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ALTOS DEBATES
Preconceito contra o nu

Em pleno 20 de novembro, por volta das 23h15, ligo a televisão e, naquela passada de canais (eu não assisti ao programa), chego ao 9 (Rede TV!?). Começo a ler aquele resumo que fica no pé da tela, e percebo que o debate é sobre preconceito. Penso: que ótimo! Vou ver um debate sobre preconceito neste dia tão importante! Mas sabem sobre qual preconceito estavam falando? Sobre o preconceito contra as pessoas que posam nuas. Não vi nada do programa, nem antes nem depois, pode até ser que tenham debatido sobre preconceito e racismo contra os negros, mas, sinceramente, senti um balde de água fria caindo na minha cabeça. Pelo menos estava muito calor nesta noite.

Eduardo Zanete Osasco, SP



FÁTIMA PACHECO JORDÃO
A identidade da mulher

Só agora tive a oportunidade de ler a entrevista da Fátima Pacheco – socióloga e jornalista? –, e confesso que fiquei surpresa. Antigamente a rede pública de saúde chamava seus freqüentadores homens de "Seu José", toda mulher era "Dona Maria" e todo/a jovem era "Zé" ou "Mariazinha". Como paciente do HC, levantei esta questão durante uma reunião a que tive acesso e percebi como a crítica pegou de surpresa os profissionais presentes. Médicos nem supunham que seus pacientes "falavam". Apenas costurava-os, medicava-os, e os mandava às favas. Que a jornalista não cometa um retrocesso, já que a situação mudou, e ela nem deve ter percebido. Dificilmente terá sido chamada de Dona Maria em sua vida! (talvez dirigindo o seu automóvel...) Torço para que "Dona Maria" seja só o nome de sua empregada doméstica, caso a tenha, e que talvez pudesse ter levado a faixa a Brasília, e não a generalização da identidade da mulher (pobre?) ou a da periferia ou da "dona de casa".

Em tempo: interrompi a leitura da entrevista após este "lapso"... Sou muito emocional, apesar de consciente, e quando discordo de algo "boicoto". Como os europeus costumam fazer em seus países de "Primeiro Mundo"...

Também costumo encher a paciência da mídia e das empresas, de maneira geral, quando retratam as incautas mulheres como objetos a serem vistos, quando proporcionadoras de prazeres físicos e visuais para eles e... elas. Estas são as que têm direito a voz na mídia – com todas as suas asneiras, formadoras de "novas cabeças femininas". Aquelas que darão a vida por um par de seios grandes de silicone, a "última moda", copiada às americanas já de tempos idos. O que um homem não é capaz de fazer na cabeça das mulheres! Tudo vale para ter a sua atenção. Aquela atenção que homens, pais, não dispensam às filhas ainda crianças, entretidos com amigos ou amantes...

A Dona Maria a que a jornalista se refere provavelmente é aquela que nos bastidores do jornalismo e da publicidade são motivo de chacotas. O seu lapso é comparável ao da socióloga Eva Blay, que em uma de suas obras, como organizadora – p.14 – comete o absurdo de repetir a cultura vigente e chamar homens jovens de rapazes e às mulheres, de "meninas". Ao meu argumento de que o feminino de rapaz é moça – e infeliz daquele que em concursos oficiais se deixar levar pela cultura machista – ela pediu-me "desculpas, mesmo não sendo eu mais uma ‘menina’ ou ‘garota’", termo pelo qual a sociedade desavisada quanto às questões da mulher costuma ser designada até seus 30 e poucos anos! Depois a deslumbrada desavisada será chamada de "coroa", nos bastidores do jornalismo, da mídia e da vida.

As Fichers, as Lombardis, as Gabis, as Elbas, as Gretchens, que não me deixam mentir... Homens estão enlouquecendo as mulheres, haja vista o número de tratamentos estéticos para que permaneçam "sempre jovens", mesmo com a alma dolorida e enferma! Afinal, quem é que percebe isto? Sem querer mexer na cova de Durhkeim, penso que em próximas décadas o suicídio feminino deverá ter aumento, enquanto nossa sociedade continuar a dormir em berço esplêndido, em se tratando de hábitos e costumes arraigados.

Aproveitando o tema – mulher –, queria deixar minha opinião sobre a questão da ditadura da nudez feminina na mídia e nas ruas, produto das falas de uma sexóloga de tempos idos, hoje prefeita de grande cidade, que repetia dizeres de feministas estrangeiras equivocadas, pensando que mulher sem roupa é sinal de mulher "liberada", seja a rica, seja a pobre. Falas inconseqüentes, sem se ater às conseqüências de médio ou de longo prazo...

Marli Ribeiro



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Mídia perdeu o controle da audiência – Mauro Malin



TV DIGITAL
Hora de pensar na linguagem

Comecei a trabalhar com a TV Digital (HDTV) em 1991, no Japão. Na época, uma gravação externa que poderia ser realizada por um operador de câmera, um operador de áudio e eu (se a captura fosse em beta) era realizada por uma equipe composta por nove profissionais. Fazer um documentário com HDTV era um grande evento! Inúmeras discussões e estudos estão sendo realizados acerca da digitalização, porém, creio que nós, jornalistas e radialistas, estamos preocupados demais com a tecnologia, deixando de lado a discussão pela nova linguagem, mais adequada para esse novo meio. Precisamos repensar no esquema "top down", precisamos repensar na interatividade, precisamos repensar nos enquadramentos etc.

Mii Saki



É cartilha, não tese

Pertinentes as considerações do colunista Hoineff. Pena que não foi ele quem escreveu a cartilha, pois poderia ter saído muito mais precisa e não seria "afoita". O problema é que é muito fácil criticar por criticar – o que não tira a legitimidade e a consistência da crítica –, mas esse debate está sendo travado por meia dúzia de burocratas, ainda que o Conselho de Comunicação esteja tentando ampliar a audiência e a participação pública no debate, e a cartilha tenha o papel não de formar doutores em comunicação digital, mas apenas de provocar e de contribuir para a publicização da discussão. Como o próprio nome diz, é uma cartilha, não uma tese ou um manual.

Fica o convite-desafio ao colunista de contribuir para a produção de algum material de melhor qualidade, acessível ao público não especializado, ou para a promoção de atividades que cumpram tal demanda em larga escala.

Rogério Tomaz Jr., estudante de Comunicação da UFMA/Enecos



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Anúncio enganoso, cartilha afoita – Nelson Hoineff



Nelson Hoineff responde

Infelizmente, por falta de tempo, não posso contribuir com outro material além do que normalmente tenho feito para este Observatório e outros veículos, bem como de minha participação efetiva no Fórum do Audiovisual do Rio de Janeiro e na Comissão de Cinema e TV do Congresso Brasileiro de Cinema. O termo "cartilha" não está mencionado nela, mas foi adotado por mim para fins de definição do formato (um caderno de 24 páginas). Seu conteúdo, aliás, é bastante bom e não foi objeto de minhas críticas, a par do sectarismo mencionado. E em alguns capítulos ("A TV digital em detalhes", por exemplo) o volume passa bem longe do didatismo fácil a que o missivista se referiu.



VEÍCULOS E RÓTULOS
Jornalismo marrom

Sempre fui uma pessoa radical, mas consciente. Não tenho nenhum preconceito contra essa palavra, como muitos. Certamente, não conhecem seu verdadeiro sentido. Gostaria muito que existissem pessoas firmes e constantes em relação às verdades que edificam. Isto é: jamais abro mão dos princípios e valores verdadeiros que podem fazer a grande diferença em todos os segmentos da sociedade. Por exemplo, a verdade, hoje, bastante esquecida e negligenciada. Quando ouço um "jornalista" informando um "fato" verdadeiro ou fazendo um "comentário" honesto, fico entusiasmada e "quase feliz". Chega mesmo a surgir uma pontinha de esperança. Todavia, são momentos tão raros e efêmeros que, logo, aparece aquela desilusão.

Nunca vi tanta mentira e tanta injustiça como nessas últimas eleições. Isso por parte do jornalismo que eu identifico, sem nenhum medo de errar, como "jornalismo marrom". Não vejo qualquer "evolução". Não vejo, nem mesmo, compromisso com o público. Nem respeito. Existe, sim, a manipulação e o jornalismo viciado, tendencioso. Diante de tudo isso, não acredito em uma verdadeira democracia no Brasil. Há uma grande hipocrisia, onde falam mais alto os interesses mesquinhos de muitos. Portanto, a Globo, a Record, a Band, a TV Cultura e todas as outras não estão preocupadas com a verdade no jornalismo. Essas emissoras, principalmente, a Globo, empanturram o telespectador com suas "abobrinhas".

Mas, de todos os canais, o mais "ditador" é, exatamente, a chamado TV Cultura. Eles difamaram, caluniaram, mentiram contra um candidato e nunca lhe deram o direito de se expressar. A imprensa quer todos os direitos; porém, não reconhece os direitos dos outros. Por isso, abomino esse jornalismo imoral e hipócrita.

Ana Lúcia Luback



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