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DIPLOMA EM XEQUE
Para arrombar portas
Acredito que os futuros jornalistas devem passar por uma universidade, pois nela temos contato com uma gama infinita de conhecimentos e somos motivados a pesquisar, estudar, pensar. Penso que a função principal da universidade é ensinar a pensar, atitude que parece esquecida por muitos jornalistas brasileiros, inclusive aqueles que passaram por uma faculdade. O problema é que a maioria das faculdades de Jornalismo não cumprem essa função. Algumas ensinam apenas a técnica, preocupadas com o mercado, outras estão simplesmente sucateadas (caso das universidades públicas).
Infelizmente ou felizmente (pois são poucos que têm a oportunidade de freqüentar uma universidade no Brasil) estudo numa dessas faculdades. Faço Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (em greve há mais de dois meses) e assumo que mesmo estando no primeiro ano penso em largar a faculdade. Os laboratórios são pequenos, não há equipamentos para todos, há alguns professores desinteressados e desmotivados, faltam matérias importantes no currículo como ética e outras na área de humanas... Mas alguma coisa me faz ficar, talvez a utopia de que a educação mudará o mundo ou a certeza de que a universidade me abrirá não as portas do mercado de trabalho, mas sim as portas do conhecimento (nem que seja arrombando-as).
Andréa Beer
E o registro, como tirar?
Em nenhum artigo encontro como é possível tirar o registro do MTb sem diploma, já que tenho 8 anos de experiência na área.
Diogo Kotscho
De quem é a culpa?
Depois de constatar tanta confusão por parte dos órgãos governamentais e educacionais, nós estudantes ficamos sem saber o que fazer em relação aos próprios estudos. Parece que a única alternativa é fazer de conta que nada está acontecendo, e ir em busca do sistema autodidata. É a única coisa que resta para nós, como diz o Serginho Groisman. O aluno que se prende unicamente ao que a faculdade ensina jamais será um bom profissional. Especialmente onde nem a faculdade sabe o que ensinar. Se ficarmos esperando, estaremos simplesmente perdendo tempo e dinheiro. Mas, afinal, de quem é a culpa? Por fim, espero que todos tenham seu espaço: os autodidatas e os formados.
Débora Carvalho
Fenaj deve cobrar é salário
Considero deprimentes todas essas manifestações em contrário à decisão da Justiça que acaba com a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Sou estudante de Jornalismo, e pretendo me formar, como forma de aperfeiçoamento de minhas habilidades, já que trabalho na área há oito anos. Para espanto do Sindicato e da Fenaj, o que aconteceu comigo foi exatamente o contrário do que eles poderiam esperar. Entrei na faculdade acreditando que o diploma era mesmo essencial, pela responsabilidade social da profissão, e argumentos do tipo. Só que, à medida em que o curso de desenvolvia, minha opinião foi mudando, e fui percebendo que isso é uma grande besteira.
A receita básica para se tornar um bom profissional da imprensa reúne ética e visão crítica do mundo em que vivemos. Nenhum desses ingredientes é adquirido nos bancos das faculdades. Um estudante antiético sai da faculdade ainda pior, porque aprende os "macetes" da profissão, que facilitam suas atitudes sujas. Se ele não tem visão crítica, vai sair de lá um alienado com diploma, o que pode ser ainda mais perigoso para a sociedade.
Além do mais, por que o sindicato e a Fenaj não gastam sua energia para tentar garantir que todo profissional da imprensa receba pelo menos o salário mínimo da categoria? É, porque os patrões querem acabar com a obrigatoriedade para pagar salários menores a pessoas sem formação. Nem todo jornalista precisa ter diploma, mas todo jornalista precisa receber o que manda o acordo-coletivo entre patrões e empregados.
Acho que, agindo dessa forma, as organizações que representam os jornalistas estariam beneficiando muito mais a categoria. Afinal, o mau profissional o mercado mesmo se encarrega de eliminar. Mesmo que ele seja doutor.
Ricardo Mello, Franca, SP
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