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LEITOR ATENTO
Texto do OI é copiado. Sem crédito
Ao acessar o sítio Midiamax <www.midiamax.com>, daqui de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, deparei-me com artigo de um jornalista chamado Fernando Rodrigues, com o título "A internet em boas mãos", publicado em 26/10/2003. Percebi algo estranho... já tinha lido aquilo em algum lugar. Pesquisei e descobri que o referido jornalista copiou trechos inteiros do artigo "O desafio de fazer jornal na internet", de Pedro Celso Campos, que saiu no Observatório da Imprensa no dia 17 de julho de 2002.
Repasso essa informação a título de colaboração com a ética jornalística, que está muito em baixa hoje em dia. Cabe a vocês ou ao autor fazer algo a respeito, pois o dito cidadão é formado em jornalismo mas... escrever copiando e colando é fácil, né?
O artigo de Fernando Rodrigues no Midiamax está no endereço <http://www.campogrande.news.com.br/debates/debates.htm?id=547>. O de Pedro Celso Campos está em <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/ da170720022.htm>.
Há parágrafos inteiros reproduzidos, como se vê abaixo, sem a devida citação do autor e do veículo.
Lizoel Costa
Os parágrafos copiados na íntegra
Durante os últimos cinco séculos o homem testemunhou a evolução e a crescente importância da comunicação, desde que Gutenberg imprimiu, em 1455, a famosa Bíblia de 42 linhas por coluna, aperfeiçoando, assim, a tipografia que fundidores europeus já conheciam desde 1260. Livros impressos, com caracteres móveis, datando das primeiras décadas do século 15, foram descobertos na Coréia. Mas é a partir da segunda metade do século 16 que o livro impresso corta, definitivamente, suas ligações com o livro manuscrito. Com o livro impresso, o alvorecer do século 16 também registra o surgimento da imprensa. Nos primeiros anos desse século, mais de 50 cidades alemãs já tinham jornais. (...)
A produção de massa crítica nos meios acadêmicos sobre o papel dos meios de comunicação, no século 20, levou estudiosos como os frankfurtianos de 1923 Adorno, Benjamim, Marcuse, Horkheimer e, mais recentemente, Habermas a discutir a influência social dos meios que acabaram se orquestrando num conjunto de atividades que regulam e impõem padrões de comportamento sobre a sociedade, o que eles chamam de "indústria cultural". Embora modernamente revisto à luz de estudos mais atualizados sobre o papel da mídia, o conceito frankfurtiano demonstra que o receptor da mensagem ficaria à mercê da manipulação política e ideológica dos meios, sem condições de interagir com eles para expor o que pensa, para discordar, para contestar, para propor. Náufrago indefeso num "mar de notícias" emitidas por meia dúzia de agências em torno do mundo, o ser humano do século 20 viveria, permanentemente, como o personagem do Show de Truman, o filme dialético de Peter Weir que denuncia a manipulação social pela mídia. (...)
Ao mesmo tempo, os estudiosos discutem o futuro de todo esse processo, questionando se a invenção de Gutenberg terá lugar nesse futuro, agora que os pesados tipos móveis se converteram em fluidas letrinhas que piscam no vídeo enquanto escrevemos, parecendo "sombras luminosas" de um passado longínquo. Perguntam-se para onde vai o jornal depois da internet, e até para onde vai o próprio computador enquanto "objeto de mesa". Outros querem saber se a internet um dia vai chegar a todos os habitantes da Terra, se todos poderão mandar e-mails com o mesmo custo de uma simples carta de correio ou até de graça... visão que antecipa o mundo ideal dos internautas, quando os anúncios da TV aberta emigrarem significativamente para a rende mundial de computadores de modo a tornar gratuito o acesso 24 horas por dia. Também se pergunta qual o papel dos meios impressos depois que os meios eletrônicos se aperfeiçoaram tanto. (...)
E quanto à ética? Num mundo em que os meios têm tanta influência, será que o respeito às minorias, aos direitos inalienáveis do cidadão, à verdade, à transparência, à dignidade humana... é observado? Ou ainda achamos que o "furo" vale qualquer sacrifício? Diante do menor baleado na rua, queremos a foto dele ou levá-lo para o hospital mais próximo? O que vale mais: a notícia ou a vida? Será que os jornalistas não estão tão confusos como os próprios consumidores de notícias neste estonteante início de novo milênio? (...)
Se a própria internet não chega a mais que 10 milhões de brasileiros por enquanto (e somos 170 milhões de almas), sendo portanto um meio nascente entre nós, este é um motivo a mais para adiantarmos a pesquisa sobre as preferências do novo público, com a certeza absoluta de que a rede está crescendo expressivamente em nosso país como já ocorreu no Primeiro Mundo. Tudo o que se fizer na área acadêmica a respeito – notadamente no plano curricular, onde se dá o preparo dos futuros jornalistas – será de grande utilidade para um jornalismo mais eficiente, mais atualizado, mais rápido.
Todavia, quando olhamos para a internet apenas como possibilidade de ter acesso a informações rápidas, isto é, ao antigo "furo de reportagem" que já não existe mais no impresso, acabamos incorrendo no engano de achar que é possível haver um conteúdo mais amplo e mais completo na mídia impressa. Afinal, ocorre exatamente o contrário. Além de dar a informação em cima do acontecimento – atualizando-a em questão de minutos –, a internet permite o acesso a inúmeras fontes de pesquisa – para não dizer ao conhecimento humano inteiro – sobre o assunto noticiado.
Por enquanto, entretanto, a internet é um meio incipiente. As pessoas estão aprendendo a navegar, a baixar arquivos, a utilizar o potencial da nova mídia, a conhecer o jargão técnico do meio, a se relacionar com o fantástico e desconhecido mundo novo da informação digital. Em nosso caso, também há os numerosos problemas técnicos representados pela própria infra-estrutura do país, como linhas telefônicas deficientes, conexões que não se sustentam, sites que apresentam dificuldades de navegação por serem mal-estruturados ou muito pesados etc. Muitas vezes a dificuldade de acesso acaba desanimando o internauta. Também há o problema dos custos (sem falar na própria exclusão digital, que é mais um gritante reflexo da criminosa injustiça social deste país) para manter o computador atualizado, para pagar o uso da linha e os serviços do provedor de acesso. Existe ainda o "refluxo" de muitos investidores que apostaram na nova mídia e, desencantados com os resultados financeiros, estão fechando sites, encerrando atividades. (...)
O sítio responde
A seção Ponto de Vista do nosso jornal é franqueada para a publicação de leitores em geral. Cuidamos, antes de publicá-las, de averiguar se o conteúdo é agressivo contra pessoas ou entidades. Até o momento, não havíamos nos deparado com nenhuma situação que não ficasse restrita a críticas e elogios próprios do debate de idéias. Hoje recebemos a informação de que o artigo encaminhado pelo jornalista Fernando Rodrigues foi extraído do conteúdo do site de vocês.
Determinei a imediata suspensão da veiculação e encaminhei o fato ao signatário para que ele dê, se desejar, suas explicações.
Por último, informo que o Sr. Fernando não é articulista (nossos colunistas estão listados na home). Atenciosamente, Carlos Eduardo Naegele (Midiamax)
O autor responde
Caros colegas, sinto muito pelo ocorrido. O que aconteceu foi o seguinte: faço uma especialização em uma universidade do Paraná e uma das avaliações foi um texto sobre esse assunto. O trabalho era feito em grupo de quatro pessoas. Cada um escrevia sua opinião e assim teríamos um texto. Pedi autorização para os demais componentes para publicar e assinar o artigo. Eu não tinha conhecimento da cópia. Como assinei o artigo, assumo a responsabilidade e garanto que não acontecerá mais. (Fernando Rodrigues)
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