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EUA vs. AFEGANISTÃO
Matança "amiga"

Sobre a descoberta de 600 cadáveres em Mazar-i-Sharif, se a execução tivesse sido feita pelos inimigos, toda a imprensa estaria fazendo um carnaval sobre o "genocídio". Mas, como a matança foi perpetrada pelos amigos, nada a comentar. E o Tribunal de Haia fica valendo mesmo só para o ditador Milosevic, esse monstro que ousou resistir à Otan/EUA.

Carlos Tautz

 

CALOTE NO RIO
Mais uma do JB

Enquanto os olhos estão voltados para os problemas da Gazeta Mercantil e as demissões em grandes veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo e Rede Globo, uma diretora de redação aproveitou o mau momento do jornalismo brasileiro para impor condições de trabalho mais severas e exploratórias.

A diretora de Conteúdo da Agência Jornal do Brasil e do JB Online, Cristina Konder, enviou um singelo e-mail nesta manhã de segunda-feira para alegrar a semana de seus funcionários. Em poucas linhas, a digníssima senhora disse que o esquema de plantões de fim de semana mudará de 3 folgas por sábado e domingo trabalhados para 2 por 1.

Sem nenhuma justificativa ou hesitação, a senhora Konder impôs este trabalho extra para que os jornalistas entrassem no mesmo esquema da redação do JB, ainda que o serviço seja diferenciado e específico. Questionada por e-mail pelos jornalistas por uma equiparação salarial, já que os salários da AJB e do JB Online são extremamente baixos em relação aos da redação do JB, ainda que os funcionários trabalhem juntos no mesmo local, a esposa de Leandro Konder retornou a seguinte mensagem: "O momento é de preservação de emprego, já que o mercado está muito ruim. Não há negociação."

Ninguém questiona a possibilidade de mudança na escala de plantão, desde que haja mudança na filosofia de trabalho e no próprio serviço. Como está, os jornalistas e estagiários da AJB e do JB Online passam a maior parte do tempo de plantão fazendo nada, já que a coordenação do trabalho é feita de maneira displicente.

Logicamente, do jeito que está o mercado de jornalismo (utilizando a argumentação da diretora de conteúdo), queremos que a empresa dê certo e cresça. No entanto, do jeito que está, não existe a necessidade desta mudança. Além disso, se aumenta o trabalho, aumenta-se o salário.

Para se ter uma noção, um estagiário da AJB recebe R$ 280, o da redação, no mínimo, R$ 320. Um repórter da AJB começa com um salário de R$ 500, na redação é de R$ 2.400. Um redator na AJB ganha salário inicial menor que R$ 1.000, o do JB é de R$ 2.500. No final de carreira, o redator da AJB recebe mensalmente R$ 1.200, e o do JB, R$ 5.000 (tendo chegado a R$ 8 mil na época de Mario Sergio Conti).

O mais aviltante não são as péssimas condições de trabalho, nem a disparidade de salários, mas a falta de respeito em querer que aceitemos as chibatadas sem reclamar. É como uma empresa que quer fabricar um produto, mas não tem dinheiro para pagar os fornecedores do material. A solução seria ou desistir de fabricar o produto ou pegar um empréstimo para investir na produção. O trabalho do jornalista deve ser encarado da mesma maneira. Não é porque nosso produto é nossa mente que o trabalho proveniente dela não deva ser remunerado. Se quer aumentar a produção de um jornal e a sua qualidade (queremos muito isso, principalmente por conta da situação em que hoje se encontra o tradicional JB), tem que pagar por isso, não pode dar calote.

Francisco de Melo e Maria Cândida

 

GREVE NAS UNIVERSIDADES
Parcial, muda, superficial

Mesmo não sendo jornalista, sou um telespectador cativo do Observatório, um dos programas mais inteligentes e sérios da nossa TV hoje em dia. Venho manifestar meu estarrecimento pela parcialidade, o silêncio ou a superficialidade com que tem sido tratada a questão da greve dos professores pela imprensa televisada. Como vocês sabem, desde o começo o governo apostou na não negociação e no desgaste da greve. Os exemplos desta estratégia de confronto foram inúmeros. Mais recentemente, e na mesma lógica, o governo tem usado bastante a TV para contar sua versão do conflito, muitas vezes mentindo descaradamente.

Mesmo quando a imprensa se dispõe a ouvir o outro lado, como aconteceu recentemente na entrevista coletiva do presidente da Andes, nada ou quase nada é publicado. A revista Veja só falou no assunto em editorial extremamente parcial (mas em sendo editorial, é permitido) seguido da entrevista do reitor da UFRJ, que expunha sobretudo a visão do MEC. Em suma, a atitude da imprensa, além de suspeita, não permite um debate mais aprofundado de uma questão do papel da universidade, fundamental para um país em desenvolvimento na era da informação.

Não quero dizer que o movimento docente tenha razão. Eu fui crítico ferrenho de algumas posições radicais que tentaram ser tomadas pelo comando de greve durante este período. O que me choca é a falta de sensibilidade do governo em querer deixar a greve se desgastar em detrimento das perdas que isto acarreta, assim como a parcialidade ou superficialidade com que a imprensa tem tratado a questão.

Geber Ramalho, professor da UFPE


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