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ECOS DO CASO GUGU
Negócio mercantil
Concordo com a corrente que recomenda o controle remoto como recurso à vulgaridade da televisão. Mas, não consigo encontrar em minha linha de raciocínio o sinal de alarme que deveria soar contra um ato da censura. Só posso entender esse fenômeno da seguinte forma: pressinto a censura contra o jornalismo e a arte em todas as suas modalidades. Como Gugu não pratica o jornalismo e muito menos a arte, não fica caracterizada a censura, mas a reação a um negócio mercantil.
Guilherme Degani Neto
Levados pelas marés
Sempre que assisto ao Observatório na TV ou leio os artigos no sítio sinto que ainda existem algumas janelas por onde se pode respirar, tamanho o sufoco mental que sofremos da cultura dominante, em todos os campos do saber. Há um maniqueísmo deslavado, abertamente escancarado, provocado pelos produtores e divulgadores de informações, acerca de muitos fatos políticos e econômicos nacionais e internacionais, religiosos e sobre diversas outras áreas, pendendo ora para um lado ora para outro. Me pergunto sempre: se não nascemos binários, por que deveríamos sê-lo na vida adulta? Uma análise crítica dos fatos é fundamental e buscar alternativas além do lugar comum só evidencia inteligência.
O mundo da informação governa o mundo, a mídia medeia a relação do poder com a sociedade, e robotizados pelas técnicas de persuasão explícitas e subliminares os seres humanos são levados pelas marés dos interesses mesquinhos, a apoiar essa ou aquela causa, pobres inocentes úteis...
A informação quando transformada em conhecimento se torna objetiva, uma ferramenta que nos possibilita realizar coisas e identificar para que servem e a quem servem. Entretanto, enquanto não passa de uma idéia, de um relato, a informação utilizada por interesses inescrupulosos faz mais estragos ao planeta e a todas as espécies, inclusive a nossa, do que uma arma de grande destruição em massa. A qualidade e a lisura no ato de informar é um exemplo de que existem várias formas de educar.
Quando não conseguimos deslanchar e nos sentimos presos, mas não ouvimos os sons dos grilhões que arrastamos, é porque nossos ouvidos se acostumaram, resta ainda olhar nossos pés para conferir se eles estão livres. Parabéns a Dines e aos profissionais que o acompanham. Vocês inspiraram esse singelo texto
Luis Fernando Martins
Shows de ilusionismo
A necessidade de vender jornais e espaços publicitários está causando um fenômeno, que não sei se é novo ou antigo, porém é profundamente irritante para aqueles que o percebem. Qual seja, esta necessidade de criar (inventar/produzir) polêmicas, que nada mais são que "pêlo em ovo". Verdadeiros shows de ilusionismo.
Como exemplo cito a proposta da relatora especial sobre execuções sumárias da ONU de uma inspeção no Judiciário por um relator da ONU. Para mim ficou muito clara a proposta feita por ela, e se houver qualquer dúvida, basta rever literalmente o que foi dito por ela e se persistirem as dúvidas basta procurá-la e esclarecer. Mas como é que as coisas efetivamente ocorrem? Mistura-se a proposta da enviada da ONU com outra que trata do controle externo do Poder Judiciário, sendo esta última uma discussão anterior e interna. Pronto, já temos vários meios de comunicação, com seus comentaristas, habilitados ou não para tal, dando as mais diversas opiniões. Fala-se de soberania nacional e pronto, eis a fórmula para uma boa polêmica, que com sorte durará de uma semana até dois meses. Assunto para o preenchimento de jornais, revistas, espaços em rádio e TV. Voilà!
Os comentários deveriam ser pronunciados apenas a partir do momento em que se houvesse lido um resumo com todas as informações a respeito do assunto. Informações, e não o que está ecoando a respeito, conhecido como "diz que disse". Outros exemplos:
Caso Gugu e/ou pegadinha: interessante como tudo ocorreu. Como um efeito bola de neve. Não se falava em outro assunto. Muitos pontos no Ibope para todos, muitos jornais e revistas vendidos. "Todos" ganham. Então chega o fim de semana do Teleton, e desde então não se fala mais nisso. Interessante que já ocorreu este ano um outro episódio, declarado como pegadinha, envolvendo o "homem do baú". Teatro de marionetes.
Sugiro que analisem os próximos assuntos sob uma lupa, com bastante cuidado, e olhando por todos os ângulos. A pergunta é: quem está ganhando com isso? Basta observar: pontos no Ibope, jornais e revistas vendidos. Sinal de fumaça: quando é o assunto do momento, na mídia, no elevador, nas ruas, no escritório, no metrô, enfim, quando todos só falam de um assunto, bem absurdo. Nestes casos recomendo que primeiro agucem os sentidos e sintam o mau cheiro. Ao perceberem tal situação observem bastante todos os comportamentos. Normalmente nestes casos não há nem a necessidade de ver televisão ou ouvir rádio para tomar ciência: o mau cheiro se espalha, e então praticamente todos se deixam levar.
Nestes tempos em que se discute – seriamente – o desperdício, gastasse tanto tempo, energia e tudo mais com assuntos tão sérios que se desmancham no ar da noite para o dia, como se não existissem assuntos realmente importantes a serem tratados.
Por falar em manipulação: recomendo um filme: Mera coincidência. Deve existir outros.
Márcia Cruz Lima
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