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Edição de Marinilda Carvalho
"Os meios de comunicação deveriam estar atentos às verdadeiras questões que atormentam a sociedade. Elas estão aí e, apesar de serem esquecidas por quem escolhe o que é ou não uma grande matéria, uma grande manchete, uma grande venda de papel altamente descartável, não são esquecidas por quem as vive."
Este trecho, da carta de Juliana Cavalcanti, do Recife, reflete uma das questões mais cruciais do momento. Quem pauta a mídia? No caso principalmente da mídia impressa: por que jornais e revistas preferem perder leitores, publicando matérias desimportantes? Que pesquisas são essas que indicam caminhos cada vez mais vazios, sensacionalistas, espúrios mesmo, a serem trilhados pelos veículos, sempre mais distantes dos interesses reais do leitor?
Todo mundo odeia quase tudo o que a imprensa faz. As tiragens caem a cada semana, os anunciantes abandonam o barco. E nada muda!
É uma coisa realmente incompreensível...
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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CASO SONINHA
Uma TV igual às outras
Deplorável a atitude da TV Cultura, de demitir a apresentadora Soninha pela admissão do uso de maconha. A nota da emissora deixa bem claro que o problema não é fumar maconha, mas a "manifestação pública" do fato. Hipocrisia pouca é bobagem: fumar pode, mas dizer que fuma, não. E depois ainda têm coragem de se dizer pluralistas – só pode ser piada.
A nota também é mentirosa, ao dizer que o descumprimento das leis é uma "atitude defendida" pela apresentadora. Ela não defendeu que ninguém usasse maconha, apenas disse que usa e defendeu a descriminalização. A nota é mentirosa pois não foi qualquer consideração legalista o motivo da demissão. Foi a constatação simples de que atitudes como a de Soninha e dos outros retratados na matéria são uma arma poderosa contra o lobby pró-repressão que domina a mídia.
A TV Cultura demonstrou que é uma TV igual às outras, tão conservadora quanto. Para quem é um telespectador assíduo do RG, foi uma bofetada ver o programa suspenso por considerações morais de seus diretores. Por mais que eles tentem dar uma motivação neutra ao episódio, fica claríssimo que ver alguém bem-sucedido, responsável, respeitado na comunidade dizer que fuma maconha é um crime pior que o próprio ato de fumar.
Que a emissora mude o slogan. Seria perfeito assim: TV Cultura, uma TV igual às outras.
Marcus Pessoa, Belém
Maconha ou intolerância?
O Observatório não deve deixar passar em branco o caso da demissão da apresentadora Soninha pela TV Cultura. Deixem que a Globo e o SBT se matem, pois a falta de alguma qualidade nestas emissoras não é novidade. No entanto, uma emissora que parecia ser diferente, que inclusive abriu espaço para um programa como o Observatório, tomar uma atitude autoritária, intransigente e antidemocrática como a que tomou é algo que deve ser discutido por quem pretende elevar o nível da TV brasileira.
Vou mais longe, todos os apresentadores da emissora que se julguem independentes deveriam tomar uma atitude: demissão em massa. É a única resposta que a diretoria da Fundação Padre Anchieta merece, e aquela que os telespectadores interessados em diálogo e não em atitudes autoritárias esperam.
Tarcísio Uchoa, Fortaleza
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