisa encomendada não seria pior? O que o movimento de ética na mídia faria neste caso? Provavelmente a RBS seria acusada de tentar esconder uma pesquisa que não corresponde aos seus interesses. É bom deixar claro que eu também não sou muito amigável à RBS. Não tenho relação nenhuma com a empresa e apenas conheço pessoas que trabalham ou trabalharam lá.
A William Ricardes: Concordo com o Sr. Ricardes quando diz que o consumidor tem o direito de recusar um produto ruim (quem não concordaria?). Infelizmente o julgamento feito para definir se o produto é bom ou não é viciado. Ele se baseia em críticas geralmente vazias de que o jornal é contra ou a favor. Assim o movimento pela ética na mídia pode ser considerado uma boa novidade, mas encarado com o ceticismo adequado.
A Cícero Justo: concordo com sua observação ao dizer que a RBS não se posiciona claramente e deveria faze-lo. Imagino que o maior problema tenha sido o governo Britto, quando a RBS praticamente entrou no governo ao participar das privatizações no Rio Grande do Sul. Como já foi dito: a empresa tem interesses comerciais que vão muito além da comunicação, o que não é certo em hipótese alguma. De um ponto de vista ético pode-se dizer que grupos de mídia não deveriam ter interesses cruzados jamais, mas está dentro de seu direito. Quanto ao antagonismo PT x RBS, é importante notar que um não vai muito com a cara do outro desde os tempos em que Antônio Britto era bem votado. Talvez refletindo a própria "grenalização" da política gaúcha (petistas x peemedebistas). Em qualquer caso trata-se apenas de especulação. A existência do movimento por si só é uma boa notícia, e não pode ser esvaziada com um alvo único. Por que não se criticam os outros veículos? Eles são imparciais? Ou menos parciais do que a RBS? Será a empresa "a grande vilã" do Rio Grande do Sul? "Calar a voz" talvez não seja a forma mais adequada de expor o problema. Que bem para a sociedade faz a decadência da única empresa qualificada para cobrir RS e SC integralmente? Não é o SBT que vai até os confins do pampa para gravar uma matéria. A RBS vai. Isso basta para sustentar as minhas opiniões. Quanto à história da "cartilha do governo" é importante notar que não faz bem nenhum à sociedade uma empresa que não critica o poder democraticamente eleito. Certamente um próximo governo petista no RS será menos carrancudo do que este que se vai (e que foi bem melhor do que o de 95-98). Gostaria de esclarecer um ponto: minha argumentação jamais foi a favor da RBS ou de qualquer outro grupo de comunicação, mas contra as críticas vazias freqüentemente feitas contra a empresa e o julgamento superficial do caso da pesquisa do Ibope. É muitíssimo fácil criticar sem usar o bom senso e a inteligência que o Sr. Justo demonstrou.
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