28/10/2003 11/12

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ALESSANDRO PORRO
Lembranças de estripulias

Quando Sandro foi para Paris, já me encontrava chefiando a sucursal da Manchete. Minha experiência com ele é um pouco parecida com a crônica do Ali Kamel, aliás, belíssima. No entanto, naquela fase parisiense, Sandro era mais quieto. Ficava em casa escrevendo durante o dia e "vivia" a festa noturna, quando por lá estava. Na verdade, Paris era seu porto fixo, por onde partia, quase que semanalmente, para alguma reportagem pedida por São Paulo, fora da França. Convivemos pouco, mas, intensamente. Tivemos histórias comuns de "trampas" jornalísticas, mas isso nunca teve importância. Lendo o Ali, me deu saudades daquele personagem sempre nervoso que conheci apresentado pelo Bandeira, o pintor. Dizem que quando o cara vai ficando velho a esclerose o faz lembrar do passado e esquecer do que aconteceu na noite anterior. Lembrei das estripulias que fizemos juntos em Paris, lendo o Ali Kamel.

Nei Sroulevich, jornalista

Leia também

Balada para um repórter – Ali Kamel

 

DIREITO DE EXPRESSÃO
Caso paradoxal

Violência contra a imprensa é certamente a forma mais grave de cercear o direito de expressão. Por outro lado, até nos EUA existem tentativas de fazê-lo na Justiça. O caso mais paradoxal nos últimos tempos foi o da Fox News, que entrou com recurso para tentar impedir a venda do livro Lies, de Al Franken. Nele, o autor relata inúmeros exemplos de distorção da verdade que por aquela rede noticiosa haveria cometido, principalmente quanto à conduta do governo norte-americano na guerra contra o Iraque.

Erlo Roth, médico, Illinois, EUA

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Anistia Internacional pela liberdade de imprensa – Beatriz Singer

 

Opiniões engavetadas

De toda a precariedade que tem que suportar o povo brasileiro, de que nos falava a professora Maria da Conceição Tavares, a que mais ofende é a falta de liberdade da "imprensa". Ainda tem uma rádio que apresenta um programa em rede nacional chamado Liberdade de Expressão. É um deboche. Um acinte. Todo programa OI na TV deveria começar com: até o momento não foi construído no Brasil um processo estável e seguro de liberdade de expressão. Eu sei que muitas opiniões dos cidadãos são enviadas diariamente a diversos órgãos de mídia, e abafadas, engavetadas, glosadas, reprimidas.

José Paulo Silva Côrte Real, médico, Brasília

 

ELEIÇÕES NA CALIFÓRNIA
Sempre a calhar

Certamente o episódio teve toda esta repercussão midiática por referir-se a um ator conhecido. Como tudo o que vem dos EUA, tal fato, atrelado à fama de um ator de filmes americanos famosos, não poderia causar menor furor entre os brasileiros. Este suposto escândalo deve ter vindo a calhar para a imprensa brasileira, para encobrir algum fato de real importância, que evidentemente não se conhecerá tão cedo, quiçá jamais.

O problema é que a população não está preparada para analisar e criticar aquilo que vê na TV e nem pode estar mesmo, já que cada vez mais o que é dito nela é tido como verdade absoluta pela quase totalidade do povo e as medidas educacionais que deveriam ser tomadas desde a infância para um enriquecimento intelectual do indivíduo são ignoradas. Não se lêem mais livros clássicos, científicos, filosóficos, de história... Tudo o que é importante aprender na escola é tido como "chato" e, assim, as pessoas seguem sem o mínimo poder de argumentação, análise ou contestação.

Cynthia Magnani Pissurno, estudante de Jornalismo

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O exterminador de noticiários – José Antonio Palhano

 

CULTURA NA TV
Parabéns ao ministro Gil

Vale parabenizarmos o ministro Gil e o atual presidente pelas iniciativas: "Queremos maior acesso a programas de televisão inovadores e diversificados", disse o ministro Gil em seu discurso. "Queremos uma produção independente e regionalizada, capaz de projetar, em todas as telas, a multiplicidade que compõe nossa unidade como povo e nação." Pouco depois de Gil, o próprio Lula lembrava que não é possível nos contentarmos com as migalhas deixadas pela produção estrangeira ao nosso mercado. Vocês continuam ajudando o nosso país a ser melhor!

Adiel Lages

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